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Evento apresenta soluções tecnológicas para aquicultura

Fiesp sediou o 3º Encontro Noruega-Brasil de Aquicultura, que debateu formas de colocar em prática acordos de cooperação internacional. A Noruega é uma gigante na aquicultura, sendo o país que mais produz salmão no mundo

Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp

A produção de peixes no Brasil cresceu 4,5% em 2018, totalizando 722 mil toneladas e uma movimentação financeira de R$ 5,6 bilhões, de acordo com dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe Br). O carro-chefe da produção nacional é a tilápia, que registrou um incremento de 11,9%, saindo de 357,6 mil toneladas em 2017 para 400 mil no ano passado. A fim de apresentar soluções tecnológicas para o setor e dar os passos para que sejam pactuados acordos internacionais de cooperação, a Fiesp sediou o 3º Encontro Noruega-Brasil de Aquicultura. A iniciativa foi da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e da Innovation Norway.

A aquicultura é baseada no cultivo de organismos aquáticos geralmente em um espaço confinado e controlado. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a aquicultura é a mais rápida das atividades agropecuárias em termos de resultados produtivos e uma das poucas capazes de responder com folga ao crescimento populacional, o que pode contribuir para o combate à fome em todo o mundo.

Durante o encontro, o embaixador da Noruega, Nils Martin Gunneng, afirmou que, ao longo dos anos, as empresas norueguesas que atuam na área da aquicultura investiram 25 bilhões de dólares no Brasil em 84 pontos de negócios existentes. Movimento este que gerou 600 mil empregos. “O oceano é uma indústria que gera desenvolvimento, emprego e alimentação saudável. O mercado aquicultor é impulsionado pelo consumo, por um consumidor que está cada vez mais preocupado com a sustentabilidade. Para se tornar sustentável, as empresas daqui precisam investir em tecnologias. Com isso, o Brasil será um player cada vez mais forte”, pontuou.

O Diretor da Innovation Norway South America, Håkon Ward, afirmou que para desenvolver o setor é importante a união da indústria, dos pesquisadores e do governo. E complementou que o know how norueguês pode incrementar o desenvolvimento sustentável da produção pesqueira nacional. “Buscando parcerias internacionais, o Brasil tem ainda mais mecanismos para criar soluções que transformem a aquicultura em uma prática 100% sustentável”, completou.

O presidente executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros, falou sobre o melhoramento genético e os avanços tecnológicos na área de ração para a aquicultura. “O agronegócio no Brasil, que envolve a aquicultura, se sustenta por tecnologia e escala. Os avanços permitem, por exemplo, que o pequeno produtor do interior do Paraná atue com competitividade”, disse.

“A Noruega é o benchmarking global”, disse o diretor titular do departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Roberto Ignacio Betancourt, para depois enfatizar que o país nórdico é o que tem a melhor aquicultura do mundo, ostentando a mais expressiva produção de salmão do globo. “Eles têm a produção mais sustentável, trabalham com menos antibióticos, insumos, o que resulta em uma carne considerada de melhor qualidade. É importante termos a oportunidade de trabalhar em conjunto com eles, é um avanço para a nossa indústria”, completou.

Roberto Kikuo Imai, que é diretor titular adjunto do Deagro, citou que um dos principais resultados do 3º Encontro Noruega-Brasil de Aquicultura, que reuniu representantes do governo brasileiro e finlandês e profissionais do mercado, foi a possibilidade de conhecer cases noruegueses de inovação, aproveitamento e automação. “Outro benefício para a nossa indústria foi a presença das agências de fomento norueguesas. Um encontro como este é bastante saudável para a cadeia produtiva do Brasil”, analisou.

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De acordo com o embaixador da Noruega, Nils Martin Gunneng, empresas norueguesas investiram bilhões de dólares no Brasil, ao longo de vários anos, e geraram 600 mil empregos. Foto: Karim Kahn/Fiesp