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Importados atingem novo recorde e respondem agora por 22,7% do consumo interno

Resultados mostram que houve ligeira recuperação das exportações, mas principalmente os importados mantêm forte ritmo de inserção no mercado interno

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

Confirmando a tendência observada nos trimestres anteriores – de forte alta das importações e aumento contido das exportações –, o Coeficiente de Importação (CI) da Fiesp, divulgado nesta sexta-feira (19), apresentou alta de 2,0 pp neste 3º trimestre do ano, e saiu de 20,7% para 22,7% na comparação com o trimestre anterior.

Por outro lado, o Coeficiente de Exportação (CE) também cresceu, e atingiu o valor mais próximo do nível observado no pré-crise, com alta de 1,5 pp, chegando a 19,2%. Apesar disso, de acordo a Fiesp, a tendência de descolamento entre os dois índices se aprofundou e a distância no terceiro trimestre de 2010 foi de 3,5 pp.

Se na comparação com o trimestre imediatamente anterior a expansão do CE e do CI foram mais próximas, na comparação com o mesmo trimestre do ano passado observa-se uma disparidade mais relevante, em favor do CI.

Enquanto a parcela exportada em relação à produção cresceu apenas 1 pp – quando no 3º trimestre de 2009 cerca de 18,2% da produção foi exportada, passando para 19,2% neste ano –, as importações sobre o consumo aparente tiveram elevação de 4,6 pp, ou mais de quatro vezes o valor do CE.

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Em relação ao mesmo período de 2009, o índice revela que a alta de 1,0 pp no CE se deu essencialmente devido ao crescimento das exportações, que aumentaram em 13,7%, frente a um incremento de apenas 5,1% da produção industrial.

Crescimento das importações

“Analisando o CI, verifica-se que o aumento de 4,6 pp na participação dos importados no mercado interno teve como responsável a espantosa alta de 41,7% das importações, contra uma alta de 12,9% no consumo aparente”, comparou o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, durante coletiva de imprensa.

“As importações cresceram bem acima do consumo aparente e, em ambas as comparações, a produção industrial brasileira não apresentou ritmo de crescimento tão forte, subindo abaixo do consumo”, ressaltou.

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Nível de atividade

Os dados trimestrais mostram uma alta de 5,1% no nível de produção no 3º trimestre do ano em relação ao período imediatamente anterior.

No entanto, com os dados dessazonalizados (que eliminam o efeito da época do ano), o estudo aponta queda de 0,5% no nível de atividade. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, houve alta de 7,9% na produção industrial, bem menor que as de 18,2% e de 14,3% registradas no 1º e 2º trimestres, respectivamente.

“Mesmo com aumentos na produção, o cenário que se observou até então, em 2010, é de crescimento cada vez menor, por conta da alta dos importados, como mostram os coeficientes”, explicou Giannetti.

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Importados X Nacionais

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o consumo aparente teve um crescimento de 12,9%. Desta fatia que se adicionou ao consumo, o estudo indica que a indústria nacional foi responsável por suprir cerca de 41,6%, com os 58,4% restantes sendo aproveitados pelos importados.

Em “condições normais”, conforme Giannetti, a expectativa é de que este aproveitamento por parte dos importados fosse próximo ao próprio Coeficiente de Importação (22,7%).

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