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Encenado por atores portadores de síndrome de down, espetáculo emociona no Teatro do Sesi-SP

Ator do filme ‘Os Colegas’, Ariel Goldberg e o apresentador Rafael Cortez prestigiaram apresentação do grupo Adid na montagem teatral de ‘A Viagem do Capitão Tornado’

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Mais de 400 pessoas acompanharam na noite deste sábado (23/08), no Teatro do Sesi-SP, a apresentação única do espetáculo teatral “A Viagem do Capitão Tornado”. Uma história repleta de paixões, duelos e muita comédia, os 22 atores portadores de síndrome de down do Grupo Adid [Associação para o Desenvolvimento Integral do Down] contagiaram a plateia, com o seu profissionalismo e exemplo de superação.

O ator e protagonista do filme “Os Colegas”, Ariel Goldberg, prestigiou o espetáculo. Sua presença foi muito comemorada pelo elenco, que na semana anterior protagonizara uma campanha na internet, intitulada #vemariel, para levar o ator à estreia da peça. O apresentador Rafael Cortez (ex-CQC) também compareceu.

Com direção de Leonardo Cortez, a peça é uma livre interpretação do romance “Le Capitaine Fracasse” (o Capitão Fracasso), do escritor francês Théophile Gautier, e conta a história de um miserável grupo de teatro que percorre a Europa do século XVIII em busca de novos palcos para suas apresentações. Amores, dores, disputas e aventuras acompanham as viagens desta trupe.

No final do espetáculo, Cortez agradeceu o apoio do Sesi-SP na divulgação do grupo, que já tem duas apresentações programadas para o mês de março, em unidades do Sesi-SP no interior do Estado: “A parceria com o Sesi-SP tem sido ótima para o nosso grupo. Ela nos permite apresentar o espetáculo para públicos diferentes e também divulgar o nosso trabalho”, salientou o diretor do grupo Adid.

Por trás das cortinas

De acordo com Glaucia Libertini, assistente de direção e responsável pelo cenário do espetáculo, os atores participam de ensaios semanais onde são realizadas atividades que estimulam a comunicação. “Eles são atores que já têm uma familiaridade com a linguagem teatral e, até por isso, têm a prática de decorar textos. E, quando cometem erros, têm sensibilidade de improvisar”, analisou Libertini.

Segundo ela, a formação de um ator com síndrome de down dura, em média, um ano e meio: “Os processos são longos para que possamos obter esses resultados”.

Apaixonada pela nova profissão, Ana Beatriz – que interpreta a Sr.ª Giacomelli – garante que continuará investindo na carreira de atriz. “Essa peça foi mais do que um prêmio. Foi um presente que caiu do céu. Eu sempre quis ser atriz e pretendo seguir nesta profissão, pois acho que não tem nada melhor do que aprender a ser atriz do que fazendo teatro”, afirmou.

Opinião compartilhada por sua mãe, Ana Maria Pierre Paiva, que acredita que o trabalho desenvolvido pelo Grupo Adid facilita a comunicação dos atores com a sociedade. “O teatro proporciona uma oportunidade para eles [atores com síndrome de down] se comunicarem. Além de ensinar aos meninos a importância do trabalho em equipe”, avaliou.