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Indústria e agricultura precisam estar juntas na busca de soluções, afirma Skaf

Ministro Blairo Maggi participa de reunião comemorativa dos 10 anos do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse nesta segunda-feira (6/2) que a agricultura e a indústria têm que andar lado a lado. “Agronegócio é agricultura e indústria, indústria e agricultura. Temos que estar juntos buscando soluções”, afirmou.

Skaf participou de reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), em evento que comemorou 10 anos de sua criação. Skaf ressaltou a importância do trabalho, voluntário, do conselho. Chamou de importantíssimo o agronegócio brasileiro e lembrou a força de produtos como a cana e a laranja no Estado de São Paulo.

O agronegócio, disse Skaf, foi o primeiro setor da economia brasileira a recuperar a confiança, no segundo trimestre de 2016, o que foi identificado pelo Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), estudo feito pela Fiesp e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Da apresentação do ministro Blairo Maggi (Agricultura), convidado para uma palestra no Cosag, ressaltou a atenção dada à busca de eficiência nos produtos em que o Brasil não é competitivo. Também o fato de estar alerta às oportunidades criadas pelas mudanças, sob o governo Trump, do mercado mundial. A pasta da Agricultura está em boas mãos, graças à visão de Maggi, disse.

“Estamos num momento de oportunidade no Brasil”, afirmou Skaf. Como exemplo, lembrou que parou de se falar em aumento de impostos, e foi aprovada emenda constitucional para limitar o crescimento de gastos do governo.

Várias reformas são debatidas, algumas que não saíam do papel durante anos, e agora deverão ser aprovadas. Os juros começaram a cair, lembrou Skaf, e agora é necessário destravar o crédito. O BNDES, disse, não está operando. Está recebendo, mas não está emprestando. “Está errando.”

“O pato está de prontidão”, disse Skaf, quando Maggi ressaltou a importância de não permitir o aumento da carga tributária sobre o agronegócio. O pato surgiu como símbolo da campanha contra o aumento de impostos promovida por diversas entidades a partir de setembro de 2015.

“Nossa confiança no Brasil é muito grande”, disse Skaf. Acima de tudo, somos brasileiros e nos orgulhamos muito disso. Precisamos pôr o país no trilho, com políticas acertadas. E deixar a iniciativa privada trabalhar. A queda do PIB parou, deve haver crescimento de cerca de 0,5% este ano, e o emprego deve ter um início de retomada adiante.

O agronegócio tem papel fundamental para a retomada do crescimento econômico, necessário para a recuperação da arrecadação e a geração de empregos, destacou Skaf.

É semelhante a análise do ministro Blairo Maggi. O setor, disse, pode responder rapidamente, o que aumenta sua importância. “A balança comercial do agro é muito interessante”, destacou. Maggi fez apresentação intitulada Mercado Internacional do agro – análise. O ministro disse que, como primeiro ponto de sua atuação à frente da pasta da Agricultura, tem tentando incentivar os agricultores e industriais a aumentar sua produção e sua produtividade. Procura criar um ambiente favorável ao negócio.

Lembrou que há graves problemas no setor que o poder público deveria resolver e disse que a redução da burocracia interna de seu ministério está em curso, para que essas questões sejam sanadas, segundo item de sua atuação. Um terceiro ponto é a ampliação dos negócios mundo afora. O Brasil tem cerca de 6,9% do mercado mundial agrícola, participação que vem caindo. Para realavancar o processo de exportação é preciso criar mercado, afirmou.

Negociações sanitárias e fitossanitárias (SPS) internacionais são o grande entrave à exportação, não as barreiras comerciais, explicou. São cerca de 600 questões em discussão.

O volume de produção do Brasil tem aumentado, mas o preço dos produtos, em queda, recuou ao nível de 2010. Maggi destacou a diversidade de produtos exportados e de mercados, o que diminui a vulnerabilidade brasileira, mas 12 produtos agrícolas representaram, em 2016, 88,3% das exportações, com destaque para a soja.

O Brasil precisa chegar a 10% de participação no mercado agrícola mundial, disse o ministro. Parte das iniciativas para mudar o panorama é estudar as fraquezas do país no setor e saná-las. E a contratação de adidos para o setor (25, em 21 postos) deve ajudar.

Há um problema de competitividade do Brasil (42% de produtos competitivos, contra 81% dos Estados Unidos e da União Europeia), que precisa ser identificado e combatido. E o Brasil se concentra muito em poucos produtos. Em pescados, por exemplo, o país é insignificante. Em frutas, representa muito pouco.

