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Entrevista: Carlos Bauzys e a missão de formar atores completos

Coordenador de música do Curso de Formação em Teatro Musical do Sesi-SP, maestro Carlos Bauzys destaca o padrão de excelência oferecido no projeto

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Após uma rigorosa seleção com mais de 800 candidatos, 64 artistas ingressaram, em março de 2014, no Curso de Formação em Teatro Musical do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), o primeiro do gênero no país. No início de março, começaram as aulas, os exercícios, os trabalhos em grupo, os acertos e erros. Ao final da jornada de três anos de estudos e práticas, o ator em musical formado pelo Sesi-SP pode se considerar completo, inclusive com noções de piano, garante o coordenador de música do projeto, o maestro Carlos Bauzys.

Para ele, o aluno pode, inclusive, superar os colegas de profissão que já estão no mercado, mesmo tendo essas pessoas, segundo ele, “excelência no que fazem”. Isso porque a formação planejada e proposta pelos professores e idealizadores do projeto garantem uma infraestrutura pouco vista no Brasil.

Bauzys: excelência na formação dos alunos no curso do Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Bauzys: excelência na formação dos alunos no curso do Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Na entrevista a seguir, o maestro fala sobre os maiores desafios a serem vivenciados pelos alunos e sobre como foi a montagem do curso.

Que tipo de técnicas e conceitos o aluno vai aprender nas disciplinas que envolvem teoria musical e percussão corporal? Os estudantes vão ser iniciados em algum instrumento?

Carlos Bauzys– A nossa aula de teoria musical será intimamente ligada com a aula de percussão corporal. Por que? Acho importante o aluno experimentar na prática e no corpo o que ele irá aprender na teoria e vice-versa. Isso fará com que ele “incorpore” muito mais todos os conhecimentos aprendidos. Sendo assim, todos o conteúdo da teoria musical, que inclui ritmo, melodia, leitura de partitura, intervalos musicais, escalas e etc, o aprendiz terá a oportunidade de experimentar na prática, através do seu corpo, já que o corpo humano é um excelente e completo instrumento musical.

Para que tal interdisciplinaridade ser conquistada, temos especialistas conhecedores de ambas as matérias, que em suas aulas específicas estarão sempre fazendo a ponte com a outra disciplina. Fora isso, dentro do conteúdo de teoria, está previsto também o conhecimento básico do instrumento piano. Isso servirá para que ele tenha meios para estudar suas próprias linhas vocais em algum instrumento com notas de alturas definidas.

Na sua opinião, qual aspecto da música deverá ser o mais desafiador para os alunos aprenderem e colocarem em prática?

Carlos Bauzys – A prática de cantar com perfeição em pequenos grupos vocais a cappella eu acredito ser a mais desafiadora. Na aula de canto coral, o alunos irão aprender a cantar em grupos. Irão trabalhar a afinação precisa, a manter sua linha vocal em uma música com vários divises, a timbrar com os colegas, a trabalhar dinâmicas em grupo e etc. Tudo isso será feito primeiramente em grupos grandes – onde você canta dentro de um naipe que faz a mesma coisa que você – depois em grupos menores, até que enfim, em grupos pequenos, onde cada pessoa terá um divise de voz independente que ela terá que segurar sozinha, e com perfeição! Isso será feito com acompanhamento de piano e depois, a cappella (ou seja, sem acompanhamento instrumental nenhum).

Manter a sua própria linha vocal individual em uma música a cappella com várias divises, preocupado ainda com sua afinação precisa, timbre, dinâmica e mais, com uma movimentação cênica! Acredito que esse será realmente um dos principais desafios da parte musical do curso. E, vale dizer, essa é uma situação muito frequente em peças de teatro musical. Para se realizar com perfeição, requer-se um árduo treino e bastante experiência.

Qual será o nível de formação dos alunos? Na sua opinião, eles estarão muito acima da média da categoria no país?

Carlos Bauzys – Acredito que daremos todas as condições para que isso seja uma realidade. Afinal, trata-se do primeiro curso técnico do Brasil para tal fim. É claro que já existem no mercado muitas pessoas com excelência no que fazem. São aquelas que correram atrás da própria formação, em diversas fontes diferentes, e que adquiriram muita experiência ao longo de vários trabalhos dentro do gênero. Mas se os alunos desse curso tiverem a mesma dedicação que essas pessoas aplicaram no passado, acredito que sim, elas poderão ir ainda mais longe, pois terão ao seu dispor uma formação mais completa em todas as áreas e uma infraestrutura incrível que o Sesi-SP está oferecendo.