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Fifa não pode impor restrições ao plano de segurança do País para Copa, diz Ben Groenewald

Major-general da Polícia da África do Sul fala sobre sua experiência com a Copa 2010 e alerta contra sanções da Fifa em 2014 durante evento na Fiesp

Alice Assunção, Agência Fiesp Indusnet 

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Major-general Ben Groenewald, da Polícia da África do Sul

Para um evento seguro é necessário que o país anfitrião mantenha sua própria legislação, mesmo que exigências de alterações no modelo partam da Fifa, afirmou o major-general Ben Groenewald, da Polícia da África do Sul, que foi alto membro da Comissão de Segurança da Copa do Mundo 2010.

“A Fifa é um comitê muito exigente. Os regulamentos da Fifa não podem obrigar mudanças porque são, na verdade, diretrizes”, disse Groenewald ao participar como palestrante do Congresso de Segurança Brasil São Paulo 2011, nesta segunda-feira (12), na Fiesp.

Ele alertou que o governo e outros setores envolvidos na estratégia de segurança da Copa do Mundo 2014 devem agir contra a imposição de regras por parte da Fifa. “Ouvi dizer que a Fifa está alterando suas normas. É importante que o governo e outros segmentos se aliem para evitar regulamentos que restrinjam ações de segurança.”

Segurança Privada

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General Luiz Guilherme Paul Cruz, 5º subchefe do Estado-Maior do Exército

O general Luiz Guilherme Paul Cruz, 5º subchefe do Estado-Maior do Exército e Force Commander da Missão de Estabilização da ONU na Haiti (Minustah), que também participa do Congresso de Segurança da Fiesp, acrescentou que, para a Copa 2014, é necessária a criação de regras que definam um padrão de treinamento por parte de empresas particulares de segurança.

Em sua experiência com a Copa 2010 na África do Sul, o major-general Ben Groenewald notou despreparo dos agentes de segurança privada.

“Há regras definidas pela instituição que vai liderar o processo de segurança que podem facilitar o treinamento dessas organizações privadas. Pode ser criado o mecanismo que facilita, mas não cabe a eles [instituição] executar esse treinamento, pelo simples fato de que seria algo fora da sua missão final”, disse Paul Cruz.

Planejamento estratégico

O planejamento estratégico de segurança da Copa 2014 deve ser baseado no marco legal do país, no cenário previsto pelas instituições envolvidas no processo e nas ações táticas previstas, afirmou o general Paul Cruz.

Ele usou como exemplo a missão que comandou no Haiti entre abril de 2010 e abril 2011, e conclui: “É impossível resolver questões de paz e estabilidade em um país sem um fortalecimento das estruturas politicas, sociais e econômicas”.