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Empresas socialmente responsáveis apresentam cases de sucesso, em seminário

Especialistas orientam sobre investimento social corporativo e apresentam diversos cases de sucesso, em parceria Fiesp/Ciesp, em Jundiaí

Cíntia Souza – Núcleo de Comunicação – CIESP Jundiaí

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), por meio do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) e e do departamento de Responsabilidade Social do CIESP Jundiaí, promoveu dia 14/3, o Seminário “Investimento Social Corporativo como Diferencial Competitivo”. O encontro atende uma demanda das empresas da cidade que têm interesse em investir em projetos sociais nessa cidade.

Uma manhã inteira de palestras com informações e esclarecimentos sobre como as empresas podem fazer investimento social para entidades da cidade e da região. Ao final da exposição dos especialistas, os participantes também conheceram os trabalhos desenvolvidos por empresas socialmente responsáveis da região, como a Indústria e Comércio Fox de Reciclagem e Proteção ao Clima Ltda, o Grupo Roca e a Siemens.

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Luciana Gobatto, da indústria Fox

O primeiro case apresentando foi sobre Engajamento Sustentável, com a participação de Luciana Gobatto, gerente de RH na Indústria e Comércio Fox de Reciclagem e Proteção ao Clima Ltda. Ela apresentou o projeto “Seja Verde – Plug esta ideia” desenvolvido com alunos do Sesi Jundiaí para reciclagem de eletrônicos. “Além de trabalhar a conscientização da reciclagem, os alunos aprenderam a gerenciar projetos”, explica. “Apenas 24% do que foi descartado estava funcionando e 76% das 3 toneladas de lixo eletrônico arrecadado não estavam funcionando, o que mostra que as pessoas não sabiam como descartar o que estava parado e quebrado em casa”, explica, lembrando que foi um projeto piloto e que durou apenas 90 dias.

O projeto vai continuar. “Na próxima semana vamos receber em nossa unidade industrial, na cidade de Cabreúva, os alunos da turma do 3º ano do SESI Jundiaí de 2019: serão 40 alunos e 2 professores, e o principal objetivo é conhecer o processo de reciclagem e dar continuidade ao projeto”, anuncia. “A ideia é disseminar o projeto para outras escolas e desenvolver também na cidade de Cabreúva, onde nossa fábrica está instalada”, completa.

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Maria Lucia Besson, da Roca

O case Práticas do Bem, foi apresentado por Maria Lucia Besson, diretora de Recursos Humanos e Jurídico no Grupo Roca no Brasil. Ela contou sobre o Programa Férias, criado em 2013, que envolve os familiares dos colaboradores e jovens das comunidades entre 13 e 18 anos. “No primeiro dia eles chegam sem muita confiança em relação ao que vão encontrar, mas a partir do segundo dia, a postura deles é completamente outra e a gente percebe que uma mudança começou na forma de se vestir e de se comportar”, explica.

O objetivo do projeto é orientar as novas gerações ao mercado de trabalho. “Orientamos para inserir nestes jovens a responsabilidade e visão do mundo corporativo: estamos caminhando para a 9ª edição e mais de 600 jovens já participaram”, comenta Maria Lúcia. “Durante a semana, são oferecidos palestras e workshops sobre tecnologia, postura e orientação profissional e social, saúde, educação financeira, técnicas de feedback e construção de currículos e a transformação dos jovens é visível”, comemora.

Lucilene Rocha, coordenadora de projetos sociais na Siemens, apresentou o último case da manhã com o tema ”Siemens Fundação, Cidadania Corporativa e Sustentabilidade”. Para a empresa, a sustentabilidade é um elemento chave do programa de estratégia e faz parte da Visão 2020+. “Nós tornamos real o que importa, aumentando as práticas empresariais responsáveis, preservando o meio ambiente e desenvolvendo pessoas e sociedade”, explica.

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Lucilene Rocha, da Siemens

“Na Siemens, nós apoiamos a transformação da sociedade e queremos ajudar nos desafios do nosso País incentivando a educação de qualidade”, explica. O Programa de Voluntariado envolveu 11% dos funcionários no Brasil em 2018. “Na Siemens, nossos esforços são dedicados para criar e compartilhar valor à sociedade, ao mesmo tempo em que fortalecemos nossos negócios. Por isso, a empresa oferece um ambiente favorável que estimula seus colaboradores a desenvolver projetos de voluntariado. A prática da cidadania é vista como oportunidade para o desenvolvimento de habilidades técnicas e comportamentais”, completa.

Entre as conquistas, Rocha destacou o engajamento da equipe em 90%, integração dos colaboradores e melhora no clima organizacional em 82% e o desenvolvimento das habilidades em 89%. “O ROI – retorno sobre investimento – em divulgação destas ações por meio de mídia espontânea foi de mais de 700 mil reais”, explica.

Além de engajar os colaboradores, a Siemens também desenvolve a Escola Formare, um programa de aprendizagem profissional que desenvolve, através da ação voluntária, a potencialidade dos jovens residentes em comunidades no entorno da Siemens. “Idealizado em 1988 pela Fundação Iochpe, o Formare trabalha com o modelo de parcerias entre empresas na implementação de cursos de educação profissional para jovens com idade entre 18 e 21 anos”, comenta. “Desde 2012, são mais de 100 colaboradores como Educadores Voluntários por ano, mais de 3.000 horas de trabalho doadas por ano, 20 beneficiados (diretos) por ano e 49% do total de alunos permanecem na Siemens”, comemora.

