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‘Estamos entrando num ciclo de alta’, diz secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda em seminário na Fiesp

Carlos Hamilton Vasconcelos de Araújo foi um dos convidados do debate sobre o crescimento econômico no evento “Perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos”, realizado nesta segunda-feira (19/09)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Em painel sobre o crescimento econômico que fechou os trabalhos da manhã do seminário “Perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos”, na sede da Fiesp, em São Paulo, nesta segunda-feira (19/09), foi destacado o desafio de resolver a questão a curto prazo.

Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Carlos Hamilton Vasconcelos de Araújo lembrou que nós tivemos, nos últimos anos, uma política econômica que buscava alcançar um crescimento acima da capacidade que a economia tinha de prover. “O governo precisa conter o crescimento insustentável da despesa pública”, afirmou.

Segundo ele, a economia já está pronta para começar a crescer agora no segundo semestre de 2016. “Estamos entrando num ciclo de alta”.

Outro convidado do debate, o sócio da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros, também acredita na recuperação da confiança e no fim da queda do PIB. “A dúvida é como fazer esse crescimento ser um pouco maior, ser sustentável”, afirmou.

Para Barros, a agenda fiscal tem que seguir o lema que prevê “poucas e boas” ações. “O governo finalmente fincou o pé em relação a algumas coisas, como o reajuste dos funcionários públicos, por exemplo”.

Outra ação, “que está atrasada, mas ainda pode acontecer”, é baixar as taxas de juros. “Não faz sentido não baixar”, disse.

Decisão do Supremo dando a prevalência do negociado pode ser determinante para a reforma trabalhista. “Toda caminhada começa com um primeiro passo”, afirmou.

O mesmo valeria, segundo Barros, para o estabelecimento de uma idade mínima para a aposentadoria, o que seria importante para a reforma da previdência.

Outra possibilidade apontada pelo economista envolve a Retomada de investimento em petróleo e energia elétrica. “A Petrobras, mesmo sabendo que será menor daqui por diante, está definindo prioridades e vai investir no pré-sal”, disse.

Por tudo isso, para Barros, o PIB pode chegar a crescer até 2% em 2017.

Sem fim

Ex-secretário da Fazendo do Estado de São Paulo durante o governo Mário Covas e diretor da FGV-EESP, Yoshiaki Nakano disse que todo o esforço de gestão é importante. E citou ações como a centralização das compras e a fiscalização e análise dos processos. “O espaço para o corte de gastos é praticamente sem fim”.

Convidado por Mário Covas a fazer uma análise de gestão na pasta da Saúde antes de deixar o governo, Nakano fez um estudo comparativo a partir dos sistemas de gestão adotados pelo Hospital Albert Einstein e pela rede de laboratórios Fleury. “Só fazendo o acompanhamento do uso de medicamentos com um sistema de código de barras, avaliando o real uso desses, a economia já era de 30% nos gastos com a compra de remédios”, explicou. “O sistema público brasileiro precisa de mudanças”.

Segundo Nakano, com os juros altos e o investimento produtivo baixo, quem quer investir vai pensar duas vezes. “Está tudo montado para premiar os especuladores financeiros”, disse. “Precisamos mudar a política macroeconômica em seu conjunto”.

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O painel sobre o crescimento econômico brasileiro: foco na redução das taxas de juros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp