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Indústria da construção tem queda nas vendas e perde 22 mil empregos

Taxa de desemprego é baixa se comparada a outros segmentos. Setor prevê normalidade da ativdade em 7 meses

Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp (Consic) se reuniu, por meio de videoconferência, para debater sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na cadeia da construção. No encontro, realizado na última quinta-feira (28/5), conselheiros apresentaram suas análises e perspectivas para o enfrentamento da crise gerada pelo coronavírus.

O presidente do Consic, José Carlos de Oliveira Lima, iniciou a reunião destacando pesquisa realizada pela Quorum Brasil, com 150 empresas médias da Grande São Paulo, sobre o panorama do setor nos últimos meses. Os dados apontaram queda média de 45% nas vendas e alguns setores atingiram 70%. Para os entrevistados, o cenário é de crise e incerteza. “É um cenário de desânimo, mas não de falta de esperança. Muitos acreditam em uma retomada bastante considerável e forte a partir de setembro. Mas, pelos prejuízos dos meses de março, abril e maio, serão necessários 7 meses para ajustar a normalidade. Muitos planos não se realizarão neste ano”, destacou Claudio Silveira, CEO da Quorum Brasil.

A pesquisa apontou que 76% da cadeia está comprometida e que 64% das empresas consideram insuficiente o que o governo tem oferecido no momento. A maior demanda é isenção de imposto pelo período de 6 meses. O setor encara o presente como um período de adaptação. A estrutura e a rotina com 5 dias de trabalho presenciais estão sendo revistas, e as áreas de TI têm ganhado mais relevância dentro das empresas. Sobre o futuro, a maioria já trabalha estratégias considerando que não irá mais vender, comprar e negociar como antes.

Desemprego

De acordo com o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, o setor perdeu 22 mil empregos. “É um número baixo se comparado a outros setores”, disse José. Ele acrescentou que muitos empregos não foram interrompidos devido aos contratos de longo prazo.  Contudo, os 50 bilhões de reais em lançamentos previstos para o país neste ano de 2020 ficaram comprometidos. Martins pontou que 2% dos lançamentos foram cancelados e 79% das empresas apertaram o ‘pause’ com a perspectiva de tomar uma decisão em agosto e setembro.

O presidente da CBIC ainda reforçou a necessidade de o Brasil apostar em um crescimento baseado no investimento e não no consumo. Lembrou também que a pandemia escancarou as desigualdades e que o saque excessivo do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) é um problema sério que ameaça o mercado imobiliário. “O crédito também mingou para as empresas médias e esse é um outro ponto que deve ser cuidado”, completou José Carlos Martins.

Considerando o cenário, a Fiesp desenvolveu projetos para ajudar as empresas no enfrentamento dos desafios gerados pela crise atual. Para dar apoio a tomada de decisão, informações importantes sobre linhas de Giro: BNDES, Caixa e Sebrae foram consolidadas em um único canal chamado de Central de Crédito. A página é atualizada diariamente com novos conteúdos e produtos. As empresas também podem ter atendimento gratuito e personalizado em caso de dificuldades nas solicitações de crédito junto ao seu banco de relacionamento.

Mercado imobiliário

Sobre os lançamentos cancelados e em ‘pause’, citados por José Carlos Martins, o vice-presidente do Consic, Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, alertou que “a falta de lançamentos nos últimos 60 dias pode gerar uma curva ruim nos próximos 10 meses”, disse Auricchio. “Acho que o que está contratado, vai andar. Mas precisamos trabalhar para que essa curva não caia mais do que já vem caindo. Apesar do crescimento em 2019, o setor ainda vem 30% abaixo do que experimentou nos anos de 2013 e 2014”, completou o vice-presidente. Ele ainda acrescentou que há uma preocupação para o ano seguinte no que diz respeito ao consumo de agregados.

Basilio Jafet, presidente do Sindicado da Habitação (Secovi-SP), pontuou que o município de São Paulo tem 2 bilhões de reais concentrados nos adiamentos de lançamentos imobiliários. “As vendas caíram 65%. De cada três compradores, dois preferiram aguardar”, disse Jafet. Ele ainda comentou que a aquisição de um imóvel é sempre uma decisão importante para o brasileiro e que gera naturalmente um adiamento. “O brasileiro compra 1,7 imóveis em sua vida. O americano compra 7 durante a sua existência”, lembrou.

Para Jafet, as mudanças comportamentais geradas pela Covid-19 vão causar impactos diretos nos negócios do setor. Basilio acredita que daqui para a frente os consumidores irão buscar maior automação nos apartamentos, investindo em ‘imóveis inteligentes’. A tendência é que com o home office em crescimento, as pessoas passem mais horas em casa e um cômodo extra, além dos espaços habituais, será fundamental embora, segundo ele, 85% das pessoas ainda tenham preferência por eventos presenciais e idas ao escritório.