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Disruptiva, tecnologia 5G irá alterar relação de pessoas com máquinas, produtos, processos e modelos de negócio

Nova tecnologia terá impacto do ambiente urbano ao rural, das residências ao interior das fábricas, na avaliação de especialistas. O futuro exige capacitação e adaptação

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Será ampla e inevitável a aplicabilidade da tecnologia 5G para a indústria da transformação, com impacto na qualidade do trabalho, capacitação de profissionais, modelos de negócio e velocidade de dados, entre outros aspectos. Esse debate norteou encontro on-line na Fiesp, no âmbito do Conselho Superior de Inovação e Competividade (Conic) nesta quarta-feira (3/3). Mas, antes do 5G, é preciso apostar na otimização, por isso, a importância do Senai-SP como auxiliar nesse processo, pontou Antonio Carlos Teixeira Álvares, à frente do Conic.

O integrante do Cluster BR-5G, Alberto Paradisi, destacou que essa nova tecnologia deve ser instrumento de desenvolvimento e competitividade e enfatizou sua característica disruptiva, que abrange a conexão pessoa-pessoa, pessoa-máquina, máquina-máquina e seu reflexo nos processos fabris e de negócio ao demonstrar a amplitude de sua aplicação. Segundo expos, o 5G não é só mais um G, e sim uma infraestrutura wireless para conectar o mundo, com extrema mobilidade, maior escala de comunicação em massa, alta confiabilidade e baixa latência. “Haverá a capacidade de conectar um milhão de dispositivos por km2. São qualidades do serviço o que o 4G não tem”, avaliou o expositor.

Os impactos do 5g no Brasil abrangem manufatura, varejo, governo, agricultura, comércio, setor imobiliário, entre outros. “Haverá um impacto de US$ 1 trilhão e 300 bilhões, acumulados nos próximos 15 anos, mas mais de três vezes de impacto na produtividade”, em função da potencialidade do 5G, informou Paradisi. Para ele, a inovação se dá colaborativamente, pois é questão de processos e pessoas e é preciso reconhecer que este é um ecossistema global de tecnologia, mas se atentando também à tecnologia local e ao empreendedorismo de base tecnológica. E avisou: “é um desafio é juntar atores tão diversos”. A orientação deve partir de demandas concretas a fim de promover arquiteturas e componentes abertos, proporcionando a inclusão de empresas. Atuar colaborativamente significa fazer girar a tripla hélice da inovação: empresas, pesquisa e educação, sociedade.

Entre os clientes usuários da tecnologia 5G estão: manufatura, indústria de base, prestadores de serviços de comunicações, saúde, educação, varejo, financeiro, mobilidade, smart cities (cidades inteligentes) e utilities (energia elétrica, gás, água e saneamento).

A ideia do Cluster é o desenvolvimento de projetos em suas fases: ideation (ideação; identificação do problema), especificação (planejamento da solução), construção (desenvolvimento), e, por último, a validação em laboratório/campo e o Senai-SP pode ser um grande parceiro, como as universidades, de acordo com o expositor. Ele também lembrou o apoio e o uso do think tank, liderado pela Universidade de São Paulo (USP), por exemplo.

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Osvaldo Lahoz Maia, gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, deu ênfase à estratégia para a conectividade digital, e lembrou que a entidade é um player desde 2002, que apostou à época em ambientes de telecomunicações. A unidade do Senai-SP, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, é um Open Lab e “temos o nosso demonstrador que já recebeu input do 5G também”, sinalizou, já com desenvolvimento de produtos de apoio à indústria.

Em termos de estratégia, o Senai-SP iniciou um amplo programa de conectividade digital, no âmbito da assistência tecnológica às empresas, com atuação fundamentada em parcerias com o setor industrial, incluindo ações em P&D, e programas de capacitação para ser um locus no Estado de São Paulo neste aspecto.

Em termos de mobilidade, conta-se com realidade aumentada e já há um plano de um Curso de instalação e configuração de redes privadas, avisou Maia, que irá privilegiar três vertentes: banda larga móvel aprimorada, comunicações de baixa latência ultraconfiáveis e comunicações massivas em máquinas.

Maia frisou que a qualificação é essencial, com tecnologia cada vez mais barata, o capital humano é muito importante para o Senai-SP, levando-se em conta, especialmente que haverá mudança profunda dos modelos de negócio. “A ‘mão de obra’ deve ser transformad em ‘cérebro de obra’, brincou, mas isso requer mudança da cultura. “Haverá transição e perdas nesse processo, o que pressupõe a iniciativa da força de trabalho para se qualificar. As oportunidades estão aí”, afirmou, e todos precisam ser atendidos nessa jornada de transformação.

O gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP também apresentou e comentou sobre a planta do futuro Centro Senai de Conectividade Digital, no bairro da Vila Mariana, na capital, espelhado na instalação existente hoje na Escola Senai de TI, na Barão de Limeira, que conta com laboratório de segurança tecnológica e cibersegurança.

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Osvaldo Lahoz Maia destacou o papel de inovação do Senai-SP quando o tema é a tecnologia 5G. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Outro expositor foi Maurílio Albanese Novaes Júnior, Head de Technology Development da Embraer, que tratou dos cenários tecnológicos e modelos de negócios proporcionados pela nova tecnologia, em função das altas taxas de transmissão de dados e quantidade de equipamentos trabalhando de modo integrado, fatores importantes para o setor aeronáutico, seja ele terra-ar ou aeroportuário. Ele frisou a relevância da realidade aumentada na manufatura do setor, a possibilidade de diferentes modais com a interação com a estrutura aeroportuária, bem como o fato de a aviação estar muito focada na automação e autonomia das próprias aeronaves.

Novaes Jr. elencou algumas tendências e potenciais aplicações do 5G: autonomia, produtividade (automação do cockpit, sistemas inteligentes) eletrificação, sustentabilidade ambiental, flexibilização e eficiência ambiental, operação smart fleet e infraestrura modernizada. Para ele, uma vantagem é a eficiência operacional com comunicação resiliente e descentralização de tomada de decisões alcançada com o 5G. Nesse aspecto, exemplificou com o uso de sistemas autônomos, sistemas remotamente pilotados, como ocorre hoje no setor da defesa, e mobilidade de área urbana, como veículos carregando diversos passageiros.

Para o representante da Embraer, a manufatura avançada é auxiliada pelo 5G ao integrar os vários dispositivos do processo produtivo, e lembrou o papel essencial das entidades governamentais em relação ao fomento e a parceria necessária com a academia para o devido compartilhamento de conhecimento.

Guilherme Spina, CEO da V2 Com do Grupo Weg, especializada em IoT – a Internet das coisas – o objetivo dessa OpenLab é aumentar a produtividade na economia, processo que passa pela indústria. “O 5G não é uma tecnologia. É uma coleção de tecnologias com seu roadmap” [uma espécie de ‘mapa’ que visa organizar as metas de desenvolvimento de um software], avaliou o convidado, para quem o 5G leva à mudança na infraestrutura das redes, e será uma tecnologia mais barata para entrar em todas as áreas até a segunda metade dessa década.

O especialista ainda tratou do Release 15 [padrão da rede 5G, lançada pela 3rd Generation Partnership Project/3GPP, em 2018] com a possibilidade de avançar com o 5G rumo ao ‘chão de fábrica’. “Os celulares focaram nas bandas médias que são boas para o uso urbano. O 5G traz duas novidades: segue para frequências mais altas e também para frequências mais baixas para uso no campo. Estamos testando a performance nessas redes”, explicou.

Para Jefferson Simoni, diretor de Inovação e Tecnologias do Grupo Bosch, o maior interesse da empresa, no ambiente 5G, encontra-se na agricultura, indústria e mineração, áreas de aplicação e exploração, no Brasil. “A fábrica do futuro terá total flexibilidade e os componentes fixos serão apenas chão, teto e paredes”, afirmou. Ao se pensar em flexibilidade, é preciso conhecer onde está cada componente e qualidade do processo, de ponta a ponta, fundamental para a fábrica do futuro, promovendo a sinergia, segundo detalhou.

Como informou, a Bosch oferece soluções modulares e de retrofit, de mudança de produção e de produtos no chão da fábrica. Em âmbito mundial, a Bosch conta com 250 plantas e vários projetos-piloto desenvolvidos há mais de um ano: “hoje temos produtos na forma 5G”, disse, com cases na área de automação de veículos, uso de dados massivos e realidade aumentada, entre outros. “Aqui, há o desenvolvimento de três projetos em parceria com a Alemanha e estamos em busca de parceiros”, de acordo com o expositor, que apontou a questão da ‘janela de oportunidade’, uma jornada para aproveitar esse momento e estar pari passu com o que há de mais atual em termos de tecnologia.