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Em webinar, na Noruega, debate-se o papel do Brasil como protagonista ou vilão da produção sustentável de alimentos

Ex-Ministro Alysson Paolinelli, também conselheiro do Cosag/Fiesp, foi um dos palestrantes na reunião com profissionais do agronegócio

Milena Nogueira, Agência Indusnet Fiesp

O ex-ministro Alysson Paolinelli, e integrante do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da Fiesp, foi exaltado pelos participantes na reunião do Conselho Norueguês do Nobel (The Norwegian Nobel Committee) sobre a produção sustentável de alimentos, no Brasil, pelo seu papel na ciência e tecnologia, que colocou a agricultura tropical, o então inexplorado bioma do Cerrado brasileiro, no centro da produção de alimentos do planeta.

O encontro começou com o fundador e CEO da Umoe Bioenergy, Jens Ulltveit-Moe, que destacou sobre a essência do solo apropriado para a agricultura e da geração de 9 milhões de empregos no setor. “A fantástica agricultura brasileira merece o prêmio, e pelo bem-estar da Humanidade, já que a falta de alimentos pode gerar conflitos. Esse webinar nos dá reconhecimento para a agricultura brasileira, importante porque muitas regiões do mundo estão na área tropical”, enfatizou.

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Integrantes do Cosag participam de encontro internacional, com a Noruega, a fim de debater o papel do Brasil na produção sustentável de alimentos. Fotos: Ayrton Vignola/Fiesp

O diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Durval Dourado Neto, pontua que Paolinelli incentivou a convergência e a articulação da ciência, especialmente tornando o Cerrado brasileiro como um grande fornecedor. “Sobre a Amazônia, ele sempre buscou reflexões e atividades interdisciplinares em níveis nacionais e internacionais”, disse.

Segundo o professor e cientista Evaldo Vilela, presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o Brasil alimenta por volta de 800 milhões de pessoas no mundo graças ao Paolinelli ter articulado com universidades, institutos de pesquisas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, e o valioso empreendedorismo dos agricultores brasileiros. Contudo, para ele, é preciso avançar mais.

“A ciência e a tecnologia são indispensáveis para a solução dos desafios para que o mundo produza, nos próximos 30 anos, mais alimento do que a soma de todo alimento que já produziu na história da Humanidade. Nesse cenário, as ciências que integram a agricultura tropical trabalham com o objetivo de a produção alimentar se tornar cada vez mais sustentável, refletindo-se em qualidade de vida, na superação da fome, no bem-estar das pessoas e no grau de preservação de recursos naturais para as gerações futuras”, relatou Vilela.

Nesse quadro, o projeto Biomas Tropicais, de Paolinelli, integrado com relevantes instituições de ciência e tecnologia do Brasil e do mundo, busca aperfeiçoar o conhecimento científico e identificar os limites de uso dos recursos naturais a fim de apontar soluções e processos de desenvolvimento sustentável na produção de alimentos.

Ainda segundo o professor Vilela, o projeto Biomas Tropicais amplia o protagonismo da rede de pesquisa colaborativa em ciência das plantas e dos animais, convertendo-se em conhecimento de ponta e inovação para a produção sustentável de alimentos. “A ciência influencia, mas também é influenciada pela sociedade. Chamar a atenção dos jovens [para exercer essa ciência] é essencial”, apontou. Sobre a indicação de Paolinelli ao Nobel da Paz, Vilela salientou que o ex-ministro é o brasileiro vivo que mais contribuiu para o combate à pobreza. “O trabalho dele é importante para a paz mundial”.

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O ex-ministro Alysson Paolinelli está sendo indicado ao Prêmio Nobel da Paz 2021 por ter contribuído ao combate à pobreza e à fome. Ele transformou o cerrado brasileiro em forte área agrícola e é considerado o “pai da moderna agricultura brasileira”

Organização cooperativa

A transferência de tecnologia, principalmente, para os agricultores familiares, responsáveis por gerar uma parcela fundamental nos tributos arrecadados na agricultura brasileira, afirma como “a organização cooperativa é fundamental”, conforme apontou Marcio Lopes de Freitas, Presidente do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras).

Freitas explica que as coorporativas trabalham com a diversificação da agricultura brasileira, o que corresponde a 53% da produção agrícola no território nacional, gerando 407 mil empregos direto. “É um setor motivador de jovens, ciências agrárias é um dos cursos mais procurados, o que traz para Brasil o título de agricultores mais jovens do planeta”, ressalta.

Impactos na produção dos alimentos

Representante no desenvolvimento internacional dos direitos humanos, a norueguesa Catharina Bu alerta que até 2030 teremos mais pessoas passando fome, não por produzir o insuficiente, mas pelo fato da distribuição desigual e por não trabalhar a produção de forma sustentável.

“De 25% a 30% de alimentos são desperdiçados, principalmente a carne bovina, que é o maior emissor de gases de efeito estufa – o gado produz grande quantidade de metano, assim como o desmatamento necessário para criação de pastagens e da soja. Precisamos transformar o sistema mundial se quisermos pactuar com o Acordo de Paris na mudança climática ou a segurança alimentar será comprometida”, diz Bu, que ainda fez um alerta: “Precisamos implementar não só tecnologia, mas uma vontade política para proteger as floresta”.

Sobre a Amazônia, Paolinelli recrimina os atos criminosos. “O desmatamento atual nada tem a ver com o desenvolvimento sustentável”. Ele diz que já existe tecnologia para produzir de forma sustentável para hoje e para o futuro. Segundo ele,  o Brasil está garantido neste sentido e também pela biodiversidade sem compostos químicos.

“A tecnologia pode ser para o mundo a salvação em sustentabilidade na produção de alimentos.  Meu desejo é a criação de um pacto internacional, onde países ricos que sofrem com os efeitos de imigração, originária de países tropicais, façam um acordo com a tecnologia desses países para diminuir a fome e a miséria no mundo. O objetivo seria dar a essas regiões tropicais famintas um trabalho competitivo para participarem do processo de desenvolvimento global” vislumbra.

Paolinelli inspirou o diretor de Agronegócio do Banco Africano, Martin Fregene, com as lições aprendidas no Cerrado brasileiro, quando esteve no Brasil. Fregene aplicou na África seus ensinamentos no combate a fome na criação de um programa mundial com a ajuda do ex-ministro.