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Fiesp discute aprimoramento da agenda brasileira para a indústria 4.0

Seminário tem a participação de MDIC e ABDI

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ao abrir nesta quinta-feira (24 de maio) seminário para análise da agenda brasileira para a indústria 4.0, o 2º vice-presidente da Fiesp, Ricardo Roriz Coelho, explicou que o objetivo da agenda é chegar à modernização da indústria brasileira, levando ao aumento da inovação, a maior produtividade e a uma indústria mais competitiva.

Roriz destacou a presença constante da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) na Fiesp e a excelente interlocução com o MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços).

Rafael Moreira, assessor do MDIC, lembrou que depois do contorno inicial de tecnologia e inovação dado ao tema da indústria 4.0, percebeu-se que se trata de assunto muito mais de economia. Ele defendeu a reforma tributária, que considera essencial para o setor industrial, responsável por mais de 30% dos impostos arrecadados, apesar de seu peso no PIB ser próximo a 12%.

Há uma grande oportunidade, com o tema sendo pensado pela sociedade e estando presente no programa de governo de candidatos a presidente, destacou.

O seminário teve também a participação de Bruno Jorge, coordenador da indústria 4.0 da ABDI.

Ricardo Terra, diretor técnico do Senai-SP, destacou o desenvolvimento de um demonstrador de indústria 4.0 pela instituição. E na educação já foram criadas duas pós-graduações. Além disso, lembrou, na Fiesp se tenta articular um ecossistema de inovação, com o estímulo a startups, caminhando com elas em toda sua trajetória de desenvolvimento.

“Vamos ter a primeira escola móvel de indústria 4.0, para levar o tema a todo o Estado de São Paulo, e estamos trabalhando numa estratégia para desenvolver ferramenta de educação à distância, para desmistificar a indústria 4.0”, revelou. Isso será seguido pelo lançamento de diversos cursos.

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Seminário na Fiesp em que foi apresentada e discutida a agenda brasileira para a indústria 4.0. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Agenda brasileira

“Recebemos do alfinete ao foguete”, disse Rafael Moreira, assessor do MDIC, sobre as contribuições dadas pelas empresas, destacando as excepcionais sugestões da Fiesp.

A visão da agenda, explicou, é focada em deployment, para que a indústria siga uma jornada de modernização, empregando tecnologia na produção e em outros aspectos, como distribuição.

Está sendo muito rápida a adoção de tecnologias da indústria 4.0, afirmou, e um dos desafios para o Brasil é que ainda é preciso em muitos casos chegar à terceira revolução industrial.

O custo de implantação é cada vez mais baixo, ressaltou. Como tirar proveito disso? Como apoiar a indústria existente e ao mesmo tempo criar a indústria do futuro?

A partir dos desafios identificados, chegou-se a um cenário de redução de custos industriais de R$ 73 bilhões por ano em cálculo conservador.

Frisou a importância da Fiesp e do Senai-SP em divulgação, mobilização, consultoria, capacitação, que é extremamente relevante para este novo mundo. “E para a indústria, crédito, crédito, crédito”, defendeu.

A modernização industrial tem impacto grande inclusive no PIB potencial de longo prazo, e por isso o tema foi incluído na agenda. A opção foi por horizontalizar, em vez de eleger setores.

São dez passos para chegar à indústria 4.0, com medidas de curto prazo. Há uma lógica nos passos, que nem todas as indústrias vão seguir, mas a estratégia serve como framework, afirmou.

No final de junho será anunciado o Hub 4.0, para constituir um projeto para a criação de autoridade. A ideia é que seja possível ver casos de uso e saber seu custo. O governo oferece o ecossistema e o setup, mas o setor privado executa, É um marketplace, para equilibrar oferta e demanda.

Em 2018 será aplicado em 600 empresas o programa Brasil mais produtivo 4.0, para implantação de manufatura enxuta.

Usar startups para apoiar as indústrias no processo de modernização é outra ação. Serão cerca de 100 startups para apoiar 50 empresas.

Em relação à educação, requalificação será palavra de ordem, tornando importantíssimo o trabalho do Senai-SP, que em curto e médio prazo precisará formar mão de obra para a indústria 4.0.

