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Agronegócio da Fiesp debate aumento da produtividade: nos próximos 10 anos, Brasil responderá por 41% da produção de alimentos

Especialistas defendem aumento de produtividade do agronegócio e criação de política estratégica para o setor. Debate aconteceu durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp

Cristina Carvalho, Agência Indusnet Fiesp

Durante a reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp desta terça-feira (12/3), especialistas defendem aumento de produtividade do agronegócio e criação de política estratégica para o setor.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, também presente à reunião, falou sobre a necessidade de estímulo à produção. “Apenas medidas econômicas não resolvem a economia. Senão houver produção e desenvolvimento, esse conserto é falho. Nos últimos 500 anos, faltou ao país conhecimento e desenvolvimento tecnológico”.

Para Paolinelli, o milho brasileiro é apontado como um dos principais grãos a ganhar espaço no mercado internacional. Um estudo da Abramilho, comentado por Paolinelli, aponta que os países não têm mais área para produzir esse grão enquanto que a demanda deve ultrapassar 350 milhões de toneladas até 2050. “O Brasil é o país que pode atender essa demanda. Podemos chegar a essa produção sem abrir uma nova área sequer. Temos muito a crescer em produtividade, temos já tecnologias inovadoras como a integração entre lavoura, pecuária e florestas capaz de recuperar econômica e ecologicamente as nossas pastagens degradadas,” disse.

Já Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira da Proteína Animal (ABPA), apresentou dados sobre a demanda de proteína animal mundial até 2050. “Para os próximos 10 anos, 41% da produção de alimentos sairá do Brasil, enquanto que a necessidade de proteína animal disponível no mundo deve ser de 455 milhões de toneladas. Desse total demandado, no mínimo, 30% sairá também do Brasil”, contou.

Além disso, Turra conta que a demanda da China por consumo de frango tem aumentado. “Diante desse cenário, o Brasil tem certeza que investir em produção vale a pena, lembrando que os Estados Unidos é o segundo maior produtor mundial de aves”.

Luiz Roberto Maldonado Barcelos, da Abrafrutas, lembrou que o Brasil é o 3º maior produtor de frutas do mundo, indicando que há espaço para que essa posição seja ultrapassada.

Em sua intervenção, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), alertou para a redução da produção de cana de açúcar, que caiu 10 milhões de toneladas, número que produz a Tailândia.

O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), que integrou os debates, enfatizou a necessidade de ações e políticas estratégicas para o setor do agronegócio. “O governo faz o discurso do enxugamento dos subsídios. Precisamos ver como vamos discutir a questão dos juros agrícolas versus juros livres. E por isso precisamos ter a nossa política e uma estratégia de transição”, disse. E acrescentou que “é preciso também alternativas de financiamento, com processo de uma política de seguros mais robusta “que com o tempo significa uma eficaz medida para reduzir o spread do setor. Essas questões serão muito desafiadoras para nós”, concluiu.

A reunião do Cosag foi presidida por Jacyr Costa Filho.

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Reunião do Cosag, presidida por Jacyr Costa Filho. Foto Ayrton Vignola/Fiesp