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História de Superação do maestro João Carlos Martins será contada no Sambódromo de SP

Maestro e jovens da Filarmônica Bachiana do Sesi –SP participam do desfile da Vai-Vai

Viviane Sousa, Agência Indusnet Fiesp

Um dos maiores pianistas brasileiros de todos os tempos, maestro João Carlos Martins, será homenageado no desfile das escolas de Samba de São Paulo este ano. Sua vida e história de superação serão contadas pela Vai-Vai no enredo A música Venceu!. O pianista, de 71 anos, perdeu parte dos movimentos das mãos, mas não abandonou a música e decidiu ser maestro. Há três anos rege a Bachiana Sesi-SP.

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Maestro João Carlos Martins

O projeto, idealizado por ele e patrocinado pelo Sesi-SP, prevê a inclusão social de jovens carentes através da formação musical. A orquestra é formada por trinta jovens que antes participavam de diferentes projetos sociais e vinte músicos profissionais. Além da orquestra, o maestro também é idealizador da Fundação Bachiana Filarmônica, que dá aulas de iniciação à música para 1.165 crianças e jovens carentes.

João Carlos Martins começou a tocar aos 9 anos, teve formação clássica e é reconhecido como um dos maiores intérpretes de Johann Sebastian BachFoi o único pianista no mundo a gravar a obra completa do compositor alemão em teclado. Mas sempre reconheceu a importância da música popular brasileira e seus ritmos.

Prova disso são os arranjos nas apresentações da Bachiana Sesi-SP, que unem o erudito ao popular, música clássica e samba, por exemplo. Hoje, o maestro está envolvido projetos de democratização da música erudita e reconhece a importância da homenagem. A seguir, leia a entrevista.

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Maestro João Carlos Martins rege a Filamônica Bachiana do Sesi-SP e a bateria da Vai-Vai durante o ensaio da escola

Como o senhor se sente ao receber uma homenagem como essa?

João Carlos Martins: Eu me sinto simplesmente como um instrumento. Mas é fantástico, após 80 anos de carnaval, a música clássica estar presente na avenida, sendo representada pela Filarmônica Bachiana Sesi-SP. É uma das orquestras brasileiras que orgulham o Brasil no exterior, como fez quatro vezes lá em Nova Iorque. Eu tenho certeza que pela primeira vez o nome de Johann Sebastian Bach vai estar no sambódromo.

E a ideia de unir o clássico ao erudito, ela deve ser levada pra frente?

JCM: Só pra você ter uma ideia, no ano passado, foram 200 apresentações e só cinco delas foram com a bateria. No momento de uma apresentação dessa eu tenho certeza que você está trazendo um mundo de novas pessoas para esse universo da música clássica. Então para conquistar novos públicos temos que ir de encontro ao povo, e é isso que a Filarmônica Bachiana do Sesi–SP está fazendo. E a gente aprende tanta coisa porque a naturalidade dos músicos da Vai-Vai é fantástica.

Então essa parceria é boa tanto para a música clássica, no caso da Bachiana, quanto para a popular, no caso da Vai-Vai?

JCM: Sem dúvida. Tanto é que no dia 25 de setembro, no Lincoln Center, em Nova Iorque, nós vamos apresentar na primeira parte By Vivaldi e, na segunda parte, a influência dos ritmos africanos no Brasil. É a Filarmônica Bachiana do Sesi-SP em pleno Lincoln Center, com a bateria da Vai-Vai.

E o senhor fica contente?

JCM: Se eu falo muito acabo chorando, então é melhor parar o assunto agora.