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“Enquanto a diversidade é um indicador quantitativo, a inclusão é medida qualitativa”, define Guilherme Bara

Festival de Empreendedorismo da Fiesp, nos dias 10 e 11 de agosto, conta com debates sobre diversidade e inclusão. Painel abordou a acessibilidade e a inclusão nas equipes

Clarissa Viana, Agência Indusnet Fiesp

‘Construindo um mundo de acesso para todos’ foi o tema do painel com Ana Paula Kagueyama, diretora sênior de Customer Services para América Latina no PayPal, e Guilherme Bara, consultor para o desenvolvimento, implementação e gestão de programas corporativos de diversidade e inclusão. Ao compartilharem suas trajetórias na área, os dois apresentaram as dificuldades e os aprendizados na transformação das empresas e da cultura de todos envolvidos em projetos do gênero.

“O principal desafio em iniciativas de diversidade e inclusão é mostrar para toda a empresa que essa tarefa não é exclusiva do RH, mas é uma tarefa de todos. E a principal responsabilidade é da alta liderança, que deve dirigir a transformação pelo exemplo”, comentou Ana Paula. Segundo ela, a transformação atual do PayPal começou depois que perceberam a necessidade de mais diversidade nas equipes e analisaram de perto o quadro de colaboradores para garantir que houvesse essa diversidade em todos os níveis da organização.

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Ana Paula Kagueyama, diretora sênior de Customer Services para América Latina no PayPal, integrou os debates. Para ela, a inclusão não é tarefa apenas do RH, mas, sim, de todos


Consultor depois de anos ‘do outro lado do balcão’, Guilherme Bara destacou a importância de separar as crenças pessoais dos valores corporativos para eliminar a discriminação. “Trabalhar com diversidade é garantir que nenhum colaborador deixe uma parte de si em casa ao sair para o trabalho, e por isso precisamos estabelecer as diretrizes da empresa e a comunicação interna para, além de debater os assuntos que permeiam essa questão, apontar os exemplos positivos, tangibilizar essa conversa para todos.”

No que diz respeito às políticas públicas, os dois painelistas concordam que o apoio do Poder Público é relevante e necessário, mas a iniciativa privada é, ao mesmo tempo, o principal motor e palco de todas as transformações que precisam ocorrer na sociedade.

Diversidade no planejamento estratégico do negócio

Para abordar o papel das lideranças na conquista de equipes mais igualitárias, Carine Roos e Twylla Ferraz Aragão, compartilharam suas vivências e aprendizados ao longo de suas carreiras profissionais. No primeiro dia do Festival de Empreendedorismo: Diversidade e Inclusão, a fundadora da consultoria Somos Newa e a nutricionista e educadora social compartilharam a importância do engajamento da liderança na transformação das equipes em grupos mais diversos.

“Para que o ambiente profissional seja mais equalitário, precisamos capacitar as mulheres, mas também trabalhar a mentalidade dos homens. Porque sem a liderança humanizada dos homens, que hoje são maioria nesses cargos, as mulheres não vão superar esses obstáculos sozinhas”, analisou.

Carine também alertou o problema do chamado diversity washing, quando as bandeiras de diversidade e inclusão são utilizadas de forma pontual, como estratégias mais simples, sem ouvir os colaboradores.

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Amanda Andrade, diretora do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE), Carine Roos e Twylla

Atuando no Instituto Consulado da Mulher, uma organização da sociedade civil idealizada pelo grupo Whirlpool, Twylla destacou que a mudança de cultura inclui apresentar aos executivos os benefícios financeiros da diversidade nas empresas. “Pessoas com mentalidades e bagagens diferentes pensam de forma diferente, e isso é um ambiente extremamente fértil para a inovação, o que traz ganhos econômicos e de competitividade para a companhia”.

Twylla também enfatizou que as conversas sobre diversidade devem incluir muita comunicação. “Não importa o tamanho da empresa, o importante é que as organizações ou até mesmo os microempreendedores conversem com seus colaboradores, para entendê-los e conhecer suas demandas. Só assim é possível combinar a necessidade genuína das pessoas com a tranformação desejada pela empresa”, concluiu.

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O consultor Guilherme Bara destacou a importância de separar as crenças pessoais dos valores corporativos para eliminar a discriminação