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Combate à corrupção: Fiesp e ONG Transparência Internacional vão estudar parceria

Ao receber visita de Cobus de Swardt (diretor da ONG Transparência Internacional), presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sugere a realização de um seminário conjunto no primeiro semestre de 2015

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Paulo Skaf, recebeu na tarde desta quarta-feira (10/12) a visita do sul-africano Cobus de Swardt, diretor da Transparência Internacional, organização não-governamental (ONG) conhecida por seu empenho no combate à corrupção e vem ao Brasil para discutir aspectos ligados ao tema.

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Na foto, ao centro, Paulo Skaf e Cobus de Swardt, com diretores da Fiesp e do Ciesp e assessores da ONG. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


No encontro, Fiesp, Ciesp e a ONG acertaram a continuidade das conversações para estudar uma parceria. O primeiro efeito concreto da reunião, conforme sugeriu Skaf, é a possibilidade de realização de um seminário conjunto no primeiro semestre de 2015. No evento, as organizações convidariam personalidades que possam falar de experiências bem sucedidas  de combate à corrupção em seus países.

“Podemos tentar encontrar uma forma de aproveitar a estrutura que já temos, e trazer informações de outras partes do mundo e tentar ajudar o Brasil nessa área do combate à corrupção”, disse Skaf.

“Eu gosto da ideia”, respondeu positivamente  Swardt.

A ideia, sugeriu Skaf, é se possível realizar o evento ainda no mês de março, com participação de autoridades do Ministério Público e do Poder Judiciário, entre outros poderes.

As tratativas serão conduzidas pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

Desafio

No encontro, que contou com a participação de diretores da Fiesp e do Ciesp, Swardt explicou como se dá a atuação internacional da ONG criada em 1993, na Alemanha, e hoje presente em mais de 100 países contribuindo para a criação de convenções internacionais de combate à corrupção e o julgamento de líderes – governamentais e empresariais – corruptos, bem como apreensões de riquezas obtidas de forma ilícita. A ONG publica anualmente uma lista comparativa de corrupção em todo o mundo.

Swardt falou ainda sobre experiências internacionais de combate à corrupção, e, ao comentar o momento brasileiro, disse que um dos desafios é evitar o que aconteceu na Grã-Bretanha, onde, ressaltou ele, o processo de investigação de um escândalo na British Aerospace causou efeitos negativos para economia como um todo, afetando investimentos estrangeiros.

O diretor da ONG falou ainda que a chamada lei Anticorrupção, sancionada no Brasil em 2013, é uma boa legislação, e que um dos meios para combater a corrupção é reduzir a burocracia. A adoção dos meios eletrônicos de controle, segundo ele, é outra medida importante nessa cruzada. Por fim, ele disse que a ONG –  sustentada principalmente por doações do setor privado, de fundações e do trabalho de voluntários – pretende aumentar sua presença no Brasil.

Paulo Skaf elogiou o trabalho da ONG. “Vocês têm uma experiência em 116 países que nos interessa para que a gente possa selecionar experiências que possamos ajudar o país nesse momento complicado”, disse o presidente da Fiesp, explicando a atuação da entidade e a articulação com o sistema educacional do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

“A Fiesp é uma entidade séria, que defende os interesses do país, que opera desde a defesa da indústria do setor produtivo, do emprego, junto ao governo federal, governos estaduais, municipais, junto ao poder legislativo e judiciário, não com interferência, mas com uma cobrança muito rígida, para que sejam feitas coisas que, a nosso ver, são boas para o país. E, paralelamente, temos um trabalho muito forte na área educacional.”

A reunião contou com diretores da Fiesp como Thomaz Zanotto (titular do Derex) e Cássio Vecchiatti (do Departamento de Competitividade e Tecnologia, Decomtec) e com o vice-presidente do Ciesp, Abdo Hadade, presidente da Comissão de Desburocratização da Fiesp e do Ciesp.