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EEBA 2013: debate trata de alternativas para agregar valor à matéria-prima brasileira

Giannetti da Fonseca alerta para oportunidades de desenvolvimento no setor de terras raras

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de Relações Internacionais da Fiesp, moderou debate sobre valor agregado à matérias-primas Foto: Fiesp

O Brasil é grande produtor de recursos naturais, mas ainda agrega pouco valor a essa produção, afirmou nesta segunda-feira (13/05) o diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, no 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA 2013).

O titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp foi um dos participantes do workshop “Agregando valor às matérias–primas: como e onde”.

“Somos conhecidos no cenário internacional como produtores de commodities como café, açúcar, carne, frango, suco de laranja etc. Somos os segundos maiores exportadores do mundo de soja, com uma safra que já passa de 180 milhões de toneladas de grãos; produtores de ferro e de inúmeros metais; e o maior produtor mundial de nióbio, um metal estratégico para indústria siderúrgica mundial”, explicou o diretor do Derex, ressalvando que o Brasil agrega pouco valor a esses recursos.

“A intenção do governo e do setor privado é sempre formular estímulos para que a produção brasileira cresça. Para isso, muitas vezes é necessário realizar parcerias internacionais”, afirmou Giannetti.

Segundo ele, as experiências de empresas alemãs podem apontar alternativas para o Brasil. “Alguns produtos estratégicos passam a preocupar a indústria em geral como as terras raras, que são 17 elementos minerais estratégicos para as indústrias siderúrgicas e metalúrgicas mundiais”, observou.

De acordo com Giannetti, a China conseguiu conquistar uma posição de hegemonia nas terras raras. “Desses 17 elementos, a China detém quase 90% e estabelece cotas para exportação. O Brasil tem um grande potencial nessa área, mas precisa de tecnologia para separar esses minerais dos outros. Precisamos de métodos de metalurgia de separação econômica que seja rentável e crie novas fontes de suprimentos”, explicou.

Para o diretor do Derex, a Alemanha possui essa capacidade tecnológica e “pode se associar às empresas brasileiras para explorar, não só terras raras, mas outras perspectivas naturais que estão em vias de escassez”.

Energia e transporte

O diretor da empresa alemã Siegener Verzinkerei Holding, Paul Niederstei, afirmou que tem interesse em conhecer mais o mercado brasileiro. “Há uma grande demanda por parte de vocês nos projetos de infraestrutura e energia. Esses são dois fatores-chave para garantir o sucesso do Brasil e de todos os mercados emergentes”, completou.

Na opinião do diretor alemão, nessas áreas é necessário grande volume de fornecimento de aço. “O aço tem um problema: ele oxida, enferruja, e deve ser galvanizado, coberto com uma camada de zinco. Para nós, isso é uma vantagem”, explicou, acrescentando que a corrosão do aço causa prejuízo de 30 a 40 bilhões de euro por ano na Alemanha. “É um grande prejuízo na economia”, afirmou.

Segundo Niederstei, no Brasil, 700 mil de toneladas de aço foram galvanizadas no ano passado, enquanto, na Alemanha, esse número gira na casa dos 2 milhões de toneladas. “Vemos grande oportunidade na indústria de construção civil. Mas a questão é: como podemos penetrar no mercado brasileiro, de forma responsável e sustentável?”, questionou ao concluir.

Case de sucesso

O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, mostrou-se preocupado com a falta de valor agregado no Brasil. “Nós não somos mais nada do que o Brasil-Colônia. Exportávamos cana-de-açúcar, depois café e agora soja. Tudo isso in natura. Depois, importamos dos mais diversos países do mundo, os produtos acabados”, afirmou.

Figueiredo acredita que o Brasil precisa criar um conceito de agregar valor às matérias-primas. “É preciso ter o tripé: tecnologia, estímulo ao investimento e qualificação de mão de obra. Esse é um desafio para o Brasil se reposicionar”, alertou.

O diretor comercial da Agropalma, Marcello Amaral Brito, contou como a empresa que representa – ligada à indústria de matéria-prima básica – consegue agregar valor. “É preciso coragem, assumir posições não muito simpáticas para a indústria da qual você participa”, afirmou.

Brito explicou que a Agropalma adotou um processo chamado “Operação curiosidade”, que significa estar o mais próximo o possível de clientes e concorrentes. “Não economizamos em viagens para feiras, reuniões e encontros, pois isso nos traz os dados para que implementemos em nossa empresa”, explicou.

Como resultado de um investimento de 15 anos, Brito contou que a empresa foi líder no setor num ranking elaborado pelo Greenpeace no último ano. “Todo nosso investimento socioambiental se paga e dá lucro”, afirmou ao ressaltar que todas as pesquisas e estudos valeram a pena.

“Todo investimento socioambiental, se bem aplicado, vira um bom lucro”, concluiu.