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Empreendedorismo feminino, maternidade e trabalho: mulheres que conciliaram esses desafios, na pandemia, revelam como fazer a diferença

Mulheres empreendedoras apresentaram cases de negócios que mudaram seu perfil ou foram inventados durante a pandemia. Elas também contaram como se adaptaram às novas demandas do mercado de trabalho mais os cuidados com a família

Alex de Souza e Mariana Soares, Agência Indusnet Fiesp 

Em antecipação ao Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, vivenciado no dia 19 de novembro, o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp organizou um descontraído bate-papo com empresárias nesta terça-feira (10/11), por videoconferência, divididos em dois painéis. Em formato on-line, os encontros tiveram mediação da jornalista Sofia Patsch.

No primeiro painel, com o tema História de Negócios que Mudaram, Deixaram de Existir ou Foram Criados Durante a Pandemia, as convidadas Beth Romero, Andrea Pereira e Alexandra Fructuoso trocaram experiências e reforçaram a importância de perseverar em meio às dificuldades. “Este ano ficará marcado por ter sido um momento em que muitos negócios acabaram, mas também vimos surgir muitas oportunidades de novos empreendimentos com potencial de crescimento”, destacou a mediadora Sofia.

Ao perceber as possibilidades de inovação, Andrea Pereira criou a Chez Moi by AP, empresa que se especializou na produção de refeições para delivery no fim de semana, quando muitas famílias querem desfrutar de mais tempo juntas, sem ficarem presas à cozinha. “Desenvolvi tudo sozinha, desde a logomarca até o cardápio. São vários os desafios para ter o negócio andando direitinho. Mas aí é preciso ter jogo de cintura, criatividade, e não deixar que isso impacte o seu cliente. Problemas sempre vão existir, mas não podemos ficar paradas. A vida é movimento”, pontuou Andrea.

A jornalista Beth Romero, sócia da empresa de comunicação Se joga Beth, também entende que para ter sucesso a empresa não deve ser estática. Para ela, as organizações devem ter consciência de que são compostas por pessoas, que elas têm vida e todos os dias há oportunidade para se criar algo novo. “Falando de comunicação, hoje temos de trabalhar com várias mídias, o audiovisual vem ganhando cada vez mais força. O foco não está mais no grande público, mas na produção de conteúdo relevante para um público qualificado”, afirmou.

Alexandra Fructuoso, fundadora da Maison Alexandrine, não tem olhar apurado apenas para o mundo da moda. Pela experiência e observação, descobriu nova oportunidade em nicho muito pouco explorado. Ela desenvolveu um desengasgador. “Cerca de 10 pessoas morrem diariamente engasgadas. Com um produto desses à mão, vidas podem ser salvas”, alertou Alexandra, explicando que ele é extremamente importante para socorrer grávidas, obesos e cadeirantes, pessoas nas quais é dificílimo realizar a manobra de Heimlich, procedimento protocolar para salvamento de engasgados.

O diretor-adjunto do CJE, Marcus Vinicius Moreira de Moraes, disse que empreender não é apenas ter ideia de mudar o mundo, mas ver potencial de negócio. “Pensar fora da caixa, não ter vergonha de tentar e errar, isso tudo faz parte do ato de empreender”, explicou.

Maternidade e empreendedorismo

No segundo painel do dia, dedicado a conhecer histórias de mulheres que perseveraram no ato de fazer a diferença, o tema envolveu as dores e delícias de ser mãe e empreendedora. Juliana Ferraz, especialista em marketing, Silvia Braz, comunicadora e empreendedora digital, e Carla Falcão, especialista em Carreira e Negócios no LinkedIn contaram um pouco da trajetória delas e dos desafios vividos para viabilizar seus negócios e ao mesmo tempo gerenciar a família.

“Tenho um filho de 16 anos. Fiquei grávida aos 23, quando estava começando uma vida profissional, criando uma empresa. Desde então, tenho me transformado cada vez mais em empreendedora, driblando os desafios, aprendendo com os meus erros e tentando estar cada vez mais presente na vida do meu filho”, revelou Juliana Ferraz.

Com mais de 780 mil seguidores no Instagram, a comunicadora Silvia Braz é dona de uma personalidade forte dentro e fora de casa. Mãe de três meninas, ela contou que teve a mãe como exemplo. “Minha mãe sempre me ensinou a fazer o que a gente gosta, a ter amor pelo trabalho. Eu acredito que é mais fácil enxergar filhos felizes nas famílias em que as mães estão felizes, motivadas”, enfatizou.

“Ser mãe traz foco, determinação, força. Toda essa vivência que a maternidade traz é imprescindível para o empreendedorismo. Se eu tenho a capacidade de gerar uma vida, eu tenho ferramentas para gerar um negócio.” A afirmação é de Carla Falcão. Mesmo ao reforçar o poder de atuação das mulheres, a gaúcha, que mora em Campinas, reforçou a importância do autocuidado e do olhar gentil consigo mesma.

Ao final do encontro virtual, a mediadora Sofia Patsch apresentou uma pesquisa global da Deloitte que investigou o impacto da pandemia nas mulheres que trabalham fora. De acordo com o relatório, 82% das mulheres entrevistadas disseram que suas vidas foram afetadas, além de confirmar impactos negativos no equilíbrio entre bem-estar e trabalho.

Quer assistir a íntegra dos dois painéis do encontro on-line? É só acessar o canal do YouTube da Fiesp neste link.