imagem google

Em videoconferência organizada pela Fiesp, Comandante de Defesa Cibernética compartilha ações de prevenção a riscos causados pela tecnologia 5G

Recurso viabilizará a internet das coisas, mas também deixará o país vulnerável a ataques

Mayara Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Durante videoconferência realizada nesta terça-feira (1º/9) pelo Departamento de Defesa e Segurança (Deseg) da Fiesp e o Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa (Simde), o General de Divisão e Comandante de Defesa Cibernética, Guido Amin Naves, fez uma avaliação das ameaças oferecidas pela adoção da tecnologia 5G, no Brasil e no mundo, mas também indicou alternativas que, se adotadas, podem restringir os riscos gerados por essa inovação que promete revolucionar a vida de todos.

A tecnologia 5G possui três características disruptivas que são: a banda larga aperfeiçoada, a baixa latência e a possibilidade do aumento da quantidade de conexões. Esses três fatores associados proporcionam maior quantidade de conexões, melhor qualidade e maior velocidade no fluxo de informações que transitam pela internet. É por esse motivo que tal tecnologia deve se tornar a grande facilitadora da internet das coisas. Sem ela, chamadas virtuais, veículos automatizados, cirurgias remotas e lares inteligentes não seriam uma realidade tão próxima. Entretanto, os mesmos recursos que oferecem um mundo de novas possibilidades ameaçam a defesa e a segurança nacional.

“As possibilidades proporcionadas pela tecnologia 5G podem ser usadas para o bem e para o mal, e este é o problema”, alertou o Comandante de Defesa Cibernética, Amin. “Ao passo em que ela aumenta a superfície de contato e traz uma possibilidade de um grande número de ligações, ela aumenta o risco de ataques cibernéticos”, acrescentou.

Outro aspecto preocupante, do ponto de vista da defesa nacional, é o controle da infraestrutura necessária para a disponibilização da tecnologia 5G, por parte de uma única empresa fornecedora. “Qualquer empresa que tiver controle sobre o backbone terá condições técnicas de fazer mau uso das informações que vão transitar nessa rede”, advertiu o Comandante. “Por isso, recomenda-se, entre outras medidas, garantir uma multiplicidade de fornecedores e criar uma agência de controle estatal que seja encarregada de coordenar e auditar a prestação dos serviços de rede de 5G, estabelecendo sanções contratuais severas para as empresas que usarem dados de maneira imprópria”, observou.

Ainda segundo o palestrante, é importante que, ao disponibilizar a tecnologia 5G, o Estado brasileiro se preocupe em excluir áreas e redes sensíveis, fazer uma avaliação da real demanda antes de qualquer contratação e garantir a autenticação de dados e usuários mediante sofisticados controles de acesso, medidas já previstas na Instrução Normativa GSI n. 4, de 26/3/2020, que dispõe sobre os requisitos mínimos de Segurança Cibernética que devem ser adotados no estabelecimento das redes 5G. “O 5G é uma realidade e é importante que se considere tomar providências como nação e Estado brasileiro para transitarmos neste mundo com o máximo de segurança possível”, ponderou Guido Amin Naves.

Carlos Erane de Aguiar, diretor titular do Deseg e presidente do Simde, lembrou que o setor cibernético foi destacado pela estratégia nacional de defesa, ao lado do setor espacial e nuclear, e que o tema vem sendo tratado com excelência pelas Forças Armadas desde 2010.

“Por um lado, o crescente compartilhamento de informações e o avanço da internet das coisas colaboram para a busca de soluções de várias demandas da sociedade, por outro, trazem mais complexidade e elementos de risco à segurança, organizações e indivíduos, entretanto, vemos que, nos últimos anos, as Forças Armadas não têm medido esforços para tratar o tema e incorporar e aplicar capacidades,” afirmou.

Ainda segundo o diretor, uma ampla discussão sobre o tema nunca foi tão fundamental. “Diante de um cenário de impossibilidade de garantia de 100% de eficácia nas ações de defesa e segurança cibernética, tornou-se imprescindível o debate de nossas competências para que possamos atender aos anseios da sociedade brasileira e da indústria nacional”, concluiu.

Nesta terça-feira (1º/9), o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto que regulamenta a Lei nº 13.116/2015. O dispositivo criará regras para o processo de licenciamento que norteará a instalação de antenas de comunicação necessárias para a chegada do 5G no país.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1601396145