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Em seminário na Fiesp, BNDES explica novas diretrizes e tira dúvidas sobre financiamento

Meta é priorizar micro, pequenas e médias empresas; Cartão BNDES pode ganhar aplicação em exportações e microcrédito

Agência Indusnet Fiesp

Técnicos do BNDES participaram nesta terça-feira de seminário na Fiesp para explicar as novas diretrizes do banco, que tem como meta priorizar micro, pequenas e médias empresas, e explicar suas linhas de financiamento. Avalia-se também a ampliação do uso do Cartão BNDES para outras finalidades, como o financiamento à exportação, à agropecuária e ao microcrédito. José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Competitividade e Tecnologia, abriu o seminário relembrando discussão promovida pela Fiesp sobre formas de baixar a taxa de juros no Brasil. As explicações usuais para as razões para o elevado nível dos juros não se sustentam, disse.

“Hoje é claro para todo mundo que o principal problema para as empresas é capital de giro”, afirmou Roriz. “As empresas estão sem dinheiro para pagar impostos e até para demitir.” O acesso ao crédito é a maior dificuldade. Fora o risco, há outros problemas que devem ser discutidos, lembrou.

É preciso, afirmou, voltar a investir e a crescer – e que esse crescimento resulte na criação de empregos. “Para fazer voltar o investimento precisamos fazer alguma coisa muito forte, contundente, talvez até diferente. Fazer o feijão com arroz não adianta mais.”

A participação do BNDES no PIB é similar à da China e da Alemanha, perto de 12%, explicou Roriz, mas o banco brasileiro concentra maior share do crédito privado. Acesso da pequena e média empresa aos financiamentos do BNDES é difícil, disse. A intenção do seminário, afirmou Roriz, era mostrar o que fazer para a frente. A ideia é saber a agenda do possível, disse, mas isso tem que ser rápido. “É hora, no seminário, de fazer críticas construtivas.” No encerramento, Roriz sugeriu novo seminário, talvez três meses depois, para acompanhar a evolução dos pontos discutidos, proposta aceita pelo BNDES.

Milton Antonio Bogus, diretor titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (Dempi), lembrou da dificuldade, devido ao Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal), de obtenção de crédito. Há um pedido, explicou, feito junto ao BNDES, para suspender por dois anos a exigência, algo que já foi feito no passado.

Carlos Alberto Vianna, Chefe do Departamento de Relacionamento Institucional e Gestão do Crédito Rural do BNDES, disse que está em construção no banco uma agenda positiva. Há disse, uma série de medidas em análise para melhorar as condições de renegociação de dívidas, especialmente para as micro, pequenas e médias empresas. Estuda-se inclusive a renegociação de parcelas vencidas do Refin-PSI. Tenta-se com o governo uma solução para a dispensa de CND (Certidão Negativa de Débitos) para dívidas de INSS. Há um engajamento do BNDES nesse sentido, disse.

Tiago Peroba, Gerente no Departamento de Relacionamento Institucional e Gestão do Crédito Rural do BNDES, apresentou as linhas disponíveis para o setor industrial. BNDES Automático, Cartão e BNDES Finame. Explicou a diferença entre os produtos de prateleira, que são perenes e não têm dotação pré-definida, e os programas, com duração e dotação pré-definidas, em condições que podem ser melhores.

Roberto Trindade, gerente no Departamento Jurídico da Área de Crédito do BNDES, explicou o Programa de Incentivo à Revitalização de Ativos Produtivos. Com R$ 5 bilhões, é emergencial e tem vigência até 31 de agosto de 2017. Demonstra de forma bastante clara o esforço feito pelo banco para auxiliar os empresários neste momento de crise, disse.

Depois da apresentação houve uma série de perguntas e sugestões feitas pelo público. Uma delas foi a respeito do programa MPE Aprendiz, que gerou dúvidas a respeito de ser necessário ter aprendizes contratados no momento do pedido da linha. O esclarecimento do BNDES foi que não – a contratação pode ser posterior.

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Seminário na Fiesp apresentou novas diretrizes do BNDES e tirou dúvidas sobre suas linhas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp