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Educação é ponto-chave para o desenvolvimento do Brasil, afirma Felipe D’Avila

Tema marcou encontro entre pré-candidato e empresários

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp  

Nesta quarta-feira (27/27) ocorreu o segundo debate entre indústria e candidatos à Presidência da República. O pré-candidato Luiz Felipe D´Avila, do Partido Novo, apresentou suas propostas na sede da Fiesp e do Ciesp, com transmissão on-line.  

Josué Gomes da Silva, presidente da Federação das Indústrias, reforçou a preocupação com a queda de participação da indústria de transformação na composição do Produto Interno Bruto (PIB). Nos anos 1980, era superior a 20% e hoje está em 11%. Ele lembrou que essa indústria tem o maior multiplicador econômico, cerca de 2,4 vezes – frente ao agronegócio, em torno de 1,6, e serviços abaixo de 1,5 –, além de pagar os melhores salários e do seu expressivo grau de formalidade, mais os investimentos que faz em pesquisa e desenvolvimento.   

O tema educação foi reforçado por Josué que destacou a importância dos 80 anos de serviços do Sesi-SP e do Senai-SP à indústria e sociedade. “São entidades que dão certo”, afirmou, ao lembrar que para mudar a realidade é essencial privilegiar a formação de capital humano. Por isso, a educação de qualidade do Sesi-SP e do Senai-SP deve ser levada às escolas públicas para se elevar os índices do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), hoje liderado pelo Chile.   

D’Avila concordou e enfatizou que a Educação Básica é a chave da transformação, com ênfase na Primeira Infância, mas é preciso coordenação entre estados e municípios, cobrar o cumprimento das metas e rever os recursos.  

“Sem melhorar a produtividade não haverá nem crescimento e nem igualdade de oportunidade”, disse, ao mirar na alfabetização plena, ensino em tempo integral, oferta de cursos técnicos e profissionalizantes e na formação de professores.  De acordo com ele, utilizar-se de mecanismos como a gamificação na matemática, por exemplo, cativa o interesse dos jovens e assim se deve “pegar o que funciona e escalar”.  

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Fotos: Karim Kahn/Fiesp


De acordo com o pré-candidato, é preciso casar teoria e prática, criar ranking de competitividade dos estados e municípios para melhorar indicadores: “Melhoria se faz em cima de dados e evidência e não em ideologia, pois um país que não cresce está condenado a ser pobre, desigual e injusto, o que dimensiona o desafio que há pela frente”.   

Se antes o Brasil crescia 7% ao ano, entre 1940 e 1980, em função do nacional-desenvolvimentismo, este “perdeu o prazo de validade”, segundo ele. Em 1980, com abertura econômica, reformas, descentralização, desregulamentação e privatização, o mundo começou a crescer. “E o que o Brasil fez? Aprovamos a Lei da Informática, a reserva de mercado”, um movimento contrário ao protagonizado pelo mundo, afirmou. 

Enquanto o PIB mundial cresceu 189%, de 1980 a 2010, o dos países desenvolvidos 86%, “nós ficamos lá atrás”, avaliou. Na fase que chamou de ‘populista’, de 2010 a 2020, o PIB mundial foi incrementado em 32,2% e o do Brasil em 2,5%. “Esse é um país que se fechou para o mundo e não pertence às cadeias globais de valor; apostou em reserva de mercado como indutor de geração de riqueza, criticou.  

Para D’Avila, a primeira medida necessária para mudar esse quadro é a abertura unilateral, gradual e responsável para que ocorra a reindustrialização. E também para se ter acesso à tecnologia, às cadeias globais, ao mercado internacional de crédito.  

Segundo ele, com as conformações regionais que se desenham em função do conflito russo-ucraniano, há uma janela temporal de oportunidade, com a regionalização das cadeias, e o Brasil pode ser líder nesse processo, alertou.  

Propostas

O pré-candidato defendeu uma agenda em linha com o mundo atual, a ênfase em bens de maior valor agregado, o avanço de tratados, citando o Mercosul e o Transpacífico. E, ainda, o ingresso na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com a ambição de nos próximos anos de o país ter um ambiente altamente propício para se fazer negócio, com previsibilidade e segurança jurídica, sem surpresas para o investidor. 

Nesse sentido, D’Avila apontou para a Reforma Tributária e Administrativa. E, também, a melhoria da gestão pública, a adoção de métrica no orçamento, além de equilíbrio entre PIB e dívida pública, corte de custos do Estado e descentralização do poder como determina o federalismo.  

Outra meta é a privatização a começar pela Petrobras e os Correios a fim de aumentar a concorrência e ter preços mais competitivos.   

Em relação à descarbonização, frisou que o mundo se encaminha para uma economia de baixo carbono e o Brasil é superpotência nesse quesito. O país tem grande capacidade de sequestro de carbono. Ele citou como meta recuperar 3 milhões de áreas degradadas, emitir green bonds [papéis de dívida para financiar projetos com benefícios ambientais], criar um mercado doméstico de carbono, combater o desmatamento, utilizando-se do Cadastro Ambiental Rural (CAR), mais o embargo automático de terras desmatadas.  

A respeito do agronegócio, setor altamente produtivo, D’Avila sugere a adoção de melhor política pública ambiental, a recuperação de pastagens – programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC) e a integração lavoura-pecuária-floresta. Ao enfatizar a sustentabilidade, lembrou que se deve ganhar mais mercados globais e não ser apenas exportador de commodities.  

Para ele, é preciso mudar as regras e a geração de energia distribuída e sua comercialização, explicou, com o papel fundamental a ser exercido pela indústria na fabricação de pás, painéis e turbinas, por exemplo.  

“Há US$ 50 trilhões disponíveis no mundo, carimbados para o ESG [governança ambiental, social e corporativa], que irá gerar emprego com investimento verde e o mundo está disposto a pagar por isso”, reforçou.    

D’Avila afirmou que a economia digital vem forte ao lado de  indústrias que crescem a ‘ritmo chinês’ e geram emprego e renda, como as do entretenimento, a do cuidado com a Terceira Idade e a do Turismo.    

Em termos de investimento, frisou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá forte trabalho nas privatizações e como consultor, pelo conhecimento que tem da realidade dos estados e municípios. Sua função será realizar investimentos com retorno social maior do que financeiro, como habitação, mas não se deve descartar recursos de outras instituições para a retomada das linhas de crédito.  

No debate com os empresários presentes ao encontro, defendeu, ainda, a modernização das relações de trabalho para fazer frente aos 40 milhões com carteira assinada e aos 70 milhões que vivem na informalidade, no Brasil.   

No encontro, o presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, entregou o documento “Diretrizes Prioritárias Governo Federal 2023-2026” ao pré-candidato Felipe D’Avila. 

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