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Inclusão na tecnologia e educação: tema de painel no segundo dia do Festival de Empreendedorismo da Fiesp

Empreendedor e educadora compartilham suas experiências práticas para trabalhar diversidade e inclusão nos ambientes que atuam

Isabel Cleary, Agência Indusnet Fiesp

A diversidade no local de trabalho se define pela inclusão de todos os indivíduos em uma empresa, independente de sexo, religião, etnia, raça, idade, orientação sexual e aptidão física ou mental. Pesquisas recentes já demonstraram que equipes diversas no ambiente laboral trazem experiências únicas e variedade de habilidades altamente valorizadas hoje. Na área de tecnologia não é diferente. Com contastes mudanças e atualizações, diversas experiências, pensamentos e opiniões podem contribuir para criações inovadoras.

Dada a relevância do tema, o Festival de Empreendedorismo da Fiesp realizou, nesta quarta-feira 11/8, o painel “A Inclusão no mundo da Tecnologia”, com a presença de Gustavo Glasser, CEO e Co-Founder da Carambola.com.vc/, um homem transgênero, que enfrentou muitos obstáculos para se incluir e começar a trabalhar no mercado de tecnologia da informação; e Ivy Sandin, gerente de educação básica do Sesi -SP e especialista em neurociência, psicopedagogia e educação especial, que explicou como as escolas da rede preparam os estudantes para a sociedade e o mercado de trabalho.

Para contextualizar seu interesse pela diversidade na área de tecnologia, Glasser explicou que desde muito jovem trabalhou com inovação, e foi no primeiro emprego que percebeu que, no ambiente onde estava inserido, não havia pessoas com histórias parecidas com a sua, de muitas dificuldades e violência. “As pessoas elogiavam a minha trajetória, mas eu pensava que muitas outras pessoas que tinham histórias como a minha, não estavam naquele ambiente de trabalho. Foi aí que decidi fazer algo diferente, empreendi, fundei a Carambola e passei a contratar profissionais que tinham passado pelo que passei, e com o objetivo de dar uma chance a essas pessoas, com treinamentos e experiência”, contou.

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Gustavo Glasser apresentou os obstáculos para se incluir e começar a trabalhar no mercado de tecnologia da informação

De acordo com o empreendedor, três pontos são muito importantes quando falamos de diversidade nas empresas: “o mercado ganha com isso, diminuímos a desigualdade social, porque inserirmos pessoas que estão fora desse mercado, e conseguimos gerar um modelo que prova que empresas como a Carambola conseguem gerar resultados financeiros fazendo impacto social positivo”, ressaltou.

Ainda segundo Glasser, estamos passando por um momento muito importante na sociedade. Assim como sua empresa teve que se reinventar, o mercado como um todo tem também que se reinventar, e esse é um momento propício para discutir estes assuntos. Exemplo disso é que, segundo o empresário, eventos como esse seriam impensáveis há dois anos, e hoje estamos nos conectando virtualmente com muitas pessoas.

Já Ivy Sandin compartilhou com os participantes do Festival como o Sesi-SP trabalha as questões de diversidade e inclusão nas suas escolas. De acordo com a educadora, a escola é um lugar de sonhos. “Nós, do Sesi-SP, temos essa atuação, fazendo com que alunos e suas famílias tenham as melhores experiências dentro de uma escola que acolhe, reconhece a diversidade, e trabalha para que esses alunos possam sonhar e serem o que quiserem. E, a gente só consegue atingir esse objetivo, garantindo os direitos de aprendizagem”, falou.

Segundo Sandin, para garantir o direito de aprendizagem, o SESI-SP investe em tecnologias assistivas, estruturas prediais completas, formação continuada de professores e melhores materiais, para que realmente os estudantes possam se projetar na cidadania e para a cidadania. No campo da inclusão, a gerente contou que o SESI-SP possui um programa muito robusto e respeitado. “Hoje temos cerca de 5 mil estudantes, que a gente mapeia para que eles tenham um acolhimento quanto à diferenciação de um plano de trabalho e uma sequência didática, na eliminação de barreiras para que o aluno tenha o conhecimento, e para que a escola consiga dar um tratamento coerente a ele na condição que ele possui”, ressaltou.

Outro ponto importante destacado pela educadora é que o SESI-SP conta com uma educação inclusiva, que tem como público pessoas com transtornos, deficiências e altas habilidades. “Mas, para além disso, temos um princípio que é o respeito à diversidade e à diferença, então a escola vem para trazer o que o estudante precisa”, enfatizou.

Para Sandir, é preciso empoderar aluno e família para compreender que para chegar ao mercado de trabalho ele precisa se constituir e entender quais são suas potencialidades e suas fraquezas, qual o nicho de mercado no local que ele está e quais são as possibilidades. “Eu costumo dizer que quando os pais estão assinando o contrato com o Sesi-SP, eles estão assinando um projeto de vida, e a partir desse momento, temos uma responsabilidade compartilhada, com o objetivo de desenvolver o ser. E esse é o sentido da escola, trazer subsídios para que o aluno escolha quem ele quer ser no mercado de trabalho”, falou.

Ao final do evento, a pedagoga contou sobre as estratégias do Sesi-SP para a elaboração de projetos de vida. “Temos muito exemplos que servem de inspiração para os estudantes, como, por exemplo, equipes de robótica e as parcerias que temos no Centro de Atividades (CAT), tanto esportivas quanto sociais. E esses exemplos trazem momentos de inspiração para os nossos alunos no sentido de: se ele consegue eu também consigo, pois, a minha história é igual a sua. Além disso, temos os atletas paralímpicos, que também são inspirações para os alunos”, encerrou.

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