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Empresário do setor de panificação conta sua experiência positiva de empregar um ex-detento

Diretor do Sindipan-SP apoia o projeto que ajudará egressos do sistema prisional a serem reinseridos no mercado de trabalho

Dulce Moraes e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

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O empresário Luis Carlos de Souza é diretor técnico do Sindipan-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Há cinco anos, um rapaz bateu na porta da minha panificadora para pedir emprego. Eu admiti o menino, mas não sabia que ele era um ex-detento. Cerca de uns vinte dias depois, quando pedimos a documentação, foi que ele disse o que tinha acontecido. Então eu resolvi acreditar nele.”

O relato é de Luis Carlos de Souza, empresário do setor de panificação e diretor técnico do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan).

Souza diz não ter se arrependido do voto de confiança que deu. “O Serginho trabalhou comigo por dois anos e meio sem nenhum problema. E, hoje, ele trabalha em outra padaria, associada ao Sindipan, e está lá há três anos”, conta.

Sergio não desperdiçou a chance. “Hoje ele já tira folga do padeiro e do confeiteiro. Constituiu família, tem residência fixa”, afirma o diretor técnico do Sindipan.

Segundo o empresário não adianta nada o ex-detento, depois de cumprir sua pena, querer se reintegrar à sociedade e não encontrar nenhuma porta aberta. Sem oportunidades, ele voltará para criminalidade.

O Sindipan é o primeiro em São Paulo a apoiar o projeto Empregabilidade, uma das ações da parceria da Fiesp e AfroReggae, que conta com o apoio do Senai-SP na capacitação profissional.

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Vera Ruthofer, diretora executiva do Sindipan-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo a diretora executiva do Sindipan, Vera Ruthofer, o projeto foi muito bem recebido pelos associados do Sindicato. “A diretoria acolheu a ideia e fez questão de levar para aprovação em assembleia. E todos associados foram unânimes em aceitar o projeto, receber esses egressos e fazer o seu papel social”.

Ela destacou a importância da participação do Senai-SP. “É uma escola referência. Nós temos certeza que todos eles estarão muito capacitadas para desenvolver o melhor pãozinho que nós comemos no café da manhã todos os dias”.

Para os dez alunos da primeira turma do curso de panificação o início das aulas começou na segunda-feira (16/09). A capacitação será de 200 horas de duração, período em que receberão uma bolsa-auxílio, com recursos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) do Ministério da Educação.

Os alunos contarão com acompanhamento familiar promovido pela equipe do AfroReggae e, após a conclusão do curso, poderão ser contratados por panificadoras associadas ao Sindipan-SP.

No bom caminho

Um egresso do sistema prisional será mais dedicado que os outros profissionais?

Luiz Carlos acredita que sim. “Como todos nós, a pessoa que errou na vida tem direito a uma oportunidade. Eu penso que só o fato de eles se prontificarem a fazer um curso de 200 horas, que não é fácil, demonstra que estão interessados em serem reinseridos na sociedade” .

Para o empresário, dar um novo rumo à vida dessas pessoas é um benefício para a sociedade. “Até porque eles erraram e viram que esse não é o caminho. O caminho é o certo, é o bem, é a gente estar trabalhando e produzindo para esse país”, diz.