A criação de um selo brasileiro está entre as iniciativas do governo, afirmou Maggi. A sustentabilidade tem que ser o foco da mudança de narrativa em relação à produção do agro no país. Destacou que só 8% do território é dedicado à agricultura, e 17%, à pecuária – dos quais metade pode ser revertida, sem redução do rebanho.

O exemplo da China

Em sua apresentação, Maggi mostrou atenção ao comportamento da China. Grande importadora e exportadora, a China compra mais produtos primários e menos processados (proporção de 44% para 56%), e vende mais produtos processados e menos primários (75% contra 25%). A China pretende, disse, controlar as cadeias mundiais de fornecimento agrícola. Seu foco é a Ásia, o mesmo do Brasil. A população do continente é grande, e o poder aquisitivo dela está crescendo.

O ministro considera o investimento em pesquisa, em conhecimento, um grande acerto do Brasil. O ganho para o país foi enorme, permitindo aumento de produtividade. Houve uma revolução nos últimos 40 anos, feita pelo conjunto da sociedade brasileira, disse, projetando conquistas nos próximos 40 anos. E sem afetar a Amazônia, frisou.

O governo Trump já abriu oportunidades, como com o México, que vinha se recusando a dialogar sobre negócios no setor e agora se dispõe a conversar. E outras deverão surgir, disse.

Maggi também disse que está na pauta do governo a inclusão do açúcar e a reinclusão do álcool na troca de ofertas do Mercosul com a União Europeia. Esta semana o presidente argentino Maurício Macri visita o Brasil.

O ministro disse estar convencido da necessidade de importar café. Os números, fornecidos pela Conab, são muito ruins. “Eu deveria estar defendendo os agricultores”, disse o ministro, mas sem produto para processar a indústria se enfraquece, e não há agricultura forte se a indústria não for forte. “Somos carne e unha”, respondeu o ministro Maggi.

Em relação à venda de terras para estrangeiros, Maggi disse que o assunto não é tabu e está em discussão no governo. Revelou preocupação pessoal a respeito de terras para culturas anuais.

Paulo Skaf, ao lado de Blairo Maggi e Jacyr da Costa Filho na reunião de 10 anos do Cosag - Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Paulo Skaf, ao lado de Blairo Maggi e Jacyr da Costa Filho na reunião de 10 anos do Cosag - Foto: Everton Amaro


10 anos do Cosag

Jacyr da Costa Filho, presidente do Cosag, abriu a reunião agradecendo o comparecimento do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, do secretário do setor em São Paulo, Arnaldo Jardim, do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e outros representantes do Executivo e do Legislativo, além de dirigentes de diversos setores da economia.

Costa Filho lembrou a iniciativa de Paulo Skaf de inserir o agronegócio na Fiesp e ressaltou o acerto do convite a Roberto Rodrigues para ser o primeiro presidente do Cosag. Depois, João Sampaio assumiu. No evento foi feita homenagem a ambos. Também foi lembrado o ministro Blairo Maggi, cuja homenagem foi feita por Skaf.

O agronegócio, ressaltou o presidente do Cosag, se apoia fortemente na pesquisa, feita por exemplo pela Embrapa. Em São Paulo, além das culturas como laranja, cana e borracha, há indústrias de máquinas e implementos e produtos químicos de uso agrícola.

Costa Filho elogiou iniciativas do ministério da Agricultura, como a defesa da sustentabilidade do etanol, e convidou Maggi a ser presença frequente no Cosag.

A pedido de Costa Filho, Roberto Rodrigues relatou as discussões do Conselhão. A seu pedido, o agronegócio foi incluído entre os grandes temas em discussão. Virou tema prioritário do governo, disse Rodrigues – o que, afirmou, não acontecia havia 40 anos.

Dentro do tema agronegócio, os pontos prioritários foram definidos como:

Plurianualidade

Sustentabilidade

Abertura comercial por meio de acordos bilaterais

Infraestrutura e logística

Renda na agricultura, com destaque para o seguro rural

Mario Sergio Cutait, diretor do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), listou estudos da casa, como o Outlook Fiesp e o IC Agro), ambos entregues ao ministro Blairo Maggi.

José Eduardo Camargo, diretor da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, mencionou o potencial de crescimento do Brasil no setor. Se tivesse tido nos últimos anos a mesma evolução do Chile, exportaria atualmente US$ 153 milhões, disse. Pediu atenção para esses produtos.

>> Ouça boletim sobre a reunião do Cosag