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Indústria paulista encerrará 2013 com até 30 mil novos empregos

Projeção da Fiesp e do Ciesp é de crescimento de 1% no índice de emprego; número de vagas, porém, ainda não é expressivo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Walter Sacca: 'Crescimento de produtividade ainda não é suficiente para compensar os problemas de competitividade da indústria.' Foto: Julia Moraes/Fiesp

A indústria paulista criou 3,5 mil empregos em maio em comparação com as contratações ocorridas em abril, mostra pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo divulgada pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), nesta quinta-feira (13/06). O quadro de funcionários do setor manufatureiro deve aumentar em até 30 mil funcionários em 2013, de acordo com projeção das entidades, que mantêm a estimativa de crescimento de 1% para indicador até o final deste ano.

O prognóstico, no entanto, continua indicando que a indústria patina em sua esperada trajetória de recuperação. Se comparado ao desempenho de 2012, quando a indústria demitiu ao menos 50 mil trabalhadores, a previsão para 2013 aponta para uma tímida melhora.

O diretor-adjunto do Departamento Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Walter Sacca, argumenta que apesar da melhora de produtividade no setor manufatureiro, a indústria ainda parece estar longe de retomar sua competitividade.

“O crescimento de produtividade ainda não é suficiente para compensar os problemas de competitividade da indústria”, afirmou Sacca ao comentar os números em entrevista coletiva.

O diretor acredita que o próximo passo é priorizar aumento da competitividade para que a indústria se recupere das fortes perdas ocorridas nos últimos três anos. “Além de outros fatores que esperamos que continuem sendo corrigidos, como juros mais baixos e o equilíbrio cambial”, completou.

Nível de Emprego

O levantamento da Fiesp e do Ciesp apontou ainda, uma variação negativa para o emprego no mês de maio em 0,37%, considerado os efeitos sazonais. A pesquisa revelou que nos últimos 12 meses foram fechados 30,5 mil postos de trabalho, uma queda de 1,14% no mês passado na comparação com maio de 2012.

No acumulado do ano, a indústria paulista criou 64 mil empregos, com uma variação positiva de 2,48%.

Do total de empregos gerados em maio deste ano, o setor de açúcar e álcool foi responsável pela criação de 2.176 vagas, o equivalente a uma taxa praticamente estável de 0,09% na comparação com abril. Já os outros setores da indústria de transformação geraram 1.324 postos de trabalho, ou seja, uma variação, também perto da estabilidade, de 0,05%.

No acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira criou 37.003 vagas. Já os outros segmentos do setor manufatureiro geraram 26.997 novos empregos.

Segundo a pesquisa, no acumulado até maio de 2007 o setor de açúcar e álcool era responsável por 64,7% das contratações. Já no acumulado até maio de 2013, o setor é responsável por 21,2% das contratações.

“O setor continua sendo mais influente nessa época do ano no nível de emprego, mas com um peso que diminui como tempo. Os indícios são de que o processo esta muito próximo do fim no que diz respeito à automação da colheita, principalmente no estado de São Paulo”, explicou Sacca.

Setores e regiões

Das atividades analisadas no levantamento, 12 computaram alta, seis fecharam o mês em queda e quatro ficaram estáveis. O emprego no setor de Fabricação de Coque de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis registrou a maior alta do mês com 2,3%, o que representa a contratação de 1.108 novos empregados. Outro desempenho positivo foi o da indústria de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos, que encerrou o mês com ganhos de 1,6% ao contratar 1.110 trabalhadores em maio.

Já o emprego nas indústrias de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos e de Couros e Fabricação de Artigos de Couro, Artigos de Viagem e Calçados teve perdas no mês de 1,5% e 1,1%, respectivamente. O setor de máquinas e materiais elétricos demitiu 1.613 empregados, enquanto o segmento de artigos de couro fechou 802 postos de trabalho.

A pesquisa da Fiesp e do Ciesp mostrou ainda que das 36 regiões analisadas, 19 apresentaram quadro positivo, nove ficaram negativas e oito regiões encerraram o mês estáveis.

Matão foi a cidade que apresentou a maior alta com taxa de 3,35% em maio, impulsionada por Produtos Alimentícios (6,54%) e Máquinas e Equipamentos (2,65%). A região de São José do Rio Preto registrou ganho de 2,37%, sob influência positiva dos setores de Coque, Petróleo e Biocombustíveis (11,08%), Produtos Alimentícios (4,07%). Santa Bárbara do Oeste subiu 1,43%, influenciado por Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (12,12%) e Produtos Alimentícios (8,88%).

Entre as cidades com desempenho negativo, destaque para Jaú, que computou a queda mais expressiva do mês com 3,43%, abatida pelas perdas em Produtos de Minerais não Metálicos (-15,70%) e Produtos de Metal, Exceto Máquinas e Equipamentos (-12,12%). Indaiatuba fechou o mês com baixa de 2,65%, pressionada pelo desempenho ruim dos setores de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos (-44,56%) e Máquinas e Equipamentos (-2,28%). O emprego em Araçatuba caiu 0,82%, com perdas mais expressivas em Produtos de Minerais não Metálicos (-26,67%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-7,25%).