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Fungicida carbendazin trava exportação de suco de laranja brasileiro nos EUA

Governo de lá ainda não respondeu se aceita ou recusa produto parado na aduana americana. Assunto foi abordado hoje durante reunião do Cosag/Fiesp

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Suco Cítrico, Christian Lohbauer, explicou a polêmica envolvendo o fungicida carbendazin e o governo norte-americano, que recentemente bloqueou a entrada do suco de laranja brasileiro concentrado naquele.


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Christian Lohbauer, presidente da Associação Nacional do Exportadores de Suco Cítrico, em reunião do Cosag da Fiesp

A análise foi feita na manhã desta segunda-feira (6), durante a 45ª reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Consea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Violação”. Foi esta a palavra usada pelo governo dos Estados Unidos para bloquear a entrada do suco de laranja brasileiro concentrado em seu território. O culpado é um defensivo agrícola denominado carbendazin, usado para combater a ação de duas doenças típicas de laranjais brasileiros: Pinta Preta e Estrelinha.

Segundo Lohbauer, produtores brasileiros de laranja usam três tipos de fungicidas, em rodízio, para atacar as doenças, entre eles surge o carbendazin. Esta foi a substância encontrada na quantidade de 35 partes por bilhão na carga de suco de laranja concentrado brasileiro, imediatamente retido na aduana norte-americana.

Apesar de os EUA não considerarem o carbendazin prejudicial à saúde humana (sobretudo nessa minúscula quantidade), o país comprador considerou como violação de acordo a presença da substância no suco, banida desde 2009 por entendimento entre as partes.

“Fomos aos EUA e fizemos uma proposta ao governo pela qual nos comprometemos a eliminar 100% do fungicida no nosso suco em 18 meses, e estamos esperando a resposta”, disse. “É possível que eles aceitem ou recusem. Em caso de recusa – o que é mais provável –, teremos de reexportar a carga parada lá para outros países, ou transformar esse suco concentrado em produto final de consumo. Neste caso, a concentração de carbendazin cai para menos de 10 partes por bilhão, nível tolerado pela legislação americana.”

A reexportação é possível, pois no mundo inteiro concentrações bem maiores do que as 35 partes por bilhão identificadas nos EUA são toleradas, inclusive no Brasil.

Por aqui, três empresas dominam o mercado de suco de laranja, com 99% do mercado: Louis Dreyfus, Cutrale e Votorantim (Citrosuco e Citrovita). Desse total, 98% é produzido em São Paulo. Quase toda a produção nacional, que gira em torno de 1,4 milhão de toneladas anuais são exportadas, grande parte para os EUA.