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‘Estamos no caminho, mas falta muito para Brasil recuperar competitividade’, diz Skaf

Em entrevista à Jovem Pan, presidente da Fiesp e Ciesp diz que cortes nas tarifas de energia elétrica anunciados pelo governo são uma vitória das entidades

Agência Indusnet Fiesp

Ainda há muito a ser feito para que o Brasil recupere sua competitividade, afirmou o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), Paulo Skaf, na manhã desta quarta-feira (12/09), em entrevista ao Jornal da Manhã, na rádio Jovem Pan.

Skaf lembrou que algumas das medidas e decisões tomadas este ano só passam a vigorar no início de 2013 – a redução das tarifas de energia, anunciada ontem (11/09), e o fim dos incentivos fiscais a produtos importados via aprovação da Resolução 72 que deu fim à Guerra dos Portos, decisão tomada no final de abril pelo Senado Federal.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp. Foto: Junior Ruiz

Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp: “O país não terá taxas de 3% ou 4% de crescimento se a indústria não crescer”. Foto: Junior Ruiz

O presidente da Fiesp e do Ciesp  listou outras condições para que caia o custo de produção no país: a efetivação do programa de concessões de ferrovias e rodovias, a redução dos spreads bancários e a isonomia cambial com outros países. Propôs, ainda, o alongamento do prazo de pagamento de impostos como medida que atenderia de modo linear a todos os setores produtivos.

“Essas coisas precisam acontecer de fato, na vida real, para que haja uma recuperação da competitividade do país. A partir daí, produzir no Brasil passa a ser mais competitivo”, disse Skaf, ressaltando que nenhuma das medidas tomadas pelo governo federal será capaz de reverter os números negativos da atividade industrial ainda em 2012. ”Estamos no caminho, mas muita coisa ainda falta para recuperar competitividade”, sustentou.

Crescimento da economia

O presidente da Fiesp e do Ciesp afirmou que a falta de crescimento da economia tem relação com a falta de crescimento da indústria. “O país não terá taxas de 3% ou 4% de crescimento se a indústria não crescer”, alertou.

“Na verdade, há um problema que não é da indústria, porque as empresas brasileiras fizeram sua lição de casa: são modernas, têm tecnologia, inovação, mão de obra treinada, mercado, marcas e qualidade.”

Skaf enumerou fatores que afetaram – e ainda afetam – a competitividade do país. “Juros absurdos, altíssima carga tributária, logística caríssima devido à falta de investimentos na infraestrutura, falta de educação de qualidade, preço alto do gás… Tudo isso é uma luta nossa para recuperar a competitividade do país.”

Na análise de Skaf, a rápida recuperação da atividade industrial só será possível com o imediato alargamento dos prazos de cobrança dos impostos. “Isso seria uma medida democrática e linear. Hoje a indústria financia em 50 dias os governos. Os setores produtivos pagam seus impostos estaduais e federais 50 dias antes do que recebem dos seus clientes. Além da alta carga tributária, ainda pagam antecipadamente”, pontuou.

Energia a preço justo

Durante a entrevista, Paulo Skaf lembrou a luta da Fiesp pela redução das tarifas de energia elétrica e elogiou os cortes anunciados na terça-feira (11/09) pela presidente Dilma Rousseff. “Há mais de um ano a Fiesp lançou a campanha ‘Energia a Preço Justo’, e durante esses meses todos nós tivemos muitas ações em Brasília, entramos no TCU [Tribunal de Contas da União], participamos de audiências públicas no Senado, objetivando baixar o preço da conta de luz de todos.”

O presidente da Fiesp e do Ciesp ressaltou que a iniciativa ‘Energia a Preço Justo’, lançada pelas entidades em 2011, foi abrangente. “A campanha não foi só para a indústria, foi para todos os brasileiros. Conseguimos uma vitória”, afirmou, alertando que o próximo passo será estudar os detalhes do pacote do governo.

Além disso, Skaf disse ser favorável à revisão dos contratos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), prevista para os próximos seis meses. “Esperamos que essa revisão aconteça, mesmo porque eu não vejo razão para não abaixar mais ainda para os residentes e para os pequenos negócios. Mas, de qualquer forma, foi um passo importante o que aconteceu”, explicou.

Ouça entrevista na íntegra