imagem google

Diretores da Fiesp debatem necessidade de estratégia de crescimento do país na FGV

Mesa principal do Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas foi presidida por Benjamin Steinbruch, vice-presidente da federação

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Economistas, empresários e autoridades do governo debateram nesta segunda-feira (30/09) a necessidade de uma estratégia para dobrar a renda per capita em 15 anos. Segundo o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon)  da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, as discussões tiveram base num trabalho realizado pela entidade, a Estratégia de Potencial Socioeconômico Pleno para o Brasil.

Na avaliação de Francini, que apresentou o estudo durante o 10º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o Brasil ainda não possui um plano estratégico para estimular o crescimento econômico e social e dobrar a renda per capita. No debate, ele afirmou que “múltiplas estratégias acabam resultando em nenhuma estratégia”.

“O trabalho da Fiesp não tem a pretensão de dar um plano acabado de estratégia, mas isso é o grito de alerta quanto a necessidade de um plano e acredito que foi bem captado”, disse Francini sobre o estudo, produzido com base no relatório da Bain & Company.

Segundo o levantamento, é necessário que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça a 5,3% ao ano até 2029 para que a renda per capita dobre dos atuais US$ 11 mil para US$ 22 mil durante o mesmo período.

“O trabalho da Federação mostra que da mesma maneira que outros países já fizeram o que devia ser feito o nosso também poderá fazer”, disse Francini.

No encontro desta segunda-feira (30/09), presidido pelo vice-presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, os economistas concluíram que a indústria precisa retomar sua importância como geradora de produção, renda e emprego.

Segundo reportagem do jornal Valor Econômico sobre o evento publicada nesta terça-feira (01/09), o assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcelo Miterhof, afirmou que “a indústria de transformação é onde há geração do progresso técnico, onde estão os melhores empregos e encadeamentos produtivos para a economia como um todo”.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, participou das discussões do Fórum e, segundo o Valor, classificou como “ambiciosa” a meta de dobrar a renda per capita em 15 anos. Ele, no entanto, calcula uma taxa anual de crescimento médio do PIB de 4% para que tal proposta seja alcançada, estimativa inferior ao percentual traçado pela Fiesp, de 5,3%.

O presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Cosec ), Delfim Neto, também participou das discussões que tinham como objetivo responder à pergunta: “Quais as restrições econômicas para o Brasil dobrar a renda per capita em 15 anos?”.

“A resposta correta é criar as instituições adequadas e os incentivos corretos para que o poder incumbente e os agentes econômicos coordenem livremente suas atividades para obtê-la, o que exige, como preliminar, a construção de uma sólida relação de confiança dos agentes entre si e deles com o poder incumbente”, avaliou Delfim Neto no artigo Não basta desejar, publicado nesta terça-feira (01/10) no Valor Econômico, numa referência ao encontro.