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“Em vez de dar uma garrafa de uísque de presente, dê um livro?”, diz presidente do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem em reunião

Levi Ceregato coordenou encontro com segundo vice-presidente da Fiesp e presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros nesta sexta-feira (07/12)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Tempo de mudança e de união. De mãos dadas em prol do livro, do mercado livreiro no Brasil. Esse foi o mote da reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem da Fiesp, realizada na manhã desta sexta-feira (07/12), na sede da federação, em São Paulo. O encontro foi coordenado pelo presidente do comitê, Levi Ceregato. E contou com a apresentação do presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), Marcos da Veiga Pereira, que falou sobre a produção e as vendas do setor no país, e do segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, entre outros convidados.

?Tivemos um faturamento de 5,1 bilhões em 2017?, disse Pereira. ?Foram R$ 6,5 bilhões em 2006?.

Segundo ele, o alto índice de desemprego no país, a recessão e as mudanças nos hábitos de consumo colaboraram para a queda. ?Agora as pessoas dedicam mais tempo às séries, ao YouTube e ao WhatsApp do que à leitura?.

Um cenário que requer mais ações de divulgação por parte do setor. ?A indústria do livro se mobiliza pouco a favor do livro, fazemos pouca propaganda de como é importante ler?, explicou.

Segundo Pereira, ?vivemos uma crise sem precedentes?. ?Duas das maiores redes de livrarias do país estão em recuperação judicial?, disse. ?Juntas, elas têm um peso de 40% das vendas para algumas editoras?.

Mesmo com toda a crise, o presidente do Snel acredita que existe hoje um movimento de união por conta da crise. ?Isso tudo está servindo para que nos demos as mãos?, disse.

Uma iniciativa apoiada pelo Copagrem.?Temos que começar a mudança aqui?, disse Ceregato. ?Em vez de dar uma garrafa de uísque de presente no final do ano, dê um livro?.

Para ele, ?temos que mudar o modo de trabalhar?.

Hamilton Costa, diretor da NA Consulting, foi outro convidado da reunião.

?Dei um livro para a minha irmã de presente de final de ano?, comentou.

Ao falar sobre o mercado gráfico, Costa destacou que as empresas querem da prática da impressão mais ?atenção, relevância e permanência?.

?Até 2020 temos a perspectiva de crescimento do mercado?, disse. ?As embalagens respondem por mais de 50% desse segmento da indústria?.

Assim, há uma tendência de atendimento à customização e à conversão, com embalagens inteligentes. ?Temos grandes preocupações ambientais por parte da indústria, com a procura por materiais mais leves, não agressivos e com melhor custo-benefício?, disse. ?Precisamos pensar no ciclo de vida da embalagem, da criação ao descarte?.

Mais tendências: impressão digital de tecidos, de pisos e cerâmicas, de painéis solares e de eletrônicos. ?Isso sem falar nas impressoras 3D e na bioimpressão?, disse. ?É o conceito de printing ou a nova indústria de impressão, há toda uma gama de possibilidades?.

Perspectivas para 2019

Em sua participação no encontro, Roriz apresentou um panorama da indústria e da economia brasileiras, com perspectivas para 2019.

?O PIB de 2018 foi igual ao de 2004 para a indústria?, disse.

Segundo ele, seguimos com a concentração da renda e sem evolução do PIB per capita. ?O ciclo de recuperação é dos mais lentos?, disse. ?Há o endividamento das famílias, a incerteza política e o desemprego elevado?.

Para 2019, conforme Roriz, o novo governo tem que buscar apoio para aprovar as reformas, o que deve ajudar na retomada do PIB. ?Sem as reformas, temos um quadro assustador?, disse.

De acordo com Roriz, com a reforma da previdência, será possível economizar R$ 88 bilhões no próximo mandato. ?Isso se a reforma for aprovada em 2019?, explicou.

A estimativa de crescimento do PIB no próximo ano é de 2,53, a partir de uma média dos levantamentos de consultorias e bancos. ?A projeção da Fiesp é de 2%?, afirmou.

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Roriz na reunião do Copagrem: Fiesp estima crescimento de 2% no PIB em 2019. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp