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Especialistas debatem eficiência na gestão de saúde corporativa

Seminário Eficiência na Gestão de Saúde Corporativa apresentou cases de empresas e teve a participação do diretor presidente da ANS, Leandro Fonseca

Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

O engajamento dos executivos na gestão de saúde populacional foi ponto consensual para os participantes do Seminário Eficiência na Gestão de Saúde Corporativa, realizado na quinta-feira (7/11) no Salão Nobre da Fiesp.

O diretor titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da Fiesp (ComSaude), Ruy Baumer, disse que a ideia do tema surgiu de uma provocação do médico Leandro Fonseca, em 2017. “Na ocasião ele afirmou que a indústria tinha de diminuir seus gastos. Isso foi um alerta para nós. Conversamos com empresas e entidades que estavam trabalhando nessa questão e encontramos muitas experiências interessantes. Ele está aqui conosco, hoje, para participar deste momento em que vamos conhecer práticas bem-sucedidas”, lembrou.

A diretora adjunta do ComSaude, Claudia Cohn, destacou a importância de não se olhar apenas para as contas e reclamar. “O desafio para as empresas não é mudar o tipo de conta a ser paga no fim do mês, mas trazer saúde para seus colaboradores e, assim, diminuir os sinistros e os custos com os serviços de saúde. Isso leva tempo. Não se resolve da noite para o dia. E procrastinar a tomada de decisões pode tornar a conta ainda mais cara. E a atitude precisa nascer da liderança e contagiar todos na empresa”, defendeu.

Quando teve a palavra, Leandro Fonseca, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), reiterou as palavras de Claudia, ao dizer que a mudança de cenário só ocorrerá se houver engajamento do executivo da empresa. “Essa deve ser uma prioridade do corpo diretivo, que precisa acompanhar o desenvolvimento da empresa, sua produtividade, saber como está a sua força de trabalho. Isso não pode estar fora do radar. E não basta mudar de operadoras, se não houver gestão de saúde populacional”, segundo Fonseca.

Ao citar Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia, Fonseca afirmou que produtividade não é tudo, mas no longo prazo é quase tudo. “De fato, vemos que ainda patinamos no campo da economia, o país ainda não se recuperou. Mas a produtividade é a palavra-chave para retomar a trajetória de crescimento sustentável, tanto do ponto de vista econômico como também social. A renda está em recuperação e o Brasil precisa encontrar o rumo em termos de produtividade de diversos setores econômicos”, acrescentou. Ele também destacou a importância do setor de saúde e afirmou que esse segmento tem o poder de ser um dos motores da retomada do crescimento, porque contribui para a produtividade dos demais setores.

Custos com a saúde 

O crescimento dos custos com saúde foi outro tema amplamente debatido pelos participantes. De acordo com o diretor da ANS, as despesas com planos de saúde comprometem, em média, 15% em relação à folha de pagamentos. “Não dá para fazer gestão de pessoas sem fazer gestão de saúde, o que por sua vez não pode ser feito apenas olhando a conta no final do mês. Para ter produtividade é necessário ter força de trabalho ativa e saudável, o que também vai gerar um custo, mas com mais ganhos no longo prazo”, afirmou Fonseca.

Segundo o superintendente da Central Nacional Unimed (CNU), Rodrigo Guerra, a elevação dos custos com os serviços de saúde, que crescem mais do que a inflação, é um fenômeno global e uma tendência: “Como as pessoas estão vivendo mais, o custo para manutenção da saúde tende a aumentar também”.

A solução apontada por Guerra para racionalizar os gastos com saúde passa pela redução de desperdícios: “Um exemplo prático é o fato de que algumas pessoas não buscam resultados de exames de imagem. Esse percentual chega a 8% em algumas operadoras. Isso é um desperdício que pode ser evitado, e esse é um gasto pago pela empresa”.

Ele ainda defende a atenção primária em saúde e com medicina preventiva, que tem menor custo e pode ser feita no momento de maior qualidade de vida. “A melhor forma de enfrentar os custos futuros com saúde é promover a saúde no presente, investir em bem-estar e em prevenção”, acrescentou.

A saúde como diferencial

Cuidar de quem cuida é um bom começo. Com essa afirmação, o diretor de Relações com o Mercado do Hospital Sírio-Libanês, Paulo Ishibashi, resumiu algumas das iniciativas da entidade. “Cuidamos de nossos próprios colaboradores, desde janeiro de 2016, com mais de 14 mil vidas, e esse foi o primeiro passo. É importante fazer a lição de casa e cuidar da saúde de maneira integrada”, afirmou, e reconheceu, contudo, que a integração das informações ainda é um desafio a ser superado, mas que não pode ser deixado para trás por ser um fator que permitirá mais avanços na eficiência dos serviços prestados.

O diretor geral da Dasa, Carlos de Barros, afirmou que dentro de empresas a gestão de saúde vem evoluindo significativamente. “Lá atrás se falava em oferecer um plano de saúde qualquer, apenas para oferecer um benefício que segure os colaboradores na empresa. Já passamos desse estágio. Os gestores devem melhorar o que é servido a eles e isto implica em melhorar a produtividade e reduzir o absenteísmo. No fim das contas, isso resulta em melhora para a sociedade”, defendeu.

O seguro de saúde é, para muitos colaboradores, mais importante do que o salário, disse Rodrigo Guerra, pela capacidade que o benefício tem de gerar engajamento do funcionário. “A empresa competitiva precisa atrair seu colaborador por meio de um serviço de saúde com valor. E a empresa precisa acompanhar isso de perto”, aconselhou.

Força das empresas

Ao explicar porque provocou a casa da indústria para essa questão, o médico Leandro Fonseca disse que as empresas têm grande poder em suas mãos, pois são elas que demandam e contratam os serviços de saúde, tendo assim a capacidade de modelar e orientar a qualidade que deve ser oferecida pelos operadores desse segmento.

“Os serviços de saúde são fragmentados e as pessoas buscam tratamentos de forma descoordenada, cada um pensando no seu procedimento, o médico, na consulta, o hospital, na internação, a indústria farmacêutica, no remédio, e ninguém acaba pensando na solução necessária, no resultado necessário para termos um sistema que entregue mais valor para o cliente a um custo suportável”, finalizou Fonseca.

Os debates entre os participantes foi conduzido por Adriano Londres, sócio da Arquitetos da Saúde. Ao final do seminário, o diretor adjunto do ComSaude e coordenador do grupo de trabalho de Saúde Corporativa, Eduardo Santana, disse que no próximo ano haverá outras ações semelhantes. “Esse tema se tornou definitivo na Fiesp, e haverá eventos específicos para Pequenas e Médias Empresas, e também um Ideathon”, disse, na conclusão do evento.

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Eficiência na gestão de saúde corporativa esteve em pauta em evento do Comsaude. Saúde é compreendida como fator de valor para colaboradores e essencial para manter uma força de trabalho saudável e com qualidade de vida. Foto: Karim Kahn/Fiesp