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Em visita à Fiesp, Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA anuncia intenção do seu governo de fazer investimentos milionários no Brasil

Expectativa é que um novo acordo comercial bilateral seja anunciado até o final do dia; setores econômicos dos EUA e do Brasil enxergam as novas parcerias como passo importante para o estabelecimento do livre comércio entre os dois países

Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Nesta segunda-feira (19/10), o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, recebeu o Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Robert C. O’Brien, e uma delegação composta por embaixadores e representantes do governo americano, para discutir formas de aprofundar as relações econômicas entre os dois países.

Durante a reunião com Fiesp e Amcham Brasil, na sede da Federação, a delegação norte-americana divulgou duas cartas de intenção que totalizam um investimento de US$ 559 milhões para dois projetos: investimento de US$ 259 milhões para a Smart Rio, valor que deverá ser usado para modernizar, manter e reformar todas as luminárias públicas do Rio de Janeiro, além de expandir a infraestrutura de iluminação pública atual e instalar câmeras, pontos de acesso Wifi e controladores de trânsito inteligentes no local, e empréstimo direto de US$ 300 milhões para apoiar a expansão da carteira de empréstimos para PMEs do BGT Pactual, com parte dos recursos do empréstimo focado em repasse para empresas elegíveis dentro da Iniciativa 2X Mulheres e PMEs localizadas em regiões economicamente desfavorecidas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

No início deste mês, o governo americano já havia se comprometido em fazer investimento de US$ 425 milhões em projetos no Brasil. Um deles é um empréstimo de US$ 400 milhões ao Banco Itaú para ajuda a pequenas e médias empresas afetadas pelo surto de Covid-19 e, outro, a aplicação de US$ 25 milhões em uma mina de cobalto e níquel no Piauí, que deve aumentar a capacidade de produção e gerar mais empregos para a população local.

A reunião com a Fiesp e a Amcham Brasil foi seguida por uma videoconferência com mais de setenta empresas brasileiras e norte-americanas de vários segmentos econômicos. Durante o encontro, Paulo Skaf exaltou a missão como clara demonstração de respeito do governo norte-americano com os setores produtivos brasileiros e, em nome do setor privado nacional, colocou a Fiesp à disposição para dialogar e discutir acordos de cooperação entre Brasil e Estados Unidos.

“O objetivo deste encontro é estreitar cada vez mais as relações entre os nossos países, nossa corrente de comércio, e nossos investimentos recíprocos”, explicou Skaf. “Essa missão põe em prática a intenção dos presidentes Bolsonaro e Trump de materializar pontos discutidos meses atrás e sugestões feitas pela Fiesp ao governo e à Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos”, avaliou.

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O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu o Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Robert C. O’Brien, e  delegação composta por embaixadores e representantes do governo americano. Fotos: Karim Kahn/Fiesp

Robert C. O’Brien destacou o potencial de colaboração ilimitado entre os dois países e prometeu anunciar até o final do dia um acordo comercial robusto e moderno, capaz de abrir caminho para um acordo de livre comércio entre os dois países.

“O povo americano ama o povo brasileiro e o contrário também é verdade, e acho que a relação entre o presidente Trump e o presidente Bolsonaro demonstra muito bem isso. Então, é um prazer estar aqui e anunciar mais coisas em breve”, disse O’ Brien. Também estavam presentes Kimberley Reed, presidente do Exim Bank (Banco de Importações e Exportações dos Estados Unidos), Michael Nemelka, representante-adjunto do Escritório de Comércio dos Estados Unidos da América, e Débora Vieitas, CEO da Amcham Brasil.

O’ Brien ressaltou ainda a importância dos acordos estratégicos bilaterais e a relevância da participação do setor privado no aprofundamento da integração entre Brasil e EUA e na materialização de projetos voltados à facilitação de investimentos. “A energia, a boa vontade e a disponibilidade dos setores privados em correr riscos trazem oportunidades para os dois países”, disse o Conselheiro aos empresários que acompanhavam a reunião pela internet.

O Conselheiro e a comitiva norte-americana disseram que as restrições de viagem impostas pela pandemia devem ser suspensas assim que os órgãos de saúde dos dois países considerarem o cenário seguro para a realização de deslocamentos e afirmaram que o governo americano está trabalhando para pôr fim às duplas taxações às exportações brasileiras. A reforma tributária prometida pelo presidente Jair Bolsonaro foi elogiada pela delegação, assim como potencial parceria entre os dos países na área de segurança alimentar.

“Alimentamos o mundo e somos complementares”, disse o Conselheiro. “É extremamente importante garantir a segurança de nossos alimentos durante toda a cadeia de produção, e podemos, enquanto dois dos maiores produtores de alimentos do mundo, nos beneficiar com um acordo de cooperação’, argumentou.

O avanço da tecnologia 5G e da Internet das Coisas (IoT) não ficou fora da discussão. O’Brien e seus embaixadores externaram preocupação com ataques cibernéticos recentes e ao crescente domínio chinês sobre essa esfera.

“Estamos recomendando fortemente que nossos parceiros fechem acordos com fornecedores confiáveis”, alertou O’Brien. “Temos uma longa história de cooperação com o Brasil nas áreas de segurança e defesa e podemos aperfeiçoar ainda mais essa parceria”, complementou.

Depois da reunião com Paulo Skaf, O’ Brien e a delegação norte-americana viajaram para Brasília, onde cumprem agenda com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

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O Conselheiro tratou das restrições de viagem impostas pela pandemia, as taxações às exportações brasileiras e o papel do Brasil como parceiro na área de segurança alimentar