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Em meio à crise, especialistas da indústria de petróleo pedem atenção ao setor durante workshop na Fiesp

Possibilidade de outros operadores no pré-sal pode aumentar investimentos na área

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O cenário do setor brasileiro de petróleo é dramático este ano e precisa de atenção, afirmou Flavio Rodrigues, diretor do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), durante o workshop “Petróleo e Gás Natural: Perspectivas e Desafios” promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (21/10), na sede da entidade.  Segundo o diretor, é preciso estar alerta devido à queda no preço internacional do petróleo, que ocasionou a redução nos investimentos da Petrobrás e o recuo econômico no país.

Para ele, é necessário tomar algumas medidas para aumentar a atratividade no Brasil e fomentar investimentos no setor. “Isso inclui mudanças no modelo de conteúdo local e no sistema de partilha para o pré-sal, estabilidade tributária e regulatória. Desta maneira, há possibilidade de outros operadores nesta área”, exemplificou.

“A crise ficou ainda mais aguda devido aos já citados problemas financeiros da Petrobrás. Como os investimentos da estatal representam de 70% a 80% do total do setor, vocês podem avaliar o que isso representa em termos de retração para a indústria como um todo?”, questionou Álvaro Teixeira, diretor da divisão de energia do departamento de infraestrutura (Deinfra) da Fiesp e mediador do workshop.

Também presente no encontro, Eloi Fernandez, diretor geral da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), afirmou que a indústria de petróleo brasileira “sofre hoje dificuldades por conta da forte dependência de um único comprador, a Petrobras. E acontece o que estamos passando atualmente, quando dá um problema com esse cliente, estagna tudo”, disse. Segundo Fernandez, para que o Brasil se torne competitivo na área e tenha uma atividade viável é necessário que o preço do barril seja acima de U$ 50.
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Workshop na Fiesp sobre perspectivas e desafios para o petróleo e o gás natural. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Gás natural no Brasil

Edmar de Almeida, Professor Doutor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também convidado do evento, falou sobre as perspectivas do mercado nacional de gás natural. Aproximadamente 50% do total da oferta de gás no Brasil é importada. Segundo o professor há barreiras aos investimentos em exploração e produção de gás em terra no Brasil. “O desenvolvimento do gás em terra vai precisar de políticas específicas, mudanças regulatórias e/ou novos mecanismos de incentivos”, afirmou.

Com relação à exploração de gás não convencional (shale gas) no Brasil, Almeida aponta os desafios. “É preciso disseminar conhecimento técnico sobre os não convencionais, coordenar institucionalmente e buscar uma visão convergente no Estado Brasileiro, capacitar institucionalmente para regular e fiscalizar e atrair empresas interessadas em investir no aprendizado tecnológico para produzir gás e óleo não convencional nas condições geológicas brasileiras.”

Oportunidades
Única representante da indústria química no workshop, Fatima Ferreira, diretora da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) falou da expectativa em relação ao pré-sal. “A matéria-prima é o diferencial de competividade para o setor, e o pré-sal é uma grande oportunidade para o Brasil. Sem matéria-prima competitiva não existe indústria petroquímica”, disse.

Para Fatima, o uso do gás também é uma oportunidade de diversificação e aumento da competitividade. “Hoje não temos gás natural competitivo. Já tivemos no passado, o que nos levou a investir em fábricas que vêm sendo gradativamente fechadas. A indústria química é também a única que utiliza gás natural como matéria-prima. Nesta aplicação, o consumo é de apenas 1,4 milhão de m3/dia. No entanto, nesse uso se agrega em média 8 vezes o valor do gás nas cadeias”, disse.

Segundo a diretora, o setor químico é um dos grandes propulsores da economia brasileira, e o aumento de produção da indústria química estimula a produção de outros setores, havendo um efeito dinâmico em cadeia.