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Gastronomia, delivery e o ‘novo normal’: tema para os empresários Jun Sakamoto e Dárcio Lazzarini

Evento on-line discutiu os impactos da pandemia no segmento de bares e restaurantes. Iniciativa do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp

Aline Porcina, Agência Indusnet Fiesp

Em meio à pandemia, empreendedores de todo o país estão se desdobrando em busca de soluções para manter e ampliar seus negócios. Fatores como o isolamento social e a instabilidade econômica fizeram com que a procura por bares e restaurantes diminuísse drasticamente, forçando os empresários a desenvolver estratégias para levar seus produtos e serviços ao público de forma rápida, segura, e com os mesmos padrões de qualidade aplicados aos restaurantes físicos.

Com foco neste desafio, o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizou na terça-feira, 8/9, em transmissão on-line, a Troca de Experiências: Gastronomia, Delivery e o Novo Normal, com os empresários Jun Sakamoto e Dárcio Lazzarini.

Entrega à moda antiga

Reverenciado como sushiman número 1 do Brasil, Jun Sakamoto está no comando dos restaurantes Junji Sakamoto, J1 e Jun Sakamoto, sediados em São Paulo. Na contramão do segmento, durante a pandemia, a grande aposta dele foi voltar às origens, oferecendo aos clientes uma entrega à moda antiga, sem aplicativos e sem pagamento com cartão de crédito: “Eu não reinventei nada. Fiz exatamente como se fazia há 20 anos. O cliente me liga, eu monto o sushi em uma cerâmica bonita e levo. Ter feito diferente do que todos faziam me deu visibilidade”, explicou Sakamoto.

Segundo ele, uma das tecnologias implementadas foi o uso do WhatsApp Business, que pode ser configurado para enviar mensagens automáticas com explicações sobre como fazer o pedido. Pelo App, os clientes enviam a solicitação e, em seguida, fazem o pagamento via transferência bancária. A logística vem funcionando bem e o retorno dos clientes tem sido satisfatório: “Levamos um pouco da nossa experiência para a casa do cliente, e, todos que pediram, gostaram bastante!”, disse.

Para lidar com os impactos econômicos da pandemia, Jun recorreu ao bom relacionamento com fornecedores, que negociaram pagamentos e revisaram contratos, e com a confiança de seus funcionários. Agora, com um novo fluxo de trabalho organizado e eficiente, o empresário se diz feliz e grato: “Mais do que o retorno financeiro para honrar as compras e preservar os postos de trabalho, foi gratificante ver as pessoas felizes com o trabalho que eu estava fazendo. O maior prêmio do meu trabalho é voltar para casa feliz e satisfeito”, revelou.

Ao ser questionando sobre o que empreender significa, Jin foi enfático: É preciso saber o objetivo certo, o que a pessoa deseja alcançar. “O que importa, de fato, é a jornada. Financeiramente, eu tive vários prejuízos, mas, em nenhum momento, me senti derrotado. Eu fiz com muita raça, com paixão excessiva. Se você faz uma análise, sabe que não deveria ter tentado tanto. Tem um momento certo para saber desistir. Eu aprendi na raça!”.

Digitalização e investimento em marketing

Diretor geral da Intermezzo Carnes e membro do Conselho de Administração do Grupo Cavour (Varanda Grill, Lá Griglia e Intermezzo), Dárcio Lazzarini é peça-chave quando se fala em carnes de referência no Brasil. O empresário brinca que a carne está no seu DNA, já que cresceu vendo seu pai, Sylvio Lazzarini, fazendo churrasco em casa e se dedicando diariamente ao primeiro restaurante do grupo, o Varanda Grill.

Para lidar com a pandemia, a estratégia de Dárcio foi investir em antecipação. Como o isolamento social só chegou ao Brasil alguns meses depois do início da crise na China, a rede passou a buscar por alternativas e reações que deram certo em outros países. A primeira mudança foi uma forte digitalização dos processos, que começou em novembro de 2019.  Além da implantação do delivery, a rede investiu em um especialista de SEO para tornar os sites mais acessíveis e melhorar o número de acessos. “Eu não sabia nada sobre isso. Tive que ser autodidata para ver como se faz anúncio patrocinado e uma boa gestão de redes sociais para se posicionar bem e entrar de fato nesse mundo digital”.

Os resultados do investimento vieram. Na pandemia, o Varanda cresceu no digital cerca de 2000%, e chegou ao faturamento de loja física. Muitas das vendas são feitas por WhatsApp. Para Lazzarini, a estratégia digital e o foco na experiência do cliente foram essenciais neste processo: “O que nos ajudou muito foi essa internacionalização do marketing, ter gasto essa energia com soluções para o delivery e com a iniciativa de levar a nossa experiência do restaurante para a casa do cliente. Pensamos muito no que o cliente gostaria de ter e executamos”, avaliou Lazzarini.

As mudanças na rede não se limitaram ao marketing e à digitalização. Foi preciso fazer ajustes nos custos, na receita e na produtividade. Mas, para o empresário, o empreendedorismo é exatamente isso: resiliência: “O meu recado é para nunca deixar de inovar. É preciso pensar como aumentar a produtividade do negócio, aumentar a renda, como identificar e atender um nicho de demanda. A minha perspectiva para os próximos 12 meses é muito positiva. Eu sou um otimista do que virá no futuro”, ressaltou Lazzarini.

Resiliência, personalidade e inovação são palavras-chaves para os empresários nesta pandemia. Apesar do momento desafiador, é possível buscar oportunidades em meio à crise. “Quem está na luta, continue. Nós vamos sobreviver! É só não desistir. Lute. Às vezes, troque o caminho, se necessário, mas todos nós vamos sobreviver”, finalizou o sushiman Jun Sakamoto.

A videoconferência foi transmitida pelo canal do Youtube da Fiesp e está disponível neste link. É só clicar e assistir.

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