E a agenda inclui reformas legais e infralegais, incluindo novas regras para robôs colaborativos, para acelerar sua adoção, Zona Franca de Manaus e Privacidade e proteção de dados.

Em relação a financiamento, há linhas específicas para indústria 4.0, disse. Houve discussões sobre crédito direcionado e crédito livre, além da análise de fintechs, mas nelas a oferta para pessoas jurídicas é baixo.

Foi zerado o imposto de importação de alguns bens importantes, reduzindo o custo de transação.

Desafios

Na avaliação de Roriz, a velocidade para cumprir a agenda será diretamente proporcional às condições dadas às empresas para investir. É preciso criar condições para o investimento.

Carga tributária sobre a indústria torna difícil sua modernização, disse. Outro desafio está nas taxas de juros, que nos financiamentos não acompanharam a queda da Selic.

Relatou o que viu durante recente viagem aos Estados Unidos. Há uma área muito grande de médias e pequenas empresas conectadas às grandes no setor de petróleo e gás. E os equipamentos todos são interligados. No setor de plásticos também se verifica isso, com máquinas interconectadas. Nos dois setores houve aumento de produtividade, de 20% a 25%, e as empresas continuam inovando no dia a dia. Houve avanços bastante representativos na indústria dos EUA, que hoje está bastante competitiva. O país reduziu de 35% para 23% a tributação das empresas, e a depreciação caiu para um ano.

E há concorrência entre as empresas, além de ter havido aumento do preço do petróleo.

Roriz resumiu pesquisa feita pela Fiesp, ouvindo 227 empresas de diversos setores e portes. Destacou três pontos: os resultados da pesquisa feita para conhecer o estágio da indústria; a comparação das ações de Fiesp, Ciesp e Senai-SP com as de outras entidades; em que medida a Agenda Brasileira da Indústria 4.0 atende à demanda pesquisada.

A pesquisa mostra que 41% das empresas já utilizam ou utilizaram lean manufacturing, passo básico de modernização que, destacou Roriz, em alguns casos pode ser feita sem investimento. Elogiou programa coordenado pelo MDIC que já atendeu 2.977 empresas, com aumento médio de produtividade de 52% no Brasil e de 77% em São Paulo, graças ao Senai-SP. Roriz defendeu ampliação do número de empresas atendidas.

Das empresas entrevistadas, 32% disseram que não tinham ouvido falar de indústria 4.0, e entre as que ouviram há equilíbrio entre as empresas pouco otimistas e muito otimistas em relação a sua implementação em seu setor.

Roriz listou ações da Fiesp para informar as empresas sobre o tema, como o Congresso da Indústria 4.0, criação de hotsite, lançamento de cadernos explicativos, palestras, criação de cursos de pós-graduação no Senai São Caetano.

A Fiesp sugere considerar na capacitação as áreas de desconhecimento reveladas na pesquisa. Também propõe reduzir a complexidade do formulário de auto-avaliação do grau de maturidade da adoção da indústria 4.0.

Em relação ao Hub 4.0 a sugestão é formar consultores para dar escala ao atendimento de empresas por meio de parcerias com Senai-SP, escolas técnicas e universidades.

O levantamento apurou obstáculos à implantação da indústria 4.0, como a falta de recursos (32% das entrevistadas), estratégia (29%), gestão (17%), tecnologia e mão de obra (11% cada).

Em relação aos recursos, não está claro para as empresas qual é o custo-benefício (29%).

Pequenas empresas não veem claramente como será a adaptação à indústria 4.0.

Em tecnologia, há desafios como a integração de dados de diferentes fontes, a complexidade das tecnologias e a infraestrutura deficitária da internet.

Boa notícia trazida pela pesquisa é a expectativa de benefícios, com destaque para a produção (55%).

As empresas esperam do profissional do futuro conhecimento sobre automação (63%) e cibersegurança (61%).

A Fiesp, disse Roriz, considera que em relação à governança se deve buscar a convergência entre as políticas ministeriais que estão no âmbito da indústria 4.0 e que seja feita a articulação com os Estados e suas respectivas agências para que as iniciativas sejam homogêneas no país. E a Fiesp compartilha suas ações com todos os interessados, destacou.