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Diretor da Fiesp diz que burocracia restringe abertura de mercado brasileiro

Newton de Mello, diretor adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, participou de evento sobre oportunidades de negócios com país africano

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Diretor adjunto do Derex, Newton de Melo (dir.) e embaixador Mbete em encontro da África do Sul com Brasil. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A razão de o mercado brasileiro ser restrito às parcerias comerciais internacionais é o excesso de burocracia dos órgãos reguladores, avaliou o diretor adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Newton de Mello.

Ele participou de um seminário sobre oportunidades de investimento e negócios entre o Brasil e a África do Sul, organizado por uma missão sul-africana, e apresentou o panorama da economia brasileira.

“Eu penso que a razão para essa abertura comercial pequena se deve ao excesso de regulamentação em todos os setores. O país é muito grande e complexo. Então, para importar ou exportar determinado produto precisa de autorização de vários órgãos”, disse Newton de Mello.

De acordo com o diretor, “não é algo intencional do governo, nem da iniciativa privada brasileira, mas uma característica do funcionalismo brasileiro”.

O diretor do Derex também criticou o elevado patamar da taxa básica de juros, a Selic. Ele afirmou que as altas taxas “têm acarretado um problema para o setor industrial”. Outro entrave para a atividade da indústria brasileira, ressaltou, são os custos trabalhistas.

“Temos o segundo maior encargo social do trabalho do mundo. Cada R$ 100 pago ao funcionário, custa à empresa R$ 200”, disse.

Ele reiterou ainda que, por essa razão, a indústria brasileira não consegue competir com mercados como a China.

“A indústria brasileira não teme concorrência com produtos europeus, nem com produtos norte-americanos. A questão que tememos é o comércio com a China, que tem um nível de remuneração de mão de obra muito baixo”, afirmou.

Melhora em 10 anos
Apesar de mostrar um cenário negativo da economia brasileira, Newton de Mello relembrou a boa fase econômica do Brasil em anos anteriores. O diretor apresentou dados sobre o crescimento da renda per capita no país.

Segundo ele, a renda per capita, que em 1995 chegava US$ 6,3 mil, em 2012 alcançou o patamar de US$ 11,7 mil. A taxa de desemprego também diminuiu ao longo dos últimos 10 anos, de pouco menos de 12% em 2004 para 5% em 2014.

“Foi criada no Brasil uma nova classe média. Embora isso seja muito discutido, de fato houve uma distribuição de renda muito grande no país”, ponderou.

Ebola
O seminário sobre oportunidades de negócios entre Brasil e África do Sul também contou com a presença do embaixador do país africano no parceiro sul-americano, Mphakama Nyangweni Mbete.

A autoridade sul-africana aproveitou a ocasião da abertura do seminário para desmistificar algumas ideias sobre a epidemia do Ebola em países vizinhos da África do Sul. Mbete lamentou que a falta de informação correta faça com que seu país seja às vezes incluído no surto do vírus.

“O Ebola afeta apenas três países e não se moveu além disso. Gostaria de dizer que temos que realmente passar a mensagem correta. Todas as medidas estão sendo tomadas pelos países e acreditamos que a questão do Ebola será resolvida.”

Um surto devastador do vírus Ebola atingiu pelo menos cinco países africanos: Libéria, Serra Leoa, Libéria, Nigéria e Senegal. A doença já matou mais de 2,5 mil pessoas.

Na manhã desta terça-feira (21/10) a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que a Nigéria venceu oficialmente o surto.