imagem google

Fiesp abre debate sobre combate à pirataria e rastreabilidade de produtos originais

De acordo com diretor titular do Departamento de Segurança da entidade, Ricardo Lerner, “pirataria é como um câncer” e soluções devem ter tamanho do problema

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1606605456

Especialistas debatem o combate à pirataria e rastreabilidade de produtos originais. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Discutir métodos de combate à pirataria, o impacto dessa prática ilegal nos diversos setores da indústria e a rastreabilidade de produtos originais como uma das alternativas para minimizar o problema. Estes são os objetivos principais do seminário “A Ilegalidade e seu Impacto na Competitividade da Indústria Brasileira”, evento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao longo desta quarta-feira (22/10).

Na abertura do seminário, o diretor titular do Departamento de Segurança (Deseg) da entidade, Ricardo Lerner, disse que os prejuízos para empresas e governos, estimados em mais de R$ 30 bilhões, exigem uma solução do mesmo tamanho.

“A pirataria é como um câncer, come pelas bordas, é silenciosa. E, quando menos espera, toma o mercado. E tomando o mercado, os empregos da indústria de transformação acabam e vão para outro país”, afirmou Lerner.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1606605456

Ricardo Lerner abriu o seminário sobre ilegalidade. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“A gente sabe que não vai coibir 100%. Mas tal como está a gente não pode permitir que fique. Temos que resolver esse problema para que os trabalhadores brasileiros, as indústrias brasileiras tenham condições de se posicionar no mercado”, prosseguiu o titular do Departamento de Segurança.

“Esse prejuízo afeta diretamente a competitividade das empresas. E a palavra hoje é competitividade. Nós temos que ter competitividade para estarmos no mercado brasileiro e no mercado internacional.”

“Temos a vontade de sair daqui com o início de uma solução”, concluiu Lerner.

O diretor do Deseg, Ricardo Coelho, disse que o problema é recorrente e que todas as organizações e autoridades lidam com ele de forma permanente, mas com eficácia insuficiente. “É preciso que a gente encontre alguma outra forma de tratar o problema, ou estabelecer alguma coisa parecida com um compliance para garantir que as coisas corretas estejam sendo feitas com a intensidade necessária.”

“Não é aceitável em uma sociedade organizada que uma pessoa compre um produto sem saber se aquele produto é original, é falsificado, é contrabandeado ou se foi roubado. Isso vale para medicamento, vale para peça de automóvel, vale para insumo agrícola. Isso é absolutamente intolerável”, sustentou Coelho.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1606605456

"Isso é absolutamente intolerável”, disse Ricardo Coelho sobre o problema da pirataria. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

“O que não se pode é manter o problema num patamar tão alto que desestrutura segmentos industriais”, acrescentou o diretor do Deseg, lembrando que as empresas são prejudicadas porque seus produtos concorrem com outros que falsificam suas marcas e não pagam tributos, em negócios que não cumprem a legislação trabalhista e muito menos estão sujeitos a fiscalizações.

Depois de exibir uma reportagem do Jornal Nacional (TV Globo) sobre a falsificação de defensivos agrícolas, no interior de São Paulo, Coelho disse que, além de o poder público intensificar a fiscalização nas fronteiras e aumentar a repressão policial, outras soluções podem ser estudadas como, por exemplo, uma parceria da Indústria com a Secretaria de Fazenda de Pernambuco, experiência que será apresentada no evento.

“Eu gostaria muito de pegar meu telefone celular, apertar um código e pegar a história de um produto. Tecnologicamente isso é possível? Sim. Isso seria um problema para o crime? Eu acho que sim.”

Saiba mais sobre os painéis do evento

>> Brasil perde R$ 100 bilhões por ano devido à falsificação de produtos, revela ABCF

>> Economia ilegal do Brasil gera quarto maior PIB da América Latina, calcula presidente da FNCP

>> Delegado da PF explica atuação do Sisvant no combate ao contrabando

>> ‘Produtos piratas ameaçam o emprego na indústria’, afirma diretor financeiro da Dudalina

>> Projeto que torna obrigatório o uso de selos em garrafões de água é tema de debate na Fiesp

>> Para especialista, rastreabilidade sistêmica diminui perdas para indústria e melhora a relação com o consumidor