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Importância econômica do esporte e retomada das atividades são temas de reunião on-line

Movimentação gerada pelo futebol chega a 0,72% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB). O que representa, aproximadamente, R$ 52 bilhões, de acordo com diagnóstico auditado pela Ernst & Young

Mariana Soares, Agência Indusnet

A retomada das atividades esportivas neste cenário de pós-pandemia, a realidade econômica atual do país e sua projeção financeira foram os temas da reunião realizada pela Fiesp, na última quarta-feira (15/7). O encontro virtual contou com a participação on-line de especialistas e autoridades das áreas em questão. Foi apresentado um diagnóstico do setor desportivo, com ênfase no futebol, retratado como atividade importante para o Brasil, capaz de gerar dividendos para clubes, atletas e marcas e também um número alto de empregos.

O debate aconteceu durante reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Esporte (Code). A ideia é que, ao se conhecer os meandros da atividade, será possível planejar e se preparar ainda melhor para a retomada necessária.

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Carlos Alberto de Braga Fiuza, do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), tratou do diagnóstico do universo do futebol, que representa 0,72% do PIB

Carlos Alberto de Braga Fiuza, membro do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) e também do Code, apresentou o diagnóstico mais atualizado do universo do futebol. No Brasil, existem 5 mil clubes e 798 estádios cadastrados pelas federações e confederações. Já o número de atletas registrados nos órgãos oficiais chega a 360 mil e, desses, 90 mil integram a categoria dos profissionais. Outro ponto importante é a geração de emprego e renda que o setor acarreta. São cerca de 156 mil pessoas que alicerçam seu sustento em razão do futebol.

De acordo com o levantamento apresentado por Fiuza, tal atividade esportiva representa 0,72% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB). “São, aproximadamente, 52 bilhões de reais gerados em todas as atividades que envolvem o futebol no país”, disse, para depois completar, que o diagnóstico foi auditado pela empresa com sede no Reino Unido, Ernst & Young.

O diretor titular do Code, Mario Eugenio Frugiuele, enfatizou a importância de existirem políticas relacionadas ao estímulo das atividades esportivas com ênfase no apoio aos profissionais que atuem no setor. Para ele, em tempos de pandemia e de necessária retomada, essa realidade se faz ainda mais urgente. “Com esses números, conseguimos provar, por exemplo, que uma importante peça do segmento já gera resultados potentes. Para que os gestores façam o papel deles, que é o de dar ferramentas para o setor se desenvolver em tempos de dificuldade, é preciso conhecer todos os dados e, assim, entender os caminhos a seguir”, ressaltou.

O que será o “novo normal” para o esporte também foi um dos assuntos tratados durante a reunião on-line. As partidas oficiais de futebol serão retomadas em São Paulo a partir do dia 22 de julho, de acordo com o protocolo criado pelo governo do Estado. Os jogos não poderão receber torcedores e só serão realizados em cidades que estão na fase amarela do Plano São Paulo de enfrentamento ao coronavírus. Ou seja, São Paulo, municípios da Região Metropolitana e da Baixada Santista.

Haverá limitação de acesso de profissionais. Ao todo, serão autorizadas 150 pessoas por partida, incluindo atletas, comissões técnicas, corpo médico, equipes de arbitragem, funcionários operacionais, seguranças e jornalistas. O uso de máscaras será obrigatório, com exceção de jogadores e arbitragem durante os jogos.

CENÁRIO ECONÔMICO

Uma vez que a cadeia produtiva do esporte se apresenta como uma peça importante para o desenvolvimento financeiro do país, é relevante que os profissionais à frente do setor conheçam as projeções econômicas em face à pandemia do coronavírus.

Dessa forma, o economista do Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia da Fiesp, Denilson Torcate Lopes, compartilhou com os participantes uma apresentação que listou resultados e tendências cruciais para entender tal cenário.

O desempenho da produção industrial caiu 21,1%, entre os meses de março a maio deste ano. Já as vendas no comércio no mesmo período, reduziram 15,1% e, o volume de serviços, 18,8%. Quando o assunto é a manutenção dos empregos formais, a perda nos três meses foi de 1,5 milhão de vagas. O setor que mais demitiu foi a indústria de transformação. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a elaboração do estudo é da Fiesp.

“Os novos dados que estamos avaliando, de maio a junho, já mostram uma reação da atividade econômica do Brasil. No entanto, a recuperação a partir do 3o trimestre dependerá do impacto econômico da quarentena e das medidas adotadas para minimizar os efeitos da pandemia”, alertou Torcate Lopes. O especialista fez questão de ponderar que, a partir de 2021, o vigor do crescimento estará condicionado à execução da agenda de reformas.