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Futuro da indústria no Brasil depende de mudança de estratégia, diz especialista norte-americano

Professor emérito da Universidade de Columbia e da Universidade da Califórnia, Albert Fishlow, defendeu a produtividade no ‘Fórum Brasil-Estados Unidos’ hoje, na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira tem futuro, mas isso depende de uma estratégia de crescimento que contraria a política de subsídio e incentivos pontuais ao setor. A avaliação é de Albert Fishlow, professor emérito da Universidade de Columbia (em Nova York) e da Universidade da Califórnia.

Autor do livro “O novo Brasil”, país que estuda há mais de 40 anos, o professor acredita ser equivocada a intenção de resgatar a indústria nacional dos anos 1970, sendo mais eficiente, hoje, investir na produtividade industrial com avanços em tecnologia. “O único país que mantém a importância do setor industrial do passado é a Alemanha”, afirmou Fishlow em sua participação no “Fórum Brasil-Estados Unidos”, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na manhã desta quinta-feira (06/06). O debate foi mediado pelo diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Mário Marconini.

Fórum Brasil-Estados Unidos: mais produtividade. Helcio Nagamine/Fiesp

Fórum Brasil-Estados Unidos: debate sobre a produtividade da indústria nacional. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Estados Unidos, Inglaterra, França… a participação do setor industrial começou a baixar nesses países e não me parece relevante a ideia de evitar isso simplesmente dando subsídios, aumentando tarifas e retomando políticas que foram usadas no passado”, explicou.

Segundo o professor, alterar a composição da indústria não significa recuperar uma participação no Produto Interno Bruto (PIB) perto de 28%, marca alcançada no auge do setor manufatureiro nos anos 1980. “O setor industrial precisa aumentar sua produtividade de maneira regular. Isso é a base do crescimento”.

Mais investimentos

Nesse cenário, outro obstáculo à expansão da atividade econômica brasileira é a falta de investimento. “Na China, por exemplo, os investimentos representam uma fatia de 50% do PIB, enquanto a Índia investe quase 40% do PIB e a Coreia do Sul ao menos 30%”, disse o professor.  Ao comparar esses países com o Brasil, no qual os investimentos atingem cerca de 18% do PIB,  Fishlow concluiu que, mantida essa taxa, o país não tem condições de crescer nem mesmo 3% ao ano.

O primeiro painel de debates do “Fórum Brasil-Estados Unidos”  contou ainda com a participação de Paulo Vieira da Cunha, sócio da Tandem Global Partners e ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central. Cunha também fez críticas à falta de investimentos no país. “A produtividade aqui é baixa e falta estratégia para estimular o investimento”, explicou. “Não é apenas apertar o cinto um pouco. Precisamos aumentar a produtividade do investimento brasileiro”, afirmou.