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Energia nuclear pode assumir papel da hidrelétrica no Brasil no futuro, diz diretor da EPE

Executivo da Empresa de Pesquisa Energética, José Carlos Miranda de Farias vai participar de debate sobre futuro das hidrelétricas no 14º Encontro Internacional de Energia da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Pelos próximos 20 anos, o abastecimento de energia por meio de hidrelétricas no Brasil estará seguro, mas o país precisa preparar o futuro substituto para sua principal matriz energética e esta vaga pode ser preenchida pela energia nuclear. A avaliação é de José Carlos Miranda de Farias, diretor de Estudos de Energia da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O executivo será um dos palestrantes do 14º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a ser realizado nos dias 5 e 6 de agosto, no Hotel Unique, na capital paulista.

“Temos a oitava reserva de urânio do mundo. Em algum momento a usina nuclear será usina de base. Pode pensar que, no futuro, ela venha a desempenhar o papel que a hidrelétrica desempenha hoje”, afirmou Miranda.

Em 2012 as reservas de urânio no país chegavam a 309 mil toneladas, com condição de manter dez usinas nucleares de 1.000 MW por 100 anos, segundo estudo Fundação Getúlio Vargas (FGV). O levantamento estima ainda que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas, levando em conta condições geológicas e o fato de apenas 25% do território ter sido prospectado.

Segundo Miranda, o acidente envolvendo a usina nuclear de Fukushima, resultado de um terremoto seguido de tsunami que matou ao menos 18 mil pessoas em 2011, no Japão, colocou em espera os projetos para a matriz energética nuclear em todo o mundo. “Fukushima fez que com que a retomada do programa nuclear em muitos países começasse a ser repensada. Não é preconceito, mas existe um receio quanto à segurança”, disse.

O desastre na província japonesa também estimulou a fiscalização em torno de instalações nucleares, explicou Miranda. “Existem muitos organismos nacionais e internacionais que fiscalizam no sentido de aumentar a segurança da energia nuclear”.

Hidrelétricas sem reservatório

O diretor da EPE deve participar de um debate sobre hidrelétricas sem reservatórios, as chamadas usinas a fio d´água, durante o 14º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Usinas a fio d´água são hidrelétricas com pequeno ou nenhum reservatório. As usinas Belo Monte, Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construídas na região Norte do país, por exemplo, são assim.

De acordo com Miranda, embora sua construção seja um pouco mais cara que a de uma usina a fio d´água, uma hidrelétrica com reservatório é uma opção melhor, já que é possível explorar outras fontes renováveis.

Outro aspecto que depõe contra o modelo sem reservatório é o acionamento de usinas termelétricas, a carvão, por exemplo, para suprir a falta de geração de energia em épocas de seca, o que provoca um impacto ambiental mais significativo do que as inundações para formar o reservatório, avaliou Miranda.

“Você faz um reservatório e o único impacto dele é inundar uma área, mas depois ele é um recurso renovável”, disse.