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Fiesp, Ministério do Desenvolvimento Regional e ABNT firmam Acordo de Cooperação Técnica

Objetivo é acelerar processos produtivos e reduzir custos e contará com 3 eixos: GT para análise da viabilidade das propostas; criação de canal de comunicação e formação de comissão de estudos especiais na ABNT

Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp

Na última sexta-feira (30/4), foi assinado Acordo de Cooperação Técnica entre a Fiesp, o Ministério do Desenvolvimento Regional (SNH/MDR) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O compromisso foi firmado durante reunião do Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic), da Fiesp, por videoconferência.

O encontro contou com as presenças do secretário Nacional de Habitação, Alfredo Eduardo dos Santos, do presidente da ABNT, Mario William Esper, do secretário nacional do Saneamento, Pedro Maranhão, além de autoridades do setor.

O acordo tem por objetivo encontrar formas de acelerar os processos e reduzir os custos para homologação de materiais, componentes e sistemas construtivos inovadores, no âmbito do Sistema Nacional de Avaliações Técnicas de Produtos Inovadores e Sistemas Convencionais (SiNAT) do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H).

O PBQP-H é um instrumento do governo federal que tem como meta organizar o setor da construção civil em torno da melhoria da qualidade do habitat por meio de avaliação da conformidade de empresas de serviços e obras, melhoria da qualidade de materiais, formação e requalificação de mão de obra, normalização técnica, capacitação de laboratórios, avaliação de tecnologias inovadoras, informação ao consumidor e promoção da comunicação entre os setores envolvidos.

Um dos grandes benefícios do PBQP-H é a estruturação da modernização no setor, não só em medidas ligadas à tecnologia no sentido literal (como desenvolvimento ou compra de tecnologia, inclusão da tecnologia nos processos de produção e execução), mas também em tecnologias voltadas à organização, ligadas a métodos e ferramentas de gestão dos processos da empresa como recursos humanos, suprimentos, qualidade, produção e projetos.

O Acordo de Cooperação Técnica tem três eixos. A composição de um Grupo de Trabalho, envolvendo o Deconcic, da Fiesp, ABNT e com participação da Secretaria Nacional de Habitação (SNH) para avaliação prévia das solicitações de produtos junto ao PBQP-H.

A criação de um canal de comunicação, tanto para os proponentes quanto para equipe técnica da SNH, encaminhará solicitações para avaliação do Deconcic. O passo seguinte será consultar os representantes das entidades que compõem a cadeia produtiva da construção e os técnicos da ABNT.

O terceiro pilar do compromisso é a formação de uma comissão de estudos especiais no âmbito da ABNT, que visa acelerar a normatização de produtos inovadores em fase de homologação do programa PBQP-H.

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Fiesp faz Acordo de Cooperação Técnica com Ministério do Desenvolvimento Regional (SNH/MDR) e a ABNT. O compromisso foi firmado em reunião do Deconcic. Fotos: Ayrton Vignola/Fiesp

Com este acordo, espera-se ampliar o número de documentos de avaliação técnica concedidos no âmbito deste programa, bem como estimular a melhoria dos processos do Sinat, fomentando a industrialização com ganhos de escala na produtividade dos empreendimentos habitacionais.

O secretário Nacional de Habitação, Alfredo Eduardo dos Santos, reforçou a importância da assinatura deste acordo. Ele explicou que, ainda que o PBQP-H tenha o objetivo de fomentar o uso de novas tecnologias, um inovador demanda de um a dois anos para ter regulada a sua criação e os gastos podem chegar a R$ 1 milhão. “O ideal é que a gente tenha uma gama ampla de inovadores. Não deixarmos toda a inovação nas mãos das construtoras. Isso gerará um sistema produtivo melhorado e também o aprimoramento dos materiais”, reforçou.

Quanto mais industrializado o processo de construção, menor o tempo que a empresa construtora ficará sujeita às variações de mercado. “Uma construção convencional, que levaria 24, 28 meses, pode ter seu tempo reduzido, caso sejam instituídos processos industrializados de construção. Em projetos como esse, o consumidor também ganha a partir do momento que recebe uma obra de melhor qualidade, disse Alfredo dos Santos.

Mário William Esper, presidente da ABNT, demonstrou entusiasmo com a ideia e participação da associação no Grupo de Trabalho. “A atuação da ABNT deverá dar celeridade no sentido da normatização dos produtos e serviços. A certificação sempre esteve a reboque da tecnologia. Com esse acordo, ela estará junto com a inovação. Estamos juntos para priorizar este tema tão importante para a indústria da construção,”, comemorou.

O diretor técnico do Senai-SP, Ricardo Terra, reforçou a importância de acreditar no empreendedor tecnológico. “De um lado, temos os drives da indústria. Do outro, os investidores. Temos um ecossistema de inovação robusto para o apoio de construtechs, startups que desenvolvem soluções para o mercado da construção civil que surgiram com o objetivo de modernizar o setor”, completou.

Newton Cavalieri, diretor-titular adjunto do Deconcic, chamou atenção para a relevância de uma das metas do Grupo de Trabalho (GT): garantir aos inovadores um espaço para apresentar as suas propostas, novos negócios. “Nosso comitê irá analisar cada proposta para saber se existe viabilidade comercial e econômica nelas. A ideia é que isso possa ser um pontapé inicial, espaço para que os inovadores se sintam fortalecidos e tenham incentivo para apresentar melhorias ao setor.”, explicou.