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Falta de apoio ao etanol foi opção pouco inteligente, analisa pesquisador da Embrapa

Eduardo Assad participou da reunião do Conselho do Agronegócio da Fiesp e falou sobre ações para mitigar os danos do aquecimento global

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A prioridade ao etanol no Brasil, tanto à produção como ao consumo, seria a melhor escolha do governo para garantir a segurança energética do país e reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2). E a falta de apoio a essa matriz foi uma opção pouco inteligente. A análise é do pesquisador da Embrapa, Eduardo Assad.

Ele participou nesta segunda-feira (03/11) da reunião mensal do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Eduardo Assad: “Nós temos que transformar o aquecimento global em desafio à inovação e em oportunidade de mercado”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“Apesar de ser muito mal tratado nesses últimos anos, temos aí uma solução fantástica, com capilaridade enorme e que reduz em nove vezes mais as emissões de CO2 em comparação com a gasolina”, disse Assad.

Nos últimos anos, para evitar impacto inflacionário, o governo praticamente congelou o preço da gasolina em relação às tarifas cobraras no mercado internacional. Essa medida, de acordo com os produtores de etanol, contribuiu para que o setor padecesse ante a redução de demanda no mercado interno.

Segundo o pesquisador, a produção e consumo de etanol precisa ser foco de discussões mais claras sobre o futuro da matriz.

“Não podemos fazer com o etanol o que nós estamos fazendo. Precisamos dar um jeito nisso e não ficar buscando subterfúgios e ajustes contábeis para poder resolver essa questão. E isso precisa ser dito”, completou.

Assad apresentou aos membros do Cosag um panorama dos eventos climáticos extremos vivenciados no Brasil e ações para mitigar os danos do aquecimento global.

“Nós temos que transformar o aquecimento global em desafio à inovação e em oportunidade de mercado. Mas para isso o setor privado tem de atuar fortemente. O setor público fica muito preocupado com marcos regulatórios, e que são muitos confusos, mas as oportunidades surgem no setor privado”, criticou o pesquisador.

Segundo Assad, o principal problema climático é o fracasso do Brasil – e do mundo – em reduzir as emissões de CO2.

“Se não conseguirmos baixar as emissões de CO2 vamos chegar aos dois graus [de aquecimento do planeta] mais rápido do que estamos pensando. Os Estados Unidos têm feito muito esforço com mudança na frota de veículos, por exemplo. O Brasil também tem feito esforço grande com a redução do desmatamento. Porém, essas emissões não estão baixando”, alertou Assad.

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Assad defendeu a inserção mais significativa de agropecuaristas no mercado de créditos de carbono. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp.

Boi e mercado de carbono

O pesquisador da Embrapa defendeu a inserção mais significativa de agropecuaristas no mercado de créditos de carbono. Essa medida, segundo ele, representa uma oportunidade, que tanto pode mostrar uma atividade limpa como render pagamentos pela redução de emissão de CO2.

“Há saldo positivo quando você põe o boi em cima de um pasto bom. Estamos fazendo um esforço tremendo para mudar [os critérios do cálculo de emissão de CO2], mas isso exige negociação internacional. A tendência é mostrar que pasto bom não emite. Dos 180 milhões de hectares de pasto, 60 milhões estão degradados e os outros não estão. Então, há uma compensação clara aí”, avaliou o pesquisador.

Ele acredita que atenções voltadas para a emissão de CO2 na agropecuária são positivas para identificar novas oportunidades de mercado.

“São milhões de toneladas de CO2 equivalentes que podemos negociar numa futura bolsa de carbono. No próximo ano em Paris, quando for discutido um novo acordo de redução, esse mercado vai voltar à tona porque não estamos baixando as emissões”, reiterou.


Novidades no Deagro/Fiesp

A reunião do Cosag foi conduzida pelo presidente do conselho, João de Almeida Sampaio Filho.

Na ocasião, o diretor do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, e vice-presidente do conselho, Benedito da Silva Ferreira, anunciou a criação de uma nova divisão no Deagro, direcionada para o cultivo de castanhas e nozes. Ela será dirigida por José Eduardo Mendes de Camargo, também membro do conselho.