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Falta de projetos atrativos é um dos motivos que dificultam aporte para startups, diz presidente do BNDES

Luciano Coutinho participou do seminário “Construindo Startups de Classe Mundial”na sede da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Luciano Coutinho: terceira versão do Criatec ainda está sendo desenhada. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O sistema de suporte às empresas nascentes no Brasil está amadurecendo de forma promissora e interessante, mas ele ainda tem elos fracos, de acordo com o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Segundo o presidente do banco, falta ao sistema uma estrutura e um perfil “mais dinâmico e eficaz no processo”.

“A restrição não é oferta de dinheiro. Talvez seja a ‘originação’ de empreendimentos atrativos ou a falta de ligação entre esses empreendedores”, explicou Coutinho. Ele participou do seminário “Construindo Startups de Classe Mundial”, realizado na manhã desta segunda-feira (09/12) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), pelo BNDES e pelo Instituto Talento Brasil.

Coutinho informou que a terceira versão do Criatec, fundo de investimentos de capital semente do BNDES destinado à aplicação em empresas emergentes inovadoras, ainda está sendo desenhada. “Mas queremos acelerá-lo porque estamos muito animados com a perspectiva de promoção de empresas nascentes no Brasil.”

O Criatec II, lançado em novembro deste ano, prevê investimentos de R$186 milhões. O primeiro fundo foi lançado em 2007. Segundo o presidente do BNDES, já foram investidos R$100 milhões em projetos de micro e pequenas empresas nos últimos dois anos.

“Essas empresas começaram a mostrar um desempenho muito interessante. Algumas se destacaram de forma muito brilhante. A essência desse tipo de investimento é investir numa carteira de empresas com a expectativa de que algumas delas façam sucesso e outras não , mas o sucesso dessas poucas conseguem remunerar o fundo e conseguimos no Criatec bom resultado”, afirmou Coutinho.


Melhoria no serviço público

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José Ricardo Roriz Coelho sugetiu surgimento de startups para melhorar qualidade dos serviços públicos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Também presente no seminário, o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, elogiou iniciativas do governo federal como o programa Startup Brasil, lançado em novembro, que prevê o investimento de R$ 40 milhões para acelerar 150 startups até 2014.  Mas criticou a qualidade dos serviços públicos prestados e lançou o desafio aos empreendedores do encontro a criar empresas voltadas para melhorar a qualidade desses serviços.

“Muitas startups que vemos são para ajuda a bancos, empresas, instituições”, afirmou Roriz. “Mas o serviço publico brasileiro está muito carente de inciativas em mobilidade urbana, segurança publica, educação, infraestrutura. Empresas voltadas para melhorar isso seriam interessantes”, completou.

Startups mundiais

A programação do seminário incluiu a experiência de empresários no ramo da inovação.

Foi o caso do Rodrigo Borges, sócio e vice-presidente da empresa Buscapé. Borges contou como foi um dos maiores sites de comparação de preços da América Latina foi criado.

“A primeira coisa que a gente fez foi para os varejistas. Três moleques da Poli [Escola Politécnica da Universidade de São Paulo] dizendo ao varejista que iriam colocar o produto dele na internet para comparar com o dos concorrentes, mas ninguém queria passar o preço de produto pelo telefone. Quanto mais mandar o seu banco de dados para colocarmos na internet! A gente achou que a empresa havia acabado e não íamos mais conseguir fazer aquele negócio”, contou.

Borges afirmou ainda que o foco do Buscapé é “dar poder ao consumidor”.

“A gente sempre quis fazer uma mudança da tomada de decisão de dentro do varejo para dentro do Buscapé”, completou.

Além de ouvir exemplos de sucessos, os empreendedores também ouviram dicas de como estruturar sua startup.

Segundo a diretora da Aceleratech, uma aceleradora de startups, Maria Angélica Garcia, “ideias muito boas com equipes ruins têm grandes chances de darem errado, mas ideias ‘ok’ com equipes boas têm muita chance de dar certo”.

Por fim, Maria Angélica observou que as ideias mudam ao longo processo e que uma equipe precisa ser boa o suficiente para “errar rápido e fazer a mudança rápido”.