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É um erro pensar que subir juros resolve questão inflacionária, afirma presidente da Fiesp em entrevista

Ao falar com rádio do interior, Paulo Skaf diz que aumento de juros ‘rouba a competitividade brasileira’

Agência Indusnet Fiesp

Ao conceder entrevista a um programa da rádio intersom, de São Carlos, na manhã desta quinta-feira (29/08), o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, comentou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que elevou a taxa básica de juros, a taxa Selic, em meio ponto percentual, de 8,5% para 9%.

“Na nossa opinião, isso é errado porque a economia está fria”, resumiu Skaf no “Jornal da Intersom”.

Em meia de hora de entrevista, Skaf falou de temas econômicos e de educação – na sexta (30/08), o presidente estará no município para inaugurar uma escola móvel de aviônicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e presta homenagem a Fernando de Arruda Botelho em solenidade na escola do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) do Jardim Itamaraty, que receberá placa indicando Arruda Botelho como patrono.

Ouça trechos da entrevista por temas:

>> Aumento da taxa Selic
>> Inflação
>> Câmbio
>> Reindustrialização
>>  Investimentos no Sesi-SP e Senai-SP

Leia trechos da entrevista

Elevação da taxa Selic

“Na nossa opinião, isso é errado porque a economia está fria. O crescimento econômico no Brasil vai ficar entre 1,5% e 2%, enquanto o do mundo cresceu 3%.”

Inflação

“Nenhum de nós deseja o retorno inflacionário, mas, na verdade, tem que haver uma providência para que haja o desenvolvimento econômico, porque precisamos gerar empregos, oportunidades, para milhares de jovens, todos os anos. O país precisa crescer. É um erro pensar que subir a taxa básica de juros resolve essa questão inflacionária, até porque os juros são componentes de custo no Brasil. Tem aumento do gasto público. (…) Quando aumenta custos, pressiona os preços. (…) Na verdade, isso rouba a competitividade brasileira, e aumenta a dívida pública”.

Câmbio

“Tem algumas coisas que têm que haver um equilíbrio e serem corretos. Quando se tem uma moeda sobrevalorizada, como era o Real, isso rouba a competitividade do país. Era errado aquele R$1,60. (…)  Esse dólar [num patamar de R$ 2,30 e R$ 2,40, sem volatilidade], para o Brasil é bom.”

Reindustrialização

“Nós não podemos ficar chorando leite derramado, ficar discutindo a desindustrialização, que já foi tão discutida. O que nós precisamos é debater a reindustrialização, criar as condições para o Brasil crescer sua indústria. A indústria de transformação agrega valor, é o melhor emprego, o melhor salário. Isso interessa ao país.”