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Políticas de equidade de gênero e liderança feminina na indústria são temas de webinar

Evento on-line contou com apresentação de pesquisa que demonstra maior adoção de políticas formais de promoção da equidade de gênero e boas práticas da indústria 

Clarissa Viana, Agência Indusnet Fiesp 

A Fiesp realizou hoje (15/12), por meio do Comitê de Responsabilidade Social (Cores), em parceria com o Will Women in Leadership in Latin America e a Ipsos, uma das maiores empresas de pesquisa de mercado do mundo, webinar para debater o atual panorama das políticas de equidade de gênero e liderança feminina na indústria paulista e nacional.  

O evento, conduzido por Grácia Fragalá, diretora titular do Comitê (Cores) da Fiesp e do Núcleo de Responsabilidade Social do Ciesp, teve a participação de Silvia Fazio, presidente e fundadora da Will America, Andre Lopes Araujo, CEO da Shell, Lidia Abdalla, CEO do Sabin, e Priscilla Branco, da Ipsos.

A representante de Ipsos, Priscilla Branco, apresentou alguns dos números da pesquisa realizada em 2020: 

  • Aumento, entre os respondentes, nas lideranças formais para a promoção de equidade de gênero, de 56% em 2019 para 68% em 2020. Analisando apenas a indústria, sem considerar o setor de serviços, o índice sobe para 83% das empresas; 
  • Aumento de políticas formais ao invés de ações pontuais, totalizando 53% e 40%, respectivamente, ante 41% e 47% em 2019; 
  • Aumento de 14 pontos percentuais na prioridade do tema de equidade de gênero na agenda dos CEOs; 
  • Aumento de 13 pontos percentuais na divulgação interna de programas de incentivo à liderança feminina; 
  • Queda no número de empresas que não desenvolviam nenhuma ação ligada à liderança feminina, de 30% para 21% das respondentes; 
  • Crescimento de 13 pontos percentuais no número de empresas que monitoram o percurso de carreira das mulheres; 
  • Melhorias em todo o processo seletivo das empresas, considerando a política de equidade de gênero: 76% dos respondentes oferecem meios para garantir a transparência nos critérios utilizados, 69% monitoram a quantidade de mulheres contratadas e 56% têm justificativas formais ou documentadas das decisões tomadas; 
  • 75% das empresas passaram a investir mais em procedimentos formais e claros de aumento salarial, contra apenas 61% em 2019; 
  • 68% das empresas estimularam, em 2020, a criação de grupos internos para reduzir o preconceito, desconstruir estereótipos e combater a discriminação. Em 2019, esse número era de 51% das empresas respondentes. 

    Durante o debate, os CEOs da Shell e do Sabin compartilharam suas vivências na gestão corporativa voltada à promoção de equidade de gênero e diversidade no ambiente empresarial incluindo a média e alta gestão – além de objetivos para o futuro. Apesar de serem indústrias bem diferentes entre si (óleo & gás e saúde), algumas das dores e dificuldades são semelhantes.  A necessidade de educar os colegas masculinos e dar espaço às mulheres foi algo pontuado pelos dois gestores, além da percepção da carga feminina no cuidado da casa e da família – situação evidenciada pela pandemia e pelo cenário de trabalho remoto, conforme pontuou André Araújo, CEO da Shell.  

    De acordo com a CEO do Sabin, a responsabilidade das mulheres vai além em alguns aspectos da rotina. Segundo levantamento da própria empresa, cerca de 85% das mulheres brasileiras são tomadoras de decisão nos cuidados com a saúde de pais, cônjuges, filhos e familiares, o que exige um olhar semelhante da liderança dessas empresas para atender corretamente suas clientes.  

    Segundo Grácia Fragalá, a pandemia mostrou quão frágeis são muitas dessas mulheres, pelo impacto na rotina com as medidas de isolamento e a suspensão de atividades de diversas empresas. “Além da perda de renda e da rede de apoio, vimos também o aumento dos casos de violência doméstica e a dificuldade de seguir as medidas de isolamento e higiene por parte dessas mulheres mais vulneráveis” destacou.  

    Grácia também elencou os benefícios financeiros para as empresas que investem em programas de liderança. “O Banco Mundial apontou que o PIB de países que trabalham para ter empresas e líderes mais diversos pode aumentar em 3% a paridade salarial, o que representa imensa melhora na economia. Falar em liderança feminina também é falar de uma sociedade mais justa, sustentável e fraterna”, pontuou.  

    Convidadas a participar do Webinar e compartilhar algumas de suas boas práticas, a Shell e o Sabin foram premiados no Estudo Will 2020 em seus respectivos segmentos pela atuação e adoção de políticas de promoção da igualdade e inclusão.  

    Para conhecer mais dados da terceira edição da pesquisa “Mulheres na Liderança” acesse www.latamwill.org  

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