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File volta ao Centro Cultural Fiesp com exposição inédita “Supercriatividade”


Mais de 230 trabalhos, provenientes de 36 países, ocuparão a Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp, um recorte significativo do que existe de mais potente e atual sobre a intersecção da arte com a tecnologia

Agência Indusnet Fiesp

O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica – FILE deste ano vai turbinar a conexão entre arte e tecnologia com múltiplas manifestações estéticas e artísticas. Videoarte, animações, games e instalações interativas, com o emprego da Inteligência Artificial e da realidade aumentada, entre outras tecnologias atuais, serão apresentados sob o tema SUPERCRIATIVIDADE, gratuitamente, entre 13 de julho e 28 de agosto, na Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp (CCF), na Avenida Paulista.

Os curadores e fundadores do FILE, Paula Perissinotto e Ricardo Barreto, entendem que a criatividade nas artes, assim como na ciência, é um dos motores para a superação de obstáculos e a construção de novas realidades. “Quando a arte se encontra fechada na clausura de sua época, é a supercriatividade que produz a fissura que permite a ela adentrar novos universos”, comenta Barreto.

“A poética de cada época tem inspirado as manifestações estéticas”, emenda Perissinotto. “Neste sentido, é fundamental assimilarmos que cada vez mais intensamente estamos presenciando a produção artística ocupar seu lugar em meio a toda a sorte de inventividades digitais”, completa.

Realizado em parceria com o Sesi-SP, desde 2004, o Festival é um evento no qual o público pode interagir e conhecer o que há de mais inovador na união entre arte, ciência e tecnologia.

Receber o FILE em mais uma edição no Centro Cultural Fiesp é reforçar o trabalho do Sesi-SP de formação de público e de democratização cultural, bem como uma oportunidade para abrirmos espaço e interlocução com pessoas que estão antenadas com a tecnologia, mas que também admiram arte e cultura. “É um momento para sairmos de nossa ‘zona de conforto’ e mergulharmos num universo instigante e envolvente, que aguça nossos sentidos e nos faz respirar arte e cultura”, comenta Débora Viana, gerente executiva de cultura do Sesi-SP.

Do conceiro à prática

Toda a expressão da supercriatividade sugerida pelos curadores poderá ser vista em trabalhos de artistas brasileiros e de outras 35 nacionalidades nesta edição do FILE. Entre eles, há pesos-pesados como Augmented Shadow: Inside, do sul-coreano Joon Y Moon. Trata-se de uma experiência impressionante de realidade aumentada que permite a interação com personagens em sombras virtuais de objetos reais tridimensionais, como portas, janelas e cadeiras. Inédita no Brasil, a obra explora uma fronteira real-virtual.

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“LIMINAL”, de Louis-Philippe Rondeau. Imagem: cortesia do artista


Do Canadá, Louis-Philippe Rondeau apresenta LIMINAL, obra capaz de materializar o limite entre o presente e o passado. Ao cruzar uma espécie de portal temporal, o reflexo do visitante é projetado por meio da técnica de slit-scan. Nesta metáfora visual, na qual o passado toma conta do presente, o visitante do FILE perceberá a dilatação do tempo e de seu próprio reflexo.

Os curadores do FILE explicam também que a supercriatividade, inspirada no conceito de superinteligência, é observada ainda na Matemática, na concepção da máquina universal de Alan Turing, na construção de células autônomas de John von Neumann e nos circuitos lógicos eletrônicos de Claude Shannon: “Eles criaram, com muitos outros criativos, as máquinas inteligentes que originaram a Inteligência Artificial”.

É neste campo que Quantum Jungle, do alemão Robin Baumgarten – desenvolvedor de jogos independentes que trabalha com controladores de hardware experimentais e Inteligência Artificial – ganha notoriedade. Conceitos da Física Quântica são exibidos em uma parede com molas de metal sensíveis ao toque e milhares de LEDs. Seu invento calcula a equação de Schrödinger para modelar o movimento de uma partícula quântica e demonstra conceitos como superposição, interferência, dualidade onda-partícula e colapso de forma de onda quântica.

Diversos trabalhos de artistas latinos, da Argentina, Chile, Brasil, Colômbia e México, poderão ser apreciados no FILE deste ano, dentre eles Átopos, de Ricardo Barreto, que é um jogo multidimensional, disruptivo e estratégico que oferece infinitas combinações e possibilidades. Entre as instalações, vale destaque também para o trabalho #L1, after Dan Flavin, da série Mindscapes, concebida pelo uruguaio Fernando Velázquez. #L1 é uma instalação em que um grupo de 16 barras de neón e um conjunto de samples extraídos do YouTube, de autores contemporâneos, são editados por um algoritmo de rede neural primitivo. A sequência de luz intermitente e o discurso desconexo gerados pelo algoritmo operam um estado de consciência particular saturando o aparelho perceptivo, ativando a memória e estimulando o pensamento associativo.

Dos Estados Unidos, será possível conferir Wave Atlas, um mundo aquático fecundo em vida artificial digital que usuários simultaneamente criam e descobrem. Quanto mais pessoas interagem, mais rica e complexa essa ecologia se torna. A obra é assinada pelo Marpi Studio.

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Exp. #2 (conversation), da série SpeculativeAI, do alemão Birk Schmithüsen. Imagem: cortesia do artista


O alemão Birk Schmithüsen exibe Exp. #2 (conversation), da série SpeculativeAI, que consiste em experimentos estéticos projetados para tornar processos de redes neurais artificiais perceptíveis para humanos. Um objeto luminoso esférico é capaz de ouvir sons e criar imagens. Um outro objeto sonoro, um dodecaedro de acrílico preto opaco, é equipado com oito alto-falantes, uma câmera e o segundo sistema de IA. Ele pode ver imagens e emitir sons. Na exposição, os dois sistemas estão em uma constante conversa audiovisual.

Avant Digital Art

No conjunto de instalações exibidas no FILE há uma categoria especial: Avant Digital Art. Nela estão os trabalhos ‘Studio Visit: Stages One, Two, Three, & Final’ e ‘The Zone’, que apresentam estéticas inovadoras. Criado por Sam Rolfes, Studio Visit: Stages One, Two, Three, & Final é um percurso por mundo digital com performance virtual do artista, esmiuçando a captura de movimento, manipulações de realidade virtual e a dramaturgia da performance ao vivo.

Em The Zone, animação artística interativa que toma como ponto de partida a ficção científica Roadside Picnic – de Arcady e Boris Strugatsky –, os jogadores são convidados a explorar o universo junto com os Stalkers (scavengers de Inteligência Artificial que não conseguem mais resistir ao chamado dos objetos) em busca dos Swag – fenômenos, fragmentos de texto e objetos que estão espalhados e ocultos. É uma exploração lúdica de temas como transformação, conexão com o ambiente, integração e ontologia. O projeto é assinado por Xenoangel, formado pela dupla Sam Twidale & Marija Avramovic.

O descritivo de todas as obras da edição do FILE Supercriatividade podem ser encontradas no site do FILE.

File Led Show

O File Led Show contará com inúmeras exibições entre 19h e 6h, todos os dias, enquanto durar o festival. Kaleision, Pulsaris e Spectral Groove são algumas das apresentações de Allison Tanenhaus, dos Estados Unidos. Mas também haverá trabalhos de brasileiros, como Cartometrias Brandas, do Grupo Realidades. A chilena Soledad Cristina Águila Villarga apresenta sua Abstract Symphony. Destaque especial para a Academy of Media Arts Cologne, que contará com projeções de 15 artistas.

Na fachada do edifício da Fiesp, casa do Centro Cultural Fiesp, está instalada a primeira Galeria de Arte Digital a céu aberto da América Latina, composta por 26.241 mil clusters de LED (light emitting diode), que formam uma cadeia elétrica que possibilita a transmissão de até 4,3 bilhões de combinações de cores com baixo consumo elétrico. Essas intervenções visuais permitem a participação do público em geral e se revelam um canal de difusão de arte e tecnologia que integra o cenário da cidade, situando São Paulo entre as metrópoles que associam a cultura e o seu tecido urbano.

Vanguarda como resistência

Desde sua primeira edição, há 22 anos, o FILE posiciona o Brasil em lugar de destaque nos campos da inovação e da criatividade, tanto pela seleção e organização da mostra, como pelo registro e arquivo dos trabalhos apresentados. É reconhecido também pela abordagem irreverente e contemporânea das iniciativas realizadas.

Essa trajetória única conferiu ao Festival, na edição imediatamente anterior ao início da pandemia de Covid-19, em 2018, o reconhecimento internacional pela publicação The Art Newspaper, nas categorias ‘top 20’ e ‘top 10’ de exposição mundial de arte e exposição mundial de arte contemporânea, respectivamente. O FILE fomenta não só o acesso às criações digitais, mas a produção de novas técnicas e experiências tecnológicas.

Em 2022, o Festival conta com obras provenientes dos seguintes países: Alemanha, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Bielorrússia, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grécia, Holanda, Hong Kong, Hungria, Índia, Inglaterra, Irã, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Lituânia, México, Nova Zelândia, Polônia, Portugal, Reino Unido, Rússia, Sérvia, Turquia e Venezuela.

FESTIVAL INTERNACIONAL DE LINGUAGEM ELETRÔNICA – FILE

Período: de 13 de julho a 28 de agosto de 2022

Local: Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp

Endereço: Avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô

Horário:  quarta a domingo, das 10h às 20h

Entrada gratuita. Informações pelo site do Centro Cultural Fiesp

Agendamentos de grupos e escolas: ccfagendamentos@sesisp.org.br

File Led Show: Galeria de Arte Digital do Centro Cultural Fiesp, todos os dias, entre 19h e 6h

Palestra on-line gratuita, em 13/7, às 19h30: Inscreva-se neste link.