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Discussão na OMC sobre novas disciplinas nas questões cambiais deve ser retomada, segundo embaixador do Brasil no organismo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Recém-chegado da quarta reunião do grupo de trabalho que discute as distorções provocadas pelo câmbio no comércio internacional na OMC, em Genebra, o embaixador do Brasil para a Organização Mundial do Comércio (OMC). Roberto Azevedo, afirmou que por ora não há “apetite para se falar de novas disciplinas, novos mecanismos” para questões cambiais de diversos países.

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Embaixador Roberto Azevedo: solução para as questões cambiais não será técnica - 'vai ser necessariamente imperfeita e política'. Foto: Everton Amaro.

“Isso ficou muito evidente, já era esperado. Mas o outro lado da moeda é que também houve –  de maneira quase que unânime no grupo – um entendimento de que essa conversa tem de continuar”, afirmou Azevedo.

O embaixador participou do seminário Câmbio e Comércio Internacional em Perspectiva, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o Instituto dos Analistas Brasileiros de Comércio Internacional (ABCI). No evento, ele afirmou que ficou claro para o grupo de trabalho que tem de haver uma interlocução entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e membros da OMC sobre a relação cambial com o comércio internacional.

“Não dá para continuar conversando sobre essas coisas com o FMI fazendo a parte dele, a OMC fazendo essa discussão, e os dois não se falarem. É uma coisa absurda. Eles fazem parte da governança global econômica e não tem nenhum sentido a mão direita fazer uma coisa e a esquerda fazer outra”, afirmou Azevedo.

Segundo o embaixador, deve ser convidado para a próxima reunião do grupo de trabalho, prevista para abril, um representante do FMI para compor as discussões.

Solução para o futuro

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Azevedo: questão cambial nos foros internacionais não pode ser 'varrida' para debaixo do tapete. Foto: Everton Amaro

Na avaliação de Roberto Azevedo, não será de ordem técnica eventual solução para as distorções provocadas pelo câmbio no comércio internacional.

“Seja na OMC, no G20, no FMI ou em outro foro. A solução vai ser necessariamente imperfeita e política. É só olhar para a história. Nenhuma das situações em que houve tensões dessa ordem de magnitude na área cambial foi resolvida de maneira técnica”, afirmou.
Quanto aos objetivos do Brasil com relação ao câmbio na OMC, Azevedo acredita que eles foram atingidos.

“Nossos objetivos na OMC sempre foram essencialmente dois: o primeiro é elevar o perfil da questão porque não se ouvia falar disso, para forçar que outros foros começassem a trabalhar também. E isso está começando a acontecer. O segundo objetivo é deixar inequívoco, latente, que o Brasil tem um problema de câmbio, e não adianta varrer esse problema para debaixo do tapete”, contou.