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Fernanda Jaber acompanha apresentações de “Entre Quatro Pedaços” na Escócia

Revelada em 2009 pelo Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council, autora conferiu a curta temporada de sua peça, adaptada para Four Parts Broken

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Fernanda Jaber, roteirista e cineasta

A roteirista e cineasta Fernanda Jaber acompanhou, a convite do British Council em fevereiro último, a breve temporada do espetáculo de sua autoria Entre Quatro Pedaços, no Reino Unido. A montagem já esteve em cartaz no Teatro do Sesi São Paulo em dezembro de 2009, ano em Fernanda obteve menção honrosa no Prêmio Luso-Brasileiro de Dramaturgia Antônio José da Silva.

O sucesso da peça ganhou adaptação para Four Parts Broken, que fez parte da Latin American Season, uma temporada de apresentações latino-americanas do projeto A play, a pie and a pint (uma peça, uma torta e um chope), realizado pelo National Theater of Scotland nos teatros Oran Mor e Traverse, respectivamente em Glasgow e Edimburgo, na Escócia.

Como Four Parts Broken estava escalada no meio da programação, a autora pode assistir a outros dois espetáculos (argentino e colombiano), que lhe proporcionaram uma visão ampla do projeto internacional.

Fernanda Jaber observou a tradição local, na qual o espectador come uma torta e bebe um “pint” de chope (que equivale a pouco mais de meio litro) no teatro. ”Devíamos levar isso para o Brasil: ‘uma peça, uma pilsen e um pastel’, como disse um amigo”, defende a autora, que diz ter guardado os detalhes da logística escocesa para tentar um patrocínio de um futuro projeto quando voltar para o Brasil. Atualmente ela mora na China, e retrata a experiência de viver do outro lado do mundo em seu blog www.fernandajaber.com.

A seguir, uma rápida entrevista com a autora:

Qual a sua percepção quanto à organização desta temporada teatral latino-americana na Escócia?

As peças foram designadas a diferentes equipes e cumpriram o seguinte itinerário: ensaios e temporada em Glasgow e, finalmente, temporada em Edimburgo. Enquanto Four Parts Broken estava sendo encenada em Glasgow, as produções anteriores, dois textos do argentino Teatro da Identidade, permaneciam em cartaz em Edimburgo. O espetáculo seguinte, adaptação do texto de Esteban Navajas, estava sendo preparado na casa que serve aos ensaios, onde fiquei hospedada. Não apenas pude acompanhar o trabalho dos produtores articulando toda essa operação, como foi muito instrutivo e divertido acordar com atores ensaiando no quarto ao lado e ir dormir com um caixão cenográfico no corredor.

Você conseguiu identificar peculiaridades em relação ao público?

O público em Glasgow é maior e mais diversificado, e a conformação do espaço tornou a experiência sui generis. Lá, as pessoas comem e bebem enquanto assistem ao espetáculo, em mesas labirinticamente arranjadas em torno do palco. Isso fez toda a diferença e proporcionou algo de mágico. Quando a peça começou, ouvíamos ainda as últimas garfadas. Em Edimburgo vivenciamos algo tradicional: os assentos são arranjados em arquibancada, de forma semicircular em torno do palco, e não é permitido entrar com comes e bebes.

E o desempenho dos atores na adaptação de sua peça em “Four Parts Broken”?

O diretor David Betz acreditava que o espaço em Edimburgo beneficiaria o meu texto, mas eu não pude conferir as apresentações de Four Parts Broken ali. O que sei é que fiquei satisfeita com o que vi em Glasgow. Pude acompanhar as conversas entre ele e os atores após cada apresentação e confirmar o grande entendimento do diretor em relação ao texto. O desempenho dos atores, todavia, foi o que mais impressionou, principalmente os intérpretes dos meninos, Connor e Tom. O primeiro estreou como ator agora, num filme sobre delinquentes juvenis, “Neds”, o grande sucesso da temporada por lá. Ele tem apenas 17 anos, roubava a cena completamente e o David ainda achava que ele não estava tão bom quando deveria. Complicada essa vida de ator.

Como o público e a crítica reagiram ao espetáculo?

Quanto ao público, fiquei envergonhada, mas também muito feliz em admitir que não consegui sentar próxima ao palco em nenhuma das apresentações. Mesmo chegando uma hora antes, conseguia lugares apenas razoáveis. No último dia, havia gente de pé. Não sei se isso foi devido às criticas favoráveis na imprensa local ou ao sucesso do filme do Connor nos cinemas. Esse tipo de coisa é melhor a gente não investigar muito. Aceita-se e pronto.