Cida Gibrail encerrou o evento destacando participação e disposição de todos. “Este encontro foi extremamente produtivo para que todos conheçam boas práticas que, muitas vezes, mesmo estando na mesma região, não sabemos como as empresas podem estar impactando as comunidades na qual estão inseridas”, avalia. “Vamos continuar debatendo este assunto ao longo do ano e esperamos poder contar com todos vocês”, agradece.

Parceria com a Fiesp

Quanto ao seminário, “esta foi a alternativa que encontramos para mostrar aos empresários de que maneira o investimento social corporativo pode aumentar a competitividade de sua empresa e as condições socioeconômicas da comunidade na qual ela atua”, explica Cida Gibrail, diretora do departamento de Responsabilidade Social do CIESP Jundiaí. “Além de orientar durante o seminário, os especialistas da FIESP se colocaram à disposição para ajudar, orientar e esclarecer as dúvidas que possam surgir a partir de agora”, destaca Cida. “As empresas precisam entender que podem e devem trabalhar de forma responsável e estratégica ao doar ou patrocinar projetos por meio de leis de incentivo fiscal”, completa.

Como o investimento social corporativo pode aumentar a produtividade das empresas e melhorar as condições socioeconômicas das comunidades onde elas atuam? Como é possível tornar um empreendimento mais atraente e, ao mesmo tempo, contribuir com causas de interesse público? Estas e outras questões foram respondidas pelas especialistas no assunto.

“Investimento Social Corporativo: o que é e como fazer de forma responsável e estratégica”, com a analista de Responsabilidade Social da Fiesp Elisângela Bueno, desmistificou a ideia de investimento social como caridade. “O que antes era encarado como caridade, hoje deve estar alinhado ao negócio da empresa. O investimento social corporativo se diferencia das ações assistencialistas por conta da preocupação com planejamento, monitoramento e avaliação dos projetos, estratégia direcionada para resultados sustentáveis de impacto e transformação social, envolvimento da comunidade no desenvolvimento das ações”, reforça.

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Elisângela Bueno, da FIESP/CIESP

Elisângela explicou ainda que a FIESP vem promovendo eventos para disseminação do conceito, na capital e em cidades do interior. “Estamos desenvolvendo uma plataforma de fomento ao Investimento Social Corporativo no Estado de São Paulo e lançamos o ‘Guia de Apoio ao Investimento Social Corporativo FIESP/CIESP’”, completa.

Rebeca Finguermann falou sobre as Leis de Incentivo Fiscal e como usá-las. “Os governos federal, estadual e municipal têm a possibilidade de renunciar a parte do recolhimento de seus tributos devidos para que os contribuintes possam aplicar esse valor de imposto a recolher em projetos culturais, esportivos, sociais e de saúde desde que chancelados e previamente aprovados pelos órgãos responsáveis”, orienta.

Rebeca explicou que as Leis de Incentivo Fiscal vão além da Rouanet. “Para os tributos federais, a principal fonte é o IR/Pessoa Jurídica tributada por Lucro Real e IR/Pessoa Física que apresente Declaração Completa; para os tributos estaduais: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e entre os tributos municipais, estão o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e/ou Imposto Sobre Serviços (ISS)”, enumera.

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Rebeca Finguermann, advogada e mestra

A advogada e mestra em Direito Político e Econômico explicou ainda que as empresas devem acionar algumas áreas que precisam trabalhar juntas pelos melhores resultados. “Reúna os departamentos de Marketing, Responsabilidade Social (ou  equivalente), Contabilidade e Jurídico. Desta forma, a sua empresa terá todo o respaldo que precisa para utilizar as leis de incentivo”, orienta.

Camila Yamahaki, pesquisadora sênior do Programa de Finanças Sustentáveis da FGV EASP, abordou em sua palestra o “Retorno econômico-financeiro de projetos de sustentabilidade”. “Elaboramos um guia para implementação do ROI de sustentabilidade e orientamos como as empresas podem analisar o retorno econômico-financeiro de seus projetos”, explica Camila. “A ideia é auxiliar as empresas a identificar e simular o retorno de determinados aspectos da sustentabilidade e, ao mesmo tempo, criar um ambiente de diálogo sobre o tema finanças e sustentabilidade, contribuindo para a integração e o engajamento de diferentes áreas das empresas”, completa.

De acordo com Camila, o guia da FGV também oferece elementos para que os tomadores de decisão possam mensurar os retornos de projetos e/ou ações de sustentabilidade, implantadas ou potenciais. “Queremos contribuir com as iniciativas para transformar desafios de sustentabilidade em soluções de negócios bem-sucedidas”, destaca, apresentando dois modelos de análise financeira: o estático, no qual as premissas são mais simples e o auxílio da área de finanças é pouco necessário, e o dinâmico, bastante utilizado no mercado financeiro e considera o valor do tempo no dinheiro.

“Investimentos sociais deixaram de ter o propósito mais filantrópico. Agora, estão alinhados com a estratégia de negócios das empresas. Nossa ferramenta torna possível o cálculo do retorno econômico-financeiro de processos de sustentabilidade. Os projetos sociais olhavam mais para a sociedade. Hoje, por uma questão de sobrevivência, eles geram benefícios para a empresa também”, defende, lembrando que já foi aplicado em 7 empresas no Estado de São Paulo, entre elas a Siemens, na planta de Jundiaí.

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Camila Yamahaki, da FGV