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“Economia não é lancha, é transatlântico que se mexe com lentidão”, diz Paulo Skaf

No Diálogo pelo Brasil, em São José dos Campos, presidente da Fiesp/Ciesp reafirma sua confiança no rumo da economia brasileira

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

“Economia é confiança”. A frase de Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp, abriu o encontro com lideranças empresariais no Ciesp de São José dos Campos, em mais uma etapa do Diálogo pelo Brasil, realizado nesta sexta-feira (20/9).

Essa afirmação marcou o debate e a necessidade de incentivo aos investimentos e ao consumo para efetivamente fazer a roda da economia girar mais rápido. “Temos de olhar para a frente”, disse, ao lembrar que o ano começou em um patamar de otimismo que não se justificava e cuja expectativa decresceu. “Mas o governo [federal] fez o certo ao priorizar a reforma da Previdência, uma página quase virada, em fase final de apreciação no Senado Federal. A prioridade era estancar a hemorragia primeiro. Economia não é lancha, é um transatlântico que se mexe com lentidão”, comparou.

Em um cenário influenciado pela insegurança, antes da reforma da Previdência, os investimentos estavam contidos, mas já aparecem sinais positivos impulsionados pela aprovação da reforma da Previdência na Câmara Federal, da Medida Provisória da Liberdade Econômica, além dos acordos de livre comércio do Mercosul com União Europeia e também com os países do EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Lichtenstein).

Para demonstrar que entramos num novo momento, Skaf citou alguns dados, como a reação da indústria de transformação, da construção civil e do varejo, os juros em queda com espaço para cair para 4,5% até o final do ano, e a economia apontar para um crescimento da ordem de 1% este ano e 2% em 2020. “É hora de reconhecer as coisas boas do Brasil. Reformas são pautas velhas, mas entram na pauta das grandes transformações”, afirmou. Ainda no cenário econômico, ele disse que a queda do spread bancário é desejável e deve ocorrer com mais concorrência nesse mercado, bem como melhor acesso ao crédito.

Nesse sentido, a próxima reforma em evidência é a Tributária. “Seria um sonho baixar a carga tributária agora, mas os governos estão sem dinheiro e é preciso cuidado para não elevá-la. Hoje, ao juntar impostos federais como PIS, COFINS e IPI, a alíquota deveria ficar em torno de 9%. Também deveria haver crédito universal, ou seja, “colocar o imposto por fora a fim de dar transparência ao imposto pago” e, para acabar com a guerra fiscal, passar o ICMS da origem para o destino.

Para Skaf, os impostos federais poderiam ser reunidos, mas com calibragem ajustada para não interferir na carga e depois incluir o ICMS e o ISS. “O ICMS deve ficar majorante no destino”, insistiu. Neste contexto, São Paulo teria ganhos e perdas: 4% ficariam na origem e o restante no destino. Se por um lado há certo prejuízo, é vital buscar o equilíbrio com o fim dessa guerra, o que é positivo, e que se resolve com uma Resolução do Senado Federal. É um tema a ser avaliado no âmbito da reforma Tributária, na opinião de Skaf.

A favor da modernização, o presidente da Fiesp/Ciesp defende um Estado mais enxuto e eficiente. “Os governos também têm de se modernizar. Nós apoiamos o Brasil. Este governo tem o nosso apoio. A direção da economia está correta, a agenda está correta. O desafio é o emprego do futuro”, disse.

Nesse sentido, o Brasil reúne forte potencial, na área de petróleo e gás, e com know how em águas profundas diante das reservas existentes, inclusive do pré-sal. Há três anos produzir em águas profundas custava de 40 a 50 dólares; hoje, 6. A produção de pré-sal da Petrobras em agosto, foi de 2,2 milhões boed [barris de óleo equivalente por dia], disse Skaf, que também pontuou a vocação do Brasil para o turismo.

Outro passo essencial envolve tecnologia e inovação: “É hora de levar o Brasil para esse mundo tecnológico, ter startups brasileiras”, disse aos presentes, lembrando que São José dos Campos é uma região industrializada.

Educação e Amazônia

O Estado de São Paulo conta com quatro milhões de alunos, mas o que se oferece no âmbito público não é satisfatório: “Precisamos ter educação de qualidade para o futuro e não podemos aceitar a falta de segurança. Não interessa agora ficar com ‘politicagem’. É hora de resolver os problemas e levar o Brasil para o ano 2020.

Skaf contou que a Federação apresentou a grandes grupos europeus seu estudo Amazônia, você precisa saber. Nele, detalhou a ocorrência de queimadas no bioma amazônia – que sempre existiu – e falou da preservação de 84% da mata nativa na floresta brasileira. “Estão queimando a imagem do Brasil lá fora”, reforçou, no contexto de conflito de interesses existentes no momento.

Questionado pelos presentes ao encontro sobre a expectativa de investimentos estrangeiros, nos próximos anos, Skaf falou da alta liquidez mundial e disse que o Brasil pode se beneficiar desses recursos que giram em torno de US$ 1 trilhão a serem canalizados nos próximos cinco a dez anos. Mas o presidente da Fiesp recomendou o acompanhamento atento do cenário internacional, como a guerra econômica entre Estados Unidos e China e o ataque recente às refinarias de petróleo da Arábia Saudita, que podem provocar reflexos no nosso país.

Para finalizar, o presidente da Fiesp/Ciesp deixou uma mensagem de otimismo. “Precisamos estar unidos e acreditar no Brasil para o seu crescimento e desenvolvimento”, concluiu Skaf.

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp, vê sinais positivos no cenário econômico e debate temas nacionais em encontro em São José dos Campos. Foto: Everton Amaro/Fiesp