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Estudo do Banco Mundial aponta uso do solo como maior emissor de GEE, no Brasil

Relatório apresentado na Fiesp traça perspectivas para redução até 2030

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento da agricultura e da pecuária, no Brasil, pode ocorrer sem desmatamento se forem liberadas áreas de pastagens, de acordo com sugestão de Christophe de Gouvello, do Banco Mundial.

O especialista participou da divulgação do Estudo de Baixo Carbono 2010 para o Brasil, na sede Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (10). Apesar de o Brasil ter uma das matrizes mais limpas do mundo, Gouvello indicou a substituição do uso de combustíveis fósseis pela energia renovável.

O estudo traça cenários para o desenvolvimento sustentável até 2030, minimizando a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e detectando oportunidades. Foram estudadas quatro áreas principais com potencial para uma economia de baixo carbono:

  • Uso da terra e mudança no uso da terra e florestas;
  • Sistemas de transporte;
  • Produção e uso de energia, incluindo eletricidade e petróleo e gás;
  • Resíduos urbanos, tanto sólidos quanto líquidos.

Agronegócio

“A grande oferta de terras disponíveis, em décadas passadas, teria construído o histórico de sustentação do crescimento da economia brasileira a partir da agricultura e da pecuária”, avaliou o especialista.

Segundo o documento, esses dois setores respondem por uma média de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, nos últimos dez anos. A consequência seria uma agricultura tradicional com baixa produtividade.

A principal fonte de emissões de GEE atualmente seria proveniente do uso da terra. Para reverter o fato, o representante do Banco Mundial aconselha investimentos com incentivos em função do seu custo social e dos juros altos.

Um dos motivos para a realização do estudo foi o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), lançado em 2008 pelo governo federal, ao determinar redução de 70% no desmatamento até 2017.

Em 2009, foi aprovada a Lei nº 12.187, que institui a Política Nacional de Mudanças Climáticas, um conjunto de metas de redução de GEE, entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas até 2020.

Também participaram do debate Mario Hirose, do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, e Maurício Henrique Junior, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT).