imagem google

Fiesp lança o Construbusiness 2010

Para este ano, as áreas de habitação e infraestrutura serão pilares prioritários na formulação de projetos a serem encaminhados aos novos governos

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com mais de 100 entidades ligadas à indústria do setor da construção, lançará, na próxima segunda-feira (29), sugestões para o plano de Estado voltado aos setores de infraestrutura e habitação.

Os levantamentos setoriais foram realizados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela LCA Consultoria e serão apresentados a partir das 9h, durante o Construbusiness 2010 – Brasil 2022: Planejar, Construir, Crescer, que trará perspectivas para os próximos doze anos.

De acordo com os dados, apesar das boas condições macroeconômicas que favorecem o desenvolvimento sustentável, o País ainda carece de algumas condicionantes para dar continuidade ao crescimento econômico.

Ranking

Segundo o diretor do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, José Carlos de Oliveira Lima, apesar de apresentar um menor grau de vulnerabilidade, o País ainda amarga as últimas posições em infraestrutura. Dados do World Economic Forum mostram que, em um ranking de 22 países, o Brasil está na 18ª colocação.

Em rodovias e ferrovias, a eficiência brasileira fica no penúltimo lugar, ao lado da Colômbia. Em portos, o Brasil está na lanterna. O único destaque positivo, em uma comparação internacional, é a qualidade da oferta de energia, onde aparece na 12ª posição.

Para Oliveira Lima, as propostas do Construbusiness podem elevar o ranking brasileiro e colocar o País entre os cinco mais eficientes em infraestrutura, próximo ao Japão e Coréia do Sul.

“Se conseguirmos eliminar os gargalos e criar sinergia entre os atores públicos e privados, teremos condições de calcar posições adequadas ao nível de desenvolvimento brasileiro”, avalia o diretor da Fiesp.

Investimentos

Já em habitação, para se ter uma ideia, o estudo mostra que o Brasil precisará investir, em média, R$ 255 bilhões por ano, até 2022, com a construção de novas moradias e reformas. Este valor seria suficiente para zerar as moradias inadequadas como favelas e cortiços e reduziria o déficit habitacional para 1,5%.

As entidades envolvidas com o Construbusiness querem mostrar que, para ser sustentável, o investimento deve ser gradual. O estudo revela que o volume investido em habitação em 2010 deveria fechar em R$ 186,34 bilhões.

Para os próximos 12 anos, os cálculos das consultorias apontam para um volume médio de mais de R$ 12 bilhões a cada ano. Seguindo essa tendência, o Brasil chegaria em 2022 com um aporte anual de R$ 333,59 bilhões.

Gargalos

Dentre os entraves na habitação, o estudo aponta:

  • Crescimento da demanda por mão de obra maior do que oferta;
  • Elevação do custo de mão de obra;
  • Perfil de crescimento sem grandes aumentos globais de produtividade;
  • Risco de desindustrialização ou desintegração em alguns setores;
  • Energia mais cara para a produção.

Dentro do foco em infraestrutura, os estudos apontam gargalos como:

  • Necessidade de projetos completos com planejamento integrado entre moldais das áreas envolvidas;
  • Insegurança jurídica nos contratos públicos e nos contratos de PPPs;
  • A falta de um tratamento mais uniforme e transparente para os estudos, licenciamentos e gerenciamento;
  • Adequação da Lei de Licitações:
  • Choque de gestão pública – capacitação de pessoal para o volume de demanda;
  • Problemas financeiros e de gestão em empresas estaduais e municipais de saneamento;
  • Indefinições regulatórias nas áreas aeroportuária e portuária.

Histórico

O Construbusiness foi criado em 1997, com periodicidade bienal, passando a anual em 2008. Nos últimos anos ganhou força para mudar situações problemáticas do País.

O Seminário funcionou como alavanca para a elaboração de projetos importantes anunciados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), voltado às obras de infraestrutura, além do Programa Minha Casa, Minha Vida, de habitação.

Por mais de uma década, tradicionalmente, o Construbusiness reúne, por intermédio da Fiesp, mais de 100 entidades do setor de construção com representatividade em âmbito nacional e, ainda, 34 sindicatos ligados ao estado de São Paulo.