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É necessário esforço para acelerar a inovação, diz vice-presidente de conselho da Fiesp

“Estamos atrasados e temos que recuperar o tempo perdido”, afirma Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Em comparação com outros países, o Brasil está defasado nas políticas públicas de fomento à inovação, de acordo com o vice-presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco. E, para mudar esse quadro, segundo ele, é preciso estimular os ecossistemas regionais de inovação.

A partir desse entendimento em comum, a Fiesp vem buscando integrar-se com outras instituições para elaborar propostas que criem ambientes mais favoráveis à inovação. “Essa articulação ocorreu de forma natural, uma vez que sempre estamos nos encontrando em diferentes seminários e palestras. E constatamos a falta de uma ação estratégica e a necessidade de uma união de esforços para alcançar esta aceleração”, explica Paranhos.

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Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco: é muito importante estimular os ecossistemas regionais de inovação e desenvolver as locações que muitas dessas cidades já têm. E assim criar, de forma mais rápida, novos empregos e melhorar a competitividade de nossas empresas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Um dos passos nesse destino é a realização do seminário “Estratégias para a Inovação e Empreendedorismo”, na terça-feira (07/10), em que a Fiesp, por intermédio do Conic e do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), reúne empresários, investidores, pesquisadores em Ciência e Tecnologia, associações, sindicatos, universidades e órgãos governamentais e não governamentais com interesse no assunto.

Ao final do evento, a Fiesp e outras instituições assinam um documento que será apresentado aos dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais.

Nessa entrevista, o vice-presidente do Conic fala sobre os problemas e os desafios nesse setor.

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O que são os chamados ecossistemas regionais de inovação?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – Os ecossistemas regionais de inovação têm no Silicon Valley o mais conhecido modelo de sucesso. E eles são justamente o resultado de um ambiente adequado para o desenvolvimento para inovação e, consequentemente, com empreendedorismo. Como sabemos, não adianta inovar sem se transformar numa atividade empreendedora.

Aqui no Brasil, já temos, só para citar, vários modelos que estão avançando com sucesso em Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e no sul do Brasil. E aqui em São Paulo, o município de São José dos Campos – graças ao ITA e à Embraer – se tornou um polo inovador e surgiram vários outros em Campinas, Sorocaba, São Carlos do Pinhal, entre outros.

O próprio estado de São Paulo possui um programa dentro da área de Ciência e Tecnologia que tem avançado de forma muito positiva: o TecSampa.

Por que a Fiesp, por intermédio do Conic e do Decomtec, entende ser importante que o país venha a implantar esses ecossistemas?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – A Fiesp, por meio do Conic e do Decomtec, tem atuado muito forte em inovação e também procurou ampliar seu esforço nesse sentido junto com o Senai-SP [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo]. E os jovens empresários da casa têm tido respostas muito fortes, levando com o Senai-SP 10 mil jovens ao Anhembi recentemente [no Festemp], buscando o desenvolvimento com as suas ideias, procurando levar uma ação empreendedora e buscando, inclusive – o que é fundamental nesse processo, através de associações chamadas Angels – os investidores para transformar essas ideias em novas empresas.

A Fiesp, o Ciesp [Centro das Indústrias do Estado de São Paulo] e o Senai-SP entendem que é muito importante estimular os ecossistemas regionais de inovação e desenvolver as locações que muitas dessas cidades já têm. E assim criar, de forma mais rápida, novos empregos e melhorar a competitividade de nossas empresas.

No seu entendimento, são suficientes as políticas públicas de fomento à inovação em vigor?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – Movimentos como o Movimento Empresarial para Inovação (MEI) ajudaram de forma decisiva os governos – principalmente o federal – a ampliar as políticas públicas e os mecanismos para ampliar a inovação, inclusive aumentando os recursos financeiros para que isto aconteça.

Há alguns anos, o Ministério de Ciência e Tecnologia procurou fazer um programa para criar núcleos de desenvolvimento para a inovação, programa tímido que acabou evoluindo para a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que hoje teria uma dotação de R$ 32 bilhões a serem gastos ao longo de alguns anos. Também esse movimento foi fundamental para criar o programa Ciência sem Fronteiras. Além dos importantes programas que os vários estados têm criado como é o caso de São Paulo.

Apesar disso tudo, esse universo de ações e entidades que temos não são suficientes. Mas já temos um ambiente – pelo menos no mundo dos empresários, da academia e dos próprios órgãos de governo – em que a inovação é fundamental para o desenvolvimento do país e para os cargos de mais competitividade.

O que é preciso, então, para que o Brasil evolua?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – O que falta para que possamos melhorar e procurar nos equiparar não só aos países desenvolvidos, mas a países como China e Coreia, é acelerar esse processo e ampliar a cultura para o empreendedorismo neste país. E desburocratizar os mecanismos de governo, procurando não só atender grandes empresas, mas atingir as pequenas e médias empresas, como tem procurado fazer o Sebrae [Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas].

Dentre as referências internacionais, quais os modelos que devem ser observados com atenção pelo país?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – Para todos, é muito visível que os Estados Unidos (EUA) são um modelo referencial para todo o mundo. O próprio Mercado Comum Europeu tem sido um modelo importante. E os vários países da Comunidade Europeia têm modelos de grande sucesso.

Na Ásia, vemos a China e a Índia com um esforço muito mais bem sucedido que o nosso. Os EUA, por seu próprio ambiente e cultura de empreendedorismo, já atraem gente do mundo todo e inclusive brasileiros, para as startups, transformando ideias em negócios de grande sucesso.

Vemos muitos países – Canadá, Israel e Inglaterra, por exemplo – com ambientes extremamente favoráveis para a inovação, em que as startups criam novas e importantes empresas. Até o Chile criou um programa oferecendo US$ 40 mil para estrangeiros que quisessem ir para lá para iniciarem suas startups.

Se compararmos a muitos desses países, o Brasil está muito atrasado, com problemas burocráticos que atrapalham muito o desenvolvimento.

A Fiesp, por intermédio do Conic e do Decomtec, juntou um coletivo de entidades que atuam em áreas como Pesquisa & Desenvolvimento & Inovação (P&D&I), em investimentos, aceleração de projetos e incubação tecnológica. Por quê?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – Nós todos temos vivido o esforço de ampliar a inovação, estimulando o empreendedorismo e buscando maior competitividade. Temos participado de numerosos encontros, em que organismos de governo e a academia têm trazido respostas a necessidades que o setor produtivo e que os empresários têm apresentado, com novos programas e novos recursos.

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Roberto Aluisio Paranhos Rio Branco: o que procuramos conversar com várias entidades é unir os nossos esforços para ter uma estratégia de curto, médio e longo prazo.Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mas o que nós temos sentido é uma falta de estratégia, dando prioridade para os setores de maior interesse que hoje sofrem com a desleal concorrência de alguns países – principalmente a China –, que provocam uma enorme desindustrialização em nosso país.

Isso falando do setor industrial, que pode ter uma importante recuperação com a inovação, fator que pode nos dar uma melhoria importante na nossa competitividade. É claro que a inovação é abrangente, não é só tecnológica e passa por inúmeros setores, serviços e a própria moda. A mera mudança de uma embalagem é suficiente para ampliar os negócios e sermos mais competitivos.

Nesses encontros que mencionamos estão presentes muitas entidades de fomento e de financiamento à Pesquisa e Desenvolvimento e Inovação (P&D&I). Como dissemos, fica claro que a falta de estratégias leva a sermos dispersivos, a não usar nossos esforços e os recursos financeiros de forma eficiente.

O que procuramos conversar com várias entidades é unir os nossos esforços para ter uma estratégia de curto, médio e longo prazo. Ações que, em primeiro lugar, estão exclusivamente no poder de decisão do lado empresarial, do lado produtivo, e outras que estão nas mãos do governo.

Desta forma, buscar soluções para desburocratizar recursos financeiros, mesmo aqueles que não têm excessivas garantias demandadas pelos órgãos do governo, e como atingir, inclusive, o Congresso que, muitas vezes, vota sem conhecimento e, portanto, errado.

É necessário fazer um esforço maior para acelerar o processo de inovação e empreendedorismo em nosso país, pois há uma unanimidade: estamos atrasados e temos que recuperar o tempo perdido.

Quais são as instituições que fazem parte desse esforço e como aconteceu essa articulação?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – Nesse encontro, nesta direção de juntarmos esforços estão Anpei [Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras], Anprotec [Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores], Abipti [Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação], Sebrae-SP, Desenvolve SP [Agência de Desenvolvimento Paulista] e a Fortec [Associação Fórum Nacional de Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia].

Essa articulação ocorreu de forma natural, uma vez que sempre estamos nos encontrando em diferentes seminários e palestras. E constatamos a falta de uma ação estratégica e a necessidade de uma união de esforços para alcançar esta aceleração.

Está programada, ao final do seminário, a assinatura de um documento com as demandas por novas estratégias e ações. Qual é a finalidade desse documento?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – Conversamos com outras entidades que sentem a mesma necessidade. E o intuito é ampliar a cultura de inovação e acelerar este processo, tendo o maior número possível de entidades que, não abandonando o interesse de seus associados, estarão unindo os esforços para serem mais unidas nas causas maiores.

Com a assinatura, quais são os passos seguintes?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – O objetivo é fazer chegar esse documento aos presidenciáveis neste segundo turno. Apenas estaremos relembrando algumas ações necessárias para melhorar os resultados de todos os programas existentes para inovação. E recomendando ampliar os esforços para a criação dos ecossistemas regionais de inovação e somar nossos esforços, do lado produtivo, com os do governo, buscando inovar mais o nosso país e empreender mais, sempre buscando melhorar de forma decisiva a nossa competitividade.

De que modo as instituições e os interessados no tema da inovação devem atuar para que no ano de 2015, com a posse de um governo respaldado pelas urnas, as políticas e investimentos em inovação possam tomar um caminho mais assertivo dentro de um projeto de médio e longo prazo?

Roberto Aluisio Paranhos do Rio Branco – O objetivo desse encontro é dar partida a um esforço conjunto dessas entidades e de muitas outras, realizando encontros periódicos onde poderemos estar definindo prioridades nas áreas que devemos atuar e fazendo com que esses programas já existentes estejam mais adequados a essas necessidades.

Isto exigirá um esforço e um diálogo constante com o governo, fazendo com que esses programas sejam simplificados, possam atender melhor, como já dissemos, à pequena e média empresa, e também buscando essa aceleração para que voltemos a ser mais eficientes, mais competitivos e ampliando a cultura da inovação e empreendedorismo em nosso pais.

Um dos maiores desafios é que os meios de comunicação possam fazer chegar a diferentes públicos alvos: o consumidor, os setores produtivos e os governantes e representantes no Congresso Nacional.

Portanto, a partir de janeiro de 2015, vamos buscar com o novo governo uma ação conjunta que resulte alcançar os objetivos mencionados, de modo a transformar a inovação e o empreendedorismo em nosso país ao nível do países desenvolvidos.