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Futuro do crescimento do uso do petróleo em debate no 14º Encontro de Energia

As alternativas de fontes energéticas a serem exploradas no Brasil também foram discutidas em painel na tarde desta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, em São Paulo

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O painel “A Eterna busca pela autossuficiência”, que aconteceu na tarde desta segunda-feira (05/08), durante o 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), debateu a as alternativas de fontes energéticas a serem exploradas no Brasil. O Encontro segue até essa terça-feira (06/08) no Hotel Unique, em São Paulo.

O presidente da World Petroleum Council (WPC), Renato Bertani, abordou as tendências de demandas de energia global. “O consumo de energia no mundo é de 250 milhões de barris por dia e os Estados Unidos são os maiores consumidores, com certa de 25% do consumo, seguido da Arábia Saudita”, disse. “Quando se olha pra o futuro, temos em vista um crescimento de 35% por conta da demanda populacional. Nesse sentindo, nas próximas décadas, os combustíveis fósseis vão predominar, ainda que haja uma pequena mudança neste cenário”.

Bertani: crescimento de 35% da demanda por conta do aumento populacional. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bertani: crescimento de 35% da demanda por conta do aumento populacional. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Segundo ele, no ano 2000, imaginava-se que já tinha chegado o pico de uso do petróleo, com 1,25 trilhão de barril. No entanto, Bertani lembra que chegamos em 2013 e o consumo continua intenso. “As indústrias descobriram novas reservas e devem continuar a se reinventar, apesar dos inúmeros desafios. A tendência de longo prazo é que os preços também subam. Não acredito que o objetivo é perseguir a autossuficiência. Acho que temos condições de nos tornarmos uma potência maior”.

Derivados              

A professora do IEE/USP, Suani Teixeira Coelho, chamou a atenção do público para a implementação de derivados. “Tínhamos uma produção elevada de etanol e, agora com a quebra de safra, a produção vem caindo e o consumo da gasolina aumentando por conta do valor mais baixo. É preciso que o etanol produzido no Brasil não seja exportado”, disse.  “No entanto, o entrave está na falta de competitividade do produto. Como podemos ser mais sustentáveis, com esta realidade?”, questionou.

A professora disse que o problema maior do preço do etanol no País é o ICMS em torno de 25%. A gasolina segue com preço inferior, comparada com o resto do mundo.  “Se pensarmos que temos de melhorar o meio ambiente, este é um gargalo a ser discutido. Precisamos urgentemente de políticas mais adequadas e renumerar as vantagens ambientais e sociais dos biocombustíveis de gordura animal e soja, por exemplo”, enfatizou.

Na mesma esteira, o professor do IE/UFRJ, Marcelo Colomer, trouxe para a discussão as questões chaves na análise da dependência externa. Dentre elas estão: a autossuficiência no mercado de gasolina; a expansão de produção de petróleo; a política de preços dos combustíveis e de misturas; a reestruturação da indústria; a expansão da frota de biocombustível e do Parque de Refino e a reestruturação da indústria sucroalcoleira.

“Temos um gargalo muito grande na indústria e não temos como crescer, se não sair o Refino. Assim, teremos um déficit absurdo no mercado até 2020. É claro que não adianta só expandir o petróleo. Isso não resolverá o problema de autossuficiência dele no Brasil e no mundo”, concluiu